Pesquisa aponta que só um terço dos parlamentares avalia como positiva atuação do STF
O ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o principal evento político da semana, reunindo centenas de milhares de apoiadores na avenida Paulista neste domingo (25). A manifestação ocorreu em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal (PF) sobre um suposto plano de golpe de Estado. Em discurso, Bolsonaro negou que tenha tentado dar um golpe de Estado e disse que agiu dentro dos limites da Constituição.
O ex-presidente também afirmou estar em busca de “pacificação” do país e que deseja “passar uma borracha no passado”.
Data Business explora os impactos políticos da manifestação.
1. Boa parcela dos brasileiros acredita em perseguição judicial contra Bolsonaro
Segundo grupo de pesquisa da USP, no auge da manifestação havia simultaneamente 185 mil pessoas na Avenida Paulista. Considerando que 42% dos brasileiros enxergam que há perseguição judicial contra Jair Bolsonaro, segundo levantamento da Atlas Intel, tamanha parcela contribuiu para a grande mobilização do ato.
2. Capacidade de mobilização
O evento demonstra uma capacidade alta de mobilização do ex-presidente, apesar dos desgastes acumulados desde outubro de 2022, quando perdeu a eleição para Lula (PT), bem como investigações sobre o crime de peculato no caso das joias sauditas e a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por sua inelegibilidade.
Essa influência política pode influenciar de forma relevante na eleição municipal caso o PL consiga se organizar de forma adequada. Os planos do partido presidido por Valdemar da Costa Neto é de conquistar até mil prefeituras, 600 a mais do que atualmente.
3. Sucessores
Salvo algumas exceções de figuras que respondem a inquéritos no STF e que preferiram evitar a exposição, as principais lideranças da Direita estavam no ato da Paulista. Deputados, senadores e quatro governadores – Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Ronaldo Caiado (União), de Goiás; e Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina.
Trata-se de uma evidência forte de que não há Direita hoje nacionalmente competitiva sem a benção do Bolsonarismo.
4. O discurso cauteloso de Bolsonaro
Nos mais de 20 minutos em que discursou, Jair Bolsonaro falou sobre sua trajetória, defendeu realizações em seu governo e destacou a importância da agenda conservadora de costumes (como a contrariedade à descriminalização das drogas e do aborto).
Em relação às ações que responde, colocou-se como vítima de perseguição política e também defendeu a aprovação de um projeto de anistia para os investigados e condenados pelos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro.
Tamanha cautela demonstra que o ex-presidente se sente acuado, transmitindo receio com as investigações e processos em andamento em que responde. As falas mais críticas foram terceirizadas, como pela esposa Michele Bolsonaro (PL) e a liderança religiosa Silas Malafaia.
5. Repercussão no STF
Segundo apuração do colunista do Metrópoles, Guilherme Amado, na visão da maioria dos ministros do STF, apesar de numerosos, os atos não devem mudar a dinâmica dos processos em que responde o ex-presidente, e que “há elementos para condenar Bolsonaro”. Vale aguardar os próximos andamentos processuais na esfera jurídica e os próximos passos no tabuleiro na arena política.
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