A propriedade intelectual nunca foi tão relevante quanto agora, especialmente no mundo da beleza, onde marcas e criadores lutam para proteger suas inovações e criações únicas. Mas até que ponto é possível inovar sem ultrapassar os limites do que é considerado “original”?

Os casos recentes de disputas no setor de cosméticos, como as disputas de Laura Geller contra Aolimei Cosmetics, e as controvérsias envolvendo as influenciadoras brasileiras Boca Rosa e Mari Maria, trazem à tona um dilema importante: a linha tênue entre proteger a inovação e, ao mesmo tempo, restringir a criatividade dentro de um mercado tão dinâmico.

O caso mais recente envolvendo a AS Beauty Group, controladora da marca Laura Geller, é um exemplo claro de como as marcas de cosméticos estão cada vez mais focadas em proteger suas criações.

A empresa processou a Guangzhou Aolimei Cosmetics, uma gigante chinesa, alegando que a empresa estava copiando os nomes e a embalagem de dois de seus produtos mais populares, o BALANCE-N-BRIGHTEN® e o BRONZE-N-BRIGHTEN®.

Segundo a AS Beauty, a Aolimei não só usou os mesmos nomes de produto, mas também imitou a embalagem com design específico, como o mármore terracota, fontes douradas e outros elementos visuais que são marcas registradas da Laura Geller.

Essa disputa ilustra um problema crescente na indústria de cosméticos: o roubo de identidade visual e a imitação descarada, práticas que podem confundir os consumidores e diluir o valor de marcas estabelecidas.

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Ao acusar a Aolimei de violação de propriedade intelectual, a AS Beauty não está apenas tentando proteger sua marca, mas também reivindicar sua posição no mercado.

Inovação com responsabilidade: caminhos para a originalidade

Para marcas como a Laura Geller, que construiu uma reputação de luxo e qualidade ao longo de mais de duas décadas, é essencial garantir que seus designs e embalagens exclusivas não sejam usurpados.

A alegação de violação de trade dress é uma forma de proteger a identidade visual de seus produtos, uma estratégia crucial para manter sua autenticidade e o apelo junto aos consumidores.

O Brasil também enfrenta disputas semelhantes no mercado de beleza, desta vez envolvendo as influenciadoras Boca Rosa e Mari Maria.

Ambas criaram suas próprias linhas de cosméticos, mas se viram alvo de críticas sobre a originalidade de seus designs, especialmente no que diz respeito à estética e embalagens dos produtos.

Boca Rosa, em colaboração com a marca Payot, foi acusada de adotar uma estética semelhante à de marcas internacionais de luxo como Too Faced e Fenty Beauty, especialmente em suas paletas de maquiagem.

Por sua vez, Mari Maria enfrentou comparações com produtos de marcas como Anastasia Beverly Hills, especialmente no design das paletas e batons, levando alguns a questionarem se ela estava imitando, de forma intencional ou não, essas grandes marcas internacionais.

Onde termina a inspiração e começa a imitação?

Esses exemplos refletem um dilema comum no mercado de cosméticos: onde termina a inspiração legítima e onde começa a cópia?

Para as grandes marcas, a propriedade intelectual serve como uma salvaguarda contra o uso não autorizado de suas criações.

As embalagens de luxo, os nomes de produtos e os designs exclusivos não são apenas estéticos, mas parte integral da identidade da marca e do valor percebido pelos consumidores.

No entanto, para influenciadores e criadores como Boca Rosa e Mari Maria, que trabalham com orçamentos menores e buscam atingir um público massivo, a adaptação de tendências globais pode ser uma forma de trazer seus produtos para o mercado de maneira acessível, sem infringir de fato as regras de propriedade intelectual.

Mesmo no Brasil, a questão da violação de propriedade intelectual pode ser complicada. Marcas como Boca Rosa e Mari Maria têm um certo grau de liberdade criativa, mas quando a linha entre adaptação e imitação fica borrada, o risco de enfrentar processos por plágio de embalagem ou violação de direitos autorais se torna real.

Lições para marcas emergentes e influenciadores

Embora as influenciadoras possam não ter intenção de infringir a propriedade intelectual de marcas maiores, as críticas surgem, especialmente quando seus produtos se assemelham demais aos de marcas estabelecidas.

Esses casos ressaltam a importância de entender e respeitar os direitos autorais no mercado de cosméticos, seja para as grandes marcas internacionais como a Laura Geller, ou para criadores independentes como Boca Rosa e Mari Maria. O grande desafio está em encontrar um equilíbrio entre inovação e originalidade.

Quando as marcas buscam inspiração nas tendências, elas precisam se atentar para não ultrapassar o limite do que é considerado uma cópia. Isso inclui a análise não só dos nomes dos produtos, mas também das embalagens, dos logotipos e dos elementos gráficos que compõem a identidade visual do produto.

Proteger ou restringir? O equilíbrio necessário

As disputas de propriedade intelectual no mercado de cosméticos deixam claro que a proteção da criatividade e a garantia de autenticidade são vitais para a sustentabilidade de qualquer marca.

Tanto as grandes empresas quanto os influenciadores precisam ter em mente que, no jogo da beleza, as ideias e inovações têm tanto valor quanto a fórmula ou o design do produto.

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