Mercado de luxo

Móveis de alto padrão: tendências, diferenciais e impactos na arquitetura

Peças sob medida, que respeitam a identidade do morador e se integram organicamente ao contexto arquitetônico, ganham espaço

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

*Artigo escrito por Greg Repsold, arquiteto e urbanista, gerente técnico da Repsold Arquitetos

O mobiliário sempre ocupou um papel central nos projetos de arquitetura e design de interiores e no alto padrão isso é ainda mais evidente. Mais do que simples elementos decorativos, os móveis de alto padrão são protagonistas na construção de espaços sofisticados, funcionais e com identidade.

Leia também | Mergulhe no luxo: conheça as piscinas que transformam imóveis em paraísos privados

No entanto, em um mundo onde a tecnologia, a sustentabilidade e a personalização ditam as regras do morar contemporâneo, o conceito de luxo também tem passado por uma transformação significativa.

Móveis de alto padrão: personalização e sustentabilidade

Se antes o luxo estava atrelado exclusivamente à opulência e ao uso de materiais raros, hoje a sofisticação se manifesta na exclusividade e no design autoral. A personalização é, sem dúvida, uma das grandes tendências do setor.

Peças sob medida, que respeitam a identidade do morador e se integram organicamente ao contexto arquitetônico, ganham espaço frente aos padrões de produção em massa.

Outra grande revolução no mobiliário de alto padrão é a sustentabilidade. Com consumidores cada vez mais conscientes, cresce a demanda por materiais sustentáveis, como madeiras certificadas, tecidos ecológicos e acabamentos livres de produtos químicos agressivos.

O design biofílico, que busca trazer elementos naturais para dentro dos ambientes, também tem ganhado força, promovendo bem-estar e conexão com a natureza.

Foto: Divulgação

O que está saindo de cena

O excesso de adornos e o mobiliário altamente rebuscado dão lugar a linhas mais puras e formas atemporais.

Móveis com acabamentos excessivamente brilhantes ou materiais artificiais, como laminados plásticos, têm sido cada vez mais preteridos em favor de texturas naturais e acabamento fosco.

Também perde espaço a rigidez nos layouts: a casa contemporânea pede flexibilidade, com peças modulares e multifuncionais que se adaptam às necessidades do dia a dia.

O mobiliário padronizado e sem história também deixa de ser protagonista. Em seu lugar, valorizam-se peças artesanais e com história, que carregam a assinatura de designers ou artesãos locais.

Essa mudança representa uma valorização do design emocional, onde cada objeto tem um significado e contribui para a construção de espaços mais afetivos e autênticos.

O impacto nos projetos de arquitetura e design

O mobiliário é um elemento essencial para reforçar o conceito de um projeto arquitetônico. Um sofá assinado por um designer, por exemplo, pode transformar a sala de estar em um espaço-arte, elevando o projeto a outro patamar.

Além disso, a escolha de materiais, paleta de cores e texturas impacta diretamente na percepção sensorial do ambiente.

Por outro lado, um mobiliário mal planejado pode comprometer toda a experiência espacial. Um projeto de interiores bem-sucedido depende da harmonia entre arquitetura, design e funcionalidade.

A ergonomia, a iluminação e a disposição dos móveis devem ser estudadas com rigor para garantir não apenas beleza, mas também conforto e usabilidade.

A importância da visão humanista e responsável

Como arquiteto e urbanista, acredito que o mobiliário de alto padrão não deve ser um sinônimo de ostentação desmedida, mas sim de qualidade, durabilidade e responsabilidade ambiental.

O conceito de luxo precisa estar alinhado às necessidades humanas e sociais, contribuindo para espaços que promovam qualidade de vida.

Além disso, devemos pensar em soluções acessíveis, que democratizem o bom design sem abrir mão de qualidade.

Valorizar mão de obra local, investir em processos sustentáveis e incentivar uma produção menos predatória são caminhos que o mercado precisa trilhar com urgência.

Como profissionais da área, temos o papel de direcionar essa evolução de forma consciente e responsável, garantindo que a beleza e a sofisticação caminhem lado a lado com a ética e o bem-estar.

O futuro do design está em criar espaços que não apenas impressionem, mas também acolham, transformem e inspirem.