Anticorpos permanecem no organismo pelo menos oito meses após infecção por coronavírus

Saúde

Anticorpos permanecem no organismo pelo menos oito meses após infecção por coronavírus

Pacientes que desenvolveram neutralização nos primeiros dias da doença não evoluíram para estado grave, aponta pesquisa italiana

Foto: Pixabay

Oito meses, esse é o período em que os anticorpos contra o vírus que causa a covid-19, o SARS-CoV-2, desenvolvidos por pessoas infectadas, permanecem no orgaismo, na maioria dos casos, após a doença. A conclusão foi de um estudo divulgado nesta terça-feira (11) pelo Hospital San Raffaele de Milão e pelo ISS (Instituto Superior de Saúde Italiano).

Os infectados que produzem anticorpos nos primeiros 15 dias têm um risco menor de sofrer sintomas graves da covid-19, acrescenta o estudo, publicado na revista científica "Nature Communications".

A duração dos anticorpos e a importância da presença precoce deles no combate à infecção são os dois principais resultados da investigação, realizada pela Unidade de Evolução e Transmissão Viral do Hospital San Raffaele e pelo Instituto de Investigação da Diabetes do San Raffaele, em colaboração com o Centro de Saúde Global e o Departamento de Doenças Infecciosas do ISS.

A partir do acompanhamento de 162 pacientes contaminados pelo coronavírus e com vários sintomas, a pesquisa concluiu que os anticorpos permanecem no corpo por pelo menos 8 meses, independentemente da gravidade da doença, da idade dos pacientes ou da presença de patologias anteriores.

As primeiras coletas de sangue correspondem aos meses de março e abril de 2020, enquanto as últimas foram realizadas em novembro.

"Oito meses após o diagnóstico, havia apenas três pacientes que não tinham mais o teste de anticorpos positivo", explicaram hoje em um comunicado o ISS e o hospital San Raffaele.

Ainda segundo a pesquisa, 79% das pessoas testadas produziram anticorpos nas primeiras duas semanas desde o início dos sintomas. Aquelas que não criaram a proteção apresentaram um risco maior de desenvolver doenças graves, independentemente de outros fatores.

“Os pacientes que não conseguem produzir anticorpos neutralizantes na primeira semana de infecção devem ser identificados e tratados a tempo, pois têm alto risco de desenvolver formas graves da doença”, disse a diretora da Unidade de Evolução e Transmissão Viral do Hospital, Gabriella Scarlatti.

O estudo tem "implicações tanto para o tratamento clínico da doença, quanto para conter a pandemia", acrescentou Scarlatti.

A pesquisa também analisou a reativação de anticorpos contra os coronavírus sazonais, responsáveis ​​pelo resfriado, e concluiu que eles "reconhecem parcialmente o novo coronavírus e podem ser reativados após a infecção, embora não sejam eficazes em neutralizar o vírus da covid-19".

No entanto, essa é uma boa notícia, pois existia o temor que a expansão desse tipo de anticorpos retardasse a produção dos específicos para SARS-CoV-2 e tivesse efeitos negativos no curso da infecção.

*Com informações do Portal R7