Nas ruas e avenidas dos grandes centros, incluindo a Região Metropolitana de Vitória, é comum ter outdoors de divulgação de marcas e lojas, que, muitas vezes, acabam chamando a atenção de motoristas e pedestres que passam por essas áreas devido à criatividade de certos anúncios.
Mas uma cena tem intrigado motoristas e passageiros que passam diariamente pela Terceira Ponte, em Vila Velha. Dois outdoors de divulgação, de empresas diferentes, estão de cabeça para baixo na entrada da ponte, que liga Vila Velha a Vitória, além de terem um QR Code para ser escaneado.
Um dos outdoors possui somente uma pessoa com o QR Code, já no outro, o outdoor é completamente normal, mas, de cabeça para baixo.
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Uma imagem registrada pelo fotógrafo do Folha Vitória, Thiago Soares, mostrou a cena na subida da Terceira Ponte, que vem instigando a curiosidade dos motoristas e moradores da região.
Os anúncios chamaram a atenção por ser um tanto inusitado, mas, a dúvida que fica é: essa foi mais uma estratégia de marketing das empresas?
O Folha Vitória conversou com o professor de Publicidade e Propaganda da FAESA, Victor Mazzei, que explicou mais sobre essa estratégia de marketing escolhida pelas marcas dos outdoors de Vila Velha.
Mazzei explicou que a inversão dos outdoors, aliada ao uso de QR Codes, pode ou não aumentar a curiosidade das pessoas e incentivar mais escaneamentos.
“É importante alertar que os outdoors são mídias utilizadas quase que exclusivamente para a divulgação comercial. Nesse sentido, pode soar um pouco pretensioso exigir que a população que atravessa a ponte por ônibus, moto e carros, por exemplo, lembre quem é o anunciante e se interesse em saber mais sobre a empresa. Em síntese, trata-se de uma publicidade que, provavelmente, não interessa ao público que trafega por aquela via”, disse o professor.
A estratégia de inverter o outdoor também pode gerar dois lados de interesse para o público que vê aquela divulgação, podendo ser positivo ou negativo. O professor afirma que a ideia de colocar um QR Code, para ser escaneado por quem passa no local, pode causar um efeito pequeno.
O outdoor invertido pode até ser um recurso interessante se estiver alinhado a uma criatividade estratégica. Se a ideia pedir uma imagem invertida para fazer sentido, vale a pena usar o artifício. Porém, deixar de cabeça para baixo só pelo efeito causa uma repercussão momentânea, mas em poucos dias se torna ‘paisagem’, afirmou.
O professor de Publicidade e Propaganda também destacou que “erros propositais” em campanhas publicitárias podem gerar repercussão entre o público que passa por uma determinada área. Mas, alguns erros podem causar incômodo.
“O erro proposital se torna um recurso interessante se realmente estiver alinhado a uma proposta de diferenciação de uma marca. De qualquer forma, erros de digitação, de concordância, falta de alinhamento, entre outros, costumam causar incômodo a quem se depara com a peça”.
Atualmente, as redes sociais contribuem de maneira positiva ou negativa em todos os aspectos. No caso das campanhas publicitárias, isso acontece rotineiramente. O professor destacou que é necessária uma estratégia de marketing sólida para não ser esquecido rapidamente.
“Eu acho que é uma peça que causa um ‘buzz’ interessante, porém se não for seguida de uma estratégia de marketing sólida e que dê sustentação será apenas um flash, corre o risco de ser esquecida em pouco tempo. Obviamente, que os smartphones e as redes sociais ajudam na divulgação dessas ações, mas daí a despertar o interesse dos novos consumidores há um grande caminho”, destacou.
O local, em que os outdoors foram instalados, fica em uma área de bastante comércio, inclusive grandes shoppings. Para o professor, essa estratégia favorece os lojistas da região.
São mídias que favorecem a criatividade e se relacionam com os hábitos de consumo da população. Na minha perspectiva, as ações recentes na Terceira Ponte criam um espanto e tentam se tornar um trend, mas ficam só nesse primeiro impacto, sem se relacionar de forma profunda com quem trafega por ali, disse Victor Mazzei.
*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos