Conviver em sociedade exige contato constante com pessoas de diferentes realidades. No ambiente de trabalho, na escola ou até mesmo nas ruas, interações diárias expõem indivíduos a experiências diversas. Diante desse cenário, surge a questão: a sociedade está preparada para essa convivência?
Apesar de se estimar que existam dois milhões de brasileiros com transtorno do espectro autista (TEA), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), muitas pessoas e instituições não estão preparadas para conviver com elas ou com seus familiares, ainda que seja uma necessidade social.
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O dia 2 de abril, data escolhida como Dia Mundial da Conscientização do Autismo, tem como objetivo trazer informações sobre o TEA, combater a desinformação e lutar contra a discriminação e a desigualdade que as pessoas com o diagnóstico enfrentam diariamente.
O que é autismo?
O TEA é caracterizado como um transtorno no neurodesenvolvimento que pode impactar na interação social, na comunicação convencional, no repertório de interesses e na linguagem.
“A pessoa autista vai ter grandes desafios para tarefas que podem ser consideradas simples por outras pessoas, como a comunicação. É claro que ela se comunica, mas ao seu próprio modo”, explicou o psicólogo e professor do Unesc, Alexandre Vieira Brito.
De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais (DSM-5), há três níveis de autismo que são determinados de acordo com sua necessidade de suporte. São eles o nível 1 (autismo leve), nível 2 (autismo moderado) e nível 3 (autismo severo).
Desafios de quem convive com o diagnóstico
Os desafios para quem se enquadra no espectro começam antes mesmo do diagnóstico. Reconhecer os aspectos que indicam o TEA e lidar com a possibilidade pode ser difícil, tanto para o paciente quanto para sua família.
O comerciante Rogério Rodrigues, pai de Mickael, teve seu primeiro desafio já na consulta de diagnóstico:
Eu não tinha conhecimento sobre o autismo há 10 anos, então eu perguntei ao médico: ‘O que eu faço?’ e ele me respondeu que não precisaria fazer nada, era só deixar o meu filho no canto dele.
Assim como Rogério, muitas famílias enfrentam estigmas em instituições que deveriam estar preparadas para receber seus filhos, como hospitais, escolas e mercados. Tendo dois filhos diagnosticados – Ster e Nicolas –, a dona de casa Irani Rodrigues do Nascimento precisou trocar seu filho de escola por falta de suporte.
“Eu vejo que hoje as dificuldades das famílias são principalmente duas: não ter acesso a uma educação de qualidade, porque jogar o aluno no fundo da sala não é educação, e falta médico para atendimento especializado, causando defasagem no atendimento. Lugar do autista é em todo lugar, mas ele não é bem-vindo em todo lugar”.
Ensinar para incluir
Para as famílias que convivem com o diagnóstico do TEA, a palavra empatia é essencial para que a inclusão se torne uma realidade. Rogério ressalta que as pessoas e instituições precisam reconhecer a existência do autista.
Ontem estava na fila preferencial do supermercado com meu filho e as pessoas me criticaram por estar lá, mas eu tenho direito e, enquanto as pessoas não entenderem isso, inclusão será somente uma palavra.
Como parte das ações de conscientização sobre o autismo, a Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes), em parceria com a Prefeitura de Vitória, promoverá uma caminhada no próximo domingo (6), com concentração às 8h30 no píer de Iemanjá.
O evento será realizado na orla de Camburi, aberto ao público e terá como tema “Empatia: hoje e sempre”.