Ela nasceu em Minas, mas descobriu aqui no Espírito Santo uma forma de transformar arte em negócio. Luciana Guimarães começou a fazer cerâmica aos 10 anos e ao longo dos anos se especializou, aprendeu técnicas novas, foi coordenadora do Núcleo de Inovação e Design em Artesanato do Centro de Design do Espírito Santo, uma parceria Sebrae e SENAI. Hoje a artista, formada em administração de empresas, se dedica ao atelier Vitreria Luciana Guimarães e começa a mostrar, no mercado, o potencial que a arte bem direcionada pode ter. Arte que já chamou atenção pela inovação e pela beleza com o troféu desenhado para a entrega do Prêmio Art et Décor deste ano. Leia a entrevista com Luciana Guimarães.
Como o design pode tornar um negócio mais atrativo?
A gente pode falar poeticamente e na realidade também. Na verdade a gente precisa criar um objeto que fale por si só. No caso do troféu do prêmio Art et Décor ele privilegia essa área de arquitetura.Todas as empresas que recebem o prêmio têm um destaque, porque além de bonito é um símbolo que fala de uma premiação. É diferente e causa impacto, é inovador.
Como é o mercado capixaba para a sua área?
A nossa tendência é ter peças artísticas e comerciais. O mercado é bastante promissor por aqui. Quanto mais opções para se decorar uma casa melhor. A diversidade é que é o mais legal. O Estado tem uma mistura de gente, com gostos diferentes e por isso é um grande mercado.
Como o artista pode ser inserido no mundo dos negócios?
Fazendo aquilo que o mercado quer. Relacionamento é importante . Aqui no Estado, a gente está quebrando o paradigma de comprar fora. O lojista quando quer uma peça, normalmente busca fora do Estado e a agente começa a quebrar isso. Mas o artista precisa deixar um pouco de lado o devaneio e precisa pensar a produção de forma um pouco mais comercial. Tudo passa pelo comercial. Tem que ter uma ética comercial e principalmente respeitar o lojista.
Como funciona o desenvolvimento de técnicas de design?
Vou criando. Eu aprendi essa técnica Faço com o vidro o que eu não vi. O que a gente faz aqui a gente não viu em lugar nenhum. Foram tentativas de acertos que a gente teve e foi buscando a forma ideal. Foram anos de muito trabalho. NO começo eram peças grandes. Mas começamos a pensar de forma mais comercial. Esse é o grande pulo do gato em relação ao nosso trabalho. E tem o nosso trabalho. Todas as nossas peças são cortadas a mão. Faço os desenhos, os encaixes, as tramas. É um processo extremante trabalhoso mas é tudo único. Eu crio tudo.
Existe apoio hoje para quem quer desenvolver trabalhos como o seu?
Nenhum apoio. E um grande gargalo de quem trabalha como eu é a mão de obra. É muito difícil encontrar gente especializada para fazer esse tipo de trabalho.
Por que é tão difícil encontrar gente especializada?
Porque é uma questão cultural. É difícil encontrar gente que pense da forma que a gente conduz o trabalho, no sentido de inovação de querer coisas novas. As técnicas artísticas não são ensinadas mais nas escolas e ensinar depois de uma certa idade é difícil. Para a pessoa mais velha aprender é mais difícil. E muitas vezes as pessoas não alcança, o que a gente passa.
Qual a importância de prêmios como o Art et Décor?
É muito grande e prêmios assim são muito importantes. Eu trabalhei três meses no projeto da escultura do prêmio. A gente faz de tudo um pouco até chegar à peça pronta. É importante porque é uma forma de a gente ser visto e reconhecido por esse trabalho que é inovador e único. È muito bom essa valorização do nosso trabalho.
Hoje o seu espaço de trabalho tem 240 metros quadrados, três fornos, marcenaria e serralheria. É suficiente? Você pensa em expansão?
Eu preciso. Quando a gente estuda administração a gente estuda uma coisa chamada ponto de equilíbrio. É o ponto em que coloca todas as suas despesas e receitas e você não ganhou nada. É a partir daí que você começa a crescer. E eu já preciso começar a crescer. Para isso a gente pensa artisticamente e pensa também em administrar, em otimizar tudo que a gente tem para tirar o máximo da estrutura. E a gente também tem planos de começar a ganhar mais mercado e assim pensar em ampliar mais nossa capacidade e nossas atividades.
