O cooperativismo, desde seu surgimento, demonstrou ser inovador e revolucionário, indo além da mera inserção econômica de seus associados. Seu objetivo se fundamenta em valores que promovem governança, equidade, inclusão socioeconômica, educação, responsabilidade social, sustentabilidade e no fortalecimento da intercooperação. 

Antes mesmo da adoção dos critérios ESG pelas organizações, o modelo cooperativista já demonstrava uma visão sistêmica de desenvolvimento, que incorpora aspectos econômicos, sociais e ambientais, e se apoia em bases sustentáveis para garantir um progresso local duradouro.

Princípios cooperativos alinhados ao ESG

É perceptível que os princípios cooperativos fornecem uma estrutura ética e operacional para as cooperativas, e promovem os seus valores. Esses princípios estão intrinsecamente alinhados aos pilares da sustentabilidade, e fornecem uma base sólida para a promoção de uma cultura ESG. Vejamos:

  1. Autonomia e Independência: permite que as cooperativas tomem decisões alinhadas aos princípios ESG, sem pressões de acionistas ou investidores.
  2. Participação Democrática: o modelo participativo facilita a inclusão de preocupações ESG nas políticas e estratégias da cooperativa.
  3. Educação, Formação e Informação: a educação e formação pode aumentar a conscientização sobre a importância da sustentabilidade e estimular a adoção de práticas responsáveis.
  4. Intercooperação e Solidariedade: pode promover parcerias estratégicas para enfrentar desafios ESG comuns, como a redução de emissões de carbono, o combate à pobreza e a promoção da diversidade e inclusão.

O Cooperativismo ensina

Desta forma, entre outras experiências, o cooperativismo, no que diz respeito à agenda ESG, ensina:

  1. Resiliência Financeira e Sustentabilidade: reduz os riscos financeiros e operacionais, e fortalece sua resiliência a longo prazo, atrair novos associados e consumidores conscientes.
  2. Engajamento dos Stakeholders: fomenta o envolvimento e a fidelidade dos membros, funcionários e da comunidade, e cria um ambiente propício para a implementação eficaz de iniciativas ESG.
  3. Impacto Social e Ambiental Positivo: causam um impacto substancial nas comunidades, com geração de emprego, renda e oportunidade, promove o crescimento econômico e a preservação do meio ambiente.
  4. Investimento social: possuem Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, formado por pelo menos 5% das sobras líquidas apuradas em cada exercício, e é destinado a prestação de assistência aos associados, seus familiares e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa. 

É possível

 O cooperativismo, por sua natureza coletiva e compromisso com o bem-estar social e ambiental, está alinhado com os princípios ESG. As cooperativas estão demonstrando que é possível gerar valor ao negócio, preservar o meio ambiente e promover o desenvolvimento sustentável simultaneamente.


Haynner Batista Capettini

Advogado, Assessor Jurídico do Sicoob Central ES, Membro da Comissão de Direito Corporativo da OAB/ES e Membro do Comitê Qualificado de Conteúdo de ESG do IBEF-ES.

Felipe Mello

Colunista

Biólogo, mestre em Desenvolvimento Sustentável e especialista em Gestão de Projetos, com 23 anos de experiência em projetos nas diversas vertentes que envolvem o desenvolvimento sustentável. É coautor de um livro sobre Gestão de Projetos Socioambientais e de diversos capítulos de livros e artigos técnico científicos publicados na área da sustentabilidade. Atua ainda como Head de Conteúdo ESG na Rede Vitória.

Biólogo, mestre em Desenvolvimento Sustentável e especialista em Gestão de Projetos, com 23 anos de experiência em projetos nas diversas vertentes que envolvem o desenvolvimento sustentável. É coautor de um livro sobre Gestão de Projetos Socioambientais e de diversos capítulos de livros e artigos técnico científicos publicados na área da sustentabilidade. Atua ainda como Head de Conteúdo ESG na Rede Vitória.