Dor crônica é fator de risco para depressão e suicídio, diz especialista

Saúde

Dor crônica é fator de risco para depressão e suicídio, diz especialista

A campanha Setembro Amarelo levanta a importante bandeira de prevenção ao suicídio, considerado um problema de saúde pública no Brasil

Foto: Doença

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), apontam que aproximadamente 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, uma média de mais 2 mil óbitos diários. De acordo com o médico especialista em Tratamento de Dor, André Félix, além das causas já conhecidas, dores crônicas também podem acarretar um comportamento suicida nos pacientes.

Um artigo publicado pela revista científica Nursing and Palliative Care aponta que 32% dos pacientes com dor crônica relataram ter tido pensamentos sobre suicídio. 

“A dor crônica, por ser persistente atrapalha a rotina e qualidade de vida do paciente, podendo levar ao isolamento do paciente, desesperança e ao desenvolvimento de quadros depressivos e de ansiedade, condições comuns entre pacientes com dor crônica, que são fatores de risco para o suicídio”, explica.

Outro estudo de atenção primária sinalizado pela Nursing and Palliative Care apontou que a enxaqueca está entre as principais condições de dor associadas ao suicídio. 

Também foi apurado que dores nas costas e dores generalizadas conferem risco maior do que outras condições dolorosas. A duração prolongada das dores também pode aumentar a tendência suicida.

"Infelizmente, a tentativa contra a própria vida é vista por eles como uma alternativa para acabar com o sofrimento, agravado pela dor”, completou. O especialista aponta o acompanhamento multidisciplinar do paciente como uma das vias de prevenção. 

Levantamentos epidemiológicos realizados com pacientes tratados em clínicas especializadas em dor crônica mostram que 52% apresentavam quadros de depressão. 

“Além do tratamento da dor, a assistência de psicólogos e psiquiatras é fundamental para garantir o cuidado global desse paciente, visando à saúde física, mental e emocional. Além disso, o envolvimento da família contribui para a reabilitação deste paciente”, orienta.