Após anos de construção, o Cais das Artes, em Vitória, tem a promessa de se tornar uma realidade capixaba. Conforme o cronograma divulgado pelo governo do Espírito Santo nesta quinta-feira (3), o museu do local será entregue até o fim deste ano e o teatro, com capacidade para 1.250 pessoas, até o meio de 2026.
“O museu poderá funcionar a partir do início do ano que vem com atividades culturais. Mas a obra vai ser entregue este ano”, disse o governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), durante visita técnica às obras.
A expectativa é que, logo nos primeiros meses de 2026, já sejam realizadas as primeiras exposições no espaço. Para isso, o governo contratou a organização dos Estados Íbero-Americanos, que trabalha para o desenvolvimento da educação, ciência e cultura em nações de língua espanhola e portuguesa.
“Nós estamos fazendo o processo de contratação desta organização através de uma cooperação internacional para permitir que ela já possa, daqui a pouco, começar a pensar em uma programação”, afirmou Casagrande.
Além do teatro e do museu de 3 mil metros quadrados, que terá cinco salas expositivas com níveis diferentes, há um espaço destinado à construção de um auditório no prédio.
O edifício anexo será utilizado para o funcionamento administrativo do complexo e o acervo de obras de arte.
Na parte inferior do museu, do lado de fora do prédio, será possível encontrar “um grande café, que já está em execução”, nas palavras do diretor de Gerenciamento de Projetos e Ações do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), Luiz Cesar Maretto.
Já na área externa, que fica sob o teatro, haverá um restaurante.
O vão livre entre os dois blocos (museu e teatro) conectados por uma passarela será destinado às exposições e atividades culturais ao ar livre e estará aberto à população que quiser aproveitar a vista privilegiada do Cais das Artes.
“As pessoas vão poder passear neste grande pátio, participar de atividades culturais ao ar livre, ali na beira do mar”, afirmou Maretto.
O complexo também contará com uma “praça-estacionamento“. O espaço será dividido em duas áreas: uma para os carros e outra para equipamentos de lazer.
Modelo de gestão e integração
O secretário de Cultura do Estado, Fabrício Noronha, explicou que a pasta está se debruçando sobre as gestões de diversos outros espaços culturais do Brasil para compreender qual será o melhor modelo para viabilizar o funcionamento do Cais das Artes.
“Recebemos muitos curadores, diretores de museus, de organizações, pessoas que estão cuidando de outros equipamentos deste porte no país e o que vemos é que todo mundo fica muito impressionado com a obra e sua capacidade”, disse Noronha.
Ao ser finalizada, a obra será uma das cinco maiores do país, tanto em termos de área quanto de capacidade cultural, conforme o secretário. Ele relaciona este fato ao projeto arquitetônico de Paulo Mendes da Rocha e também à execução que foi retomada em 2023 após oito anos de paralisia.
“Todos os processos foram bem pensados em termos de acessos, reserva técnica e conexão com a Baía de Vitória. E agora temos pensado muito nos detalhes da programação, nos detalhes de como o Cais das Artes vai se relacionar com a educação, com as escolas, com o turismo”.
Para Noronha, uma das maiores potencialidades do complexo é justamente ser um projeto integrado à realidade e paisagem da Capital.
Quando entramos aqui é possível entender a grandiosidade deste trabalho. Ele não só transforma, mas emoldura a paisagem tão bonita da nossa cidade. De fato, teremos um equipamento integrado à paisagem.
Histórico da construção do Cais das Artes
A primeira contratação para a realização do projeto foi feita em 2010, mas em 2012 a empresa responsável desistiu da obra. Já em 2013 uma nova licitação foi realizada e a construção retomada.
Dois anos depois, no entanto, a construção do complexo que será o maior aparelho cultural do Espírito Santo foi paralisada novamente e o imbróglio foi parar na Justiça. O processo havia sido movido pelo último consórcio que atuou no complexo. Em 2023 foi assinado um acordo judicial que permitiu a volta das obras.