“Me dei a chance de começar uma nova vida, de viver novas experiências pessoais e profissionais. Isso foi o que me trouxe de volta o brilho no olhar”
O jornalista e apresentador Franklin David abriu o coração sobre a vida profissional e pessoal. Namorando o turismólogo Vitor Vianna, eles irão apresentar a 2ª temporada do programa ”Aventureiros”.
Mas se você acha que o caminho até aqui foi fácil, se engana. Antes dessa reviravolta na vida, o artista passou por maus bocados. Foram quatro anos de luta contra a depressão e crises de ansiedade.
“Passei um ano e meio de depressão sem saber direito o que era aquilo, sem ter um diagnóstico médico. Foi nesse período que veio a primeira crise de ansiedade, após ter vivido uma situação pesada de assédio moral no trabalho”.
Quem sofre com a doença se pega em meio ao caos e geralmente não sabe para onde ir e o que fazer, além de sempre se culpar.
“Vi que estava no fundo do poço e vieram os intensos pensamentos sobre tirar minha própria vida. Se eu não tivesse buscado ajuda médica naquele momento, nem sei o que poderia ter acontecido comigo…”
A batalha é árdua, e em pleno século XXI, há quem não entenda sobre a gravidade da doença dizendo que ‘isso é frescura’. E com Franklin não foi diferente.
“Ouvir isso é uma das piores coisas que podem acontecer com alguém que tem um quadro de depressão. A carreira na TV, o fato de me considerarem bonito, o corpo que as pessoas tanto elogiavam pareciam tirar o peso de qualquer dor emocional que eu pudesse sentir, afinal tudo era perfeito para quem olhava”.
Às vezes, a falta de empatia vem dos que estão mais próximos, e o fardo fica ainda mais pesado.
“A pessoa que namorei nessa época repetia a todo momento que eu era privilegiado, que não tinha nenhuma razão para me sentir triste, que eu era muito fraco por me sentir daquele jeito e que depressão era coisa de quem não tinha problema de verdade”.
Relacionamentos também influenciam e potencializam os quadros de depressão.
“Hoje vejo, que além do assédio moral no trabalho, esse namoro abusivo contribuiu muito para o agravamento da doença. Na parte profissional, os constantes e mais absurdos assédios morais me deixavam cada vez mais triste, era uma tortura diária. E o namoro abusivo é o tipo de coisa que quem vive nunca se dá conta, tem dificuldade para botar um ponto final e só percebe quando analisa de fora”.
Choros desenfreados, aperto no peito, angústia sem fim e o medo de seguir a vida são alguns sintomas comuns de quem sofre com a doença.
“Esses dois campos da minha vida provocavam em mim constantes crises de choro. Já não tinha mais prazer e nem diversão, vivia com falta de ar causada pela ansiedade, era dominado por um medo sem fim e não tinha o menor interesse pela vida que eu tinha construído”.
Na maioria dos casos, quem sofre com a depressão e ansiedade, precisa dar início a um tratamento com medicações. Franklin contou sobre um episódio marcante de assédio moral. Ele disse que devido à crise que o caso desencadeou, teve que passar a tomar remédio controlado.
“Fui colocado numa situação onde a minha integridade física estava em jogo e que o desfecho disso foi voltar para a minha casa com a minha roupa rasgada, tendo que atender o telefone e ainda ouvir ameaças por parte do meu chefe na época”.
Assédio moral é crime e precisa ser denunciado.
“Nesse dia, me perguntei o que estava fazendo da minha vida, por que tinha me permitido chegar até aquela situação. Eu não parava de tremer, sentia muita falta de ar e sentia vontade de bater a minha cabeça na parede para que tudo aquilo acabasse. Foi depois disso que a psiquiatra começou a me receitar os famosos tarjas pretas, tentando fazer com que eu me acalmasse”.
O apresentador acredita que o fato de ser uma pessoa pública teve relação direta com o agravamento do quadro.
“A imagem que as pessoas criam de você é a mais perfeita possível. Na minha cabeça , eu não podia demonstrar qualquer sinal de fraqueza. E isso é muito nocivo. Além dos constantes assédios morais no trabalho e um namoro abusivo e fracassado, eu perdi pai, avó e mãe no intervalo de um ano de um para o outro.”
Muitas vezes as pessoas pedem socorro sem pedir. Elas dão sinais sutis aos mais próximos.
“Apesar de destruído por dentro, eu me mantive ali sendo forte para que tudo ocorresse bem, ou pelo menos parecesse estar bem. Mas a grande verdade é que eu já tinha me perdido há muito tempo, nada mais fazia sentido”.
Atualmente, o jornalista está livre de remédios controlados. A cura da depressão e ansiedade se deu através da ajuda profissional e um conjunto de fatores. Um deles foi ver a mãe, que faleceu no ano passado, lutar pela vida.
“Perdi minha mãe no ano passado vítima de um câncer terminal. Então me marcou muito ver ela lutando para viver durante o tratamento e eu com aqueles sentimentos horríveis e involuntários de tirar minha própria vida. Acho que a garra dela em não desistir ao enfrentar a doença e ter uma sobrevida, me deu força para não me entregar de vez à depressão”.
Um amor que ultrapassa qualquer barreira é o de mãe, e disso ninguém tem dúvidas. É o sentimento mais verdadeiro que o ser humano pode receber.
“Hoje, vivo intensamente por ela e por mim. Só eu sei o quanto ela queria ficar aqui nesse plano e viver. Eu também busquei a terapia e foi fundamental. Com ela, consegui constatar os pontos de desequilíbrio que precisava ajustar. O primeiro foi abrir mão da medicação, por sentir que ela me fazia muito mal, porque eu ficava apático, anestesiado e acabava maquiando os sentimentos, de forma que eu não conseguia enfrentá-los de verdade.”
Uma mudança necessária…
É preciso deixa para trás o que te faz mal, coloca pra baixo e angustia.
“Foi sem os remédios que eu vi de frente tudo que precisava mudar. Então criei coragem para acabar com o namoro abusivo, pedi demissão do trabalho e me dei a chance de começar uma nova vida, de viver novas experiências pessoais e profissionais. Isso foi o que me trouxe de volta o brilho no olhar”.
Totalmente curado do transtorno de ansiedade e da depressão, o apresentador se sente à vontade para falar sobre o tema. Mais do que isso, ele se sente na obrigação de pautar esse assunto para ajudar outras pessoas.
“Sei que posso salvar outras pessoas que vivem agora o que vivi lá atrás. Sou a prova viva de que existe uma saída, um recomeço…”
O Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2014. O mês de setembro foi escolhido para a campanha porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
“Falar sobre esse assunto é a melhor forma de mostrarmos para as pessoas que passam por isso que elas não estão sozinhas, que não são as únicas a se sentirem assim, que tudo vai ficar bem. O Setembro Amarelo está aí para conscientizar as pessoas e, assim, a gente conseguir prevenir tragédias.
“Hoje eu me sinto curado, mas sei que a depressão está aí e que se eu me permitir viver alguma das situações ruins que citei do passado, ela pode voltar”.
Precisa de ajuda? Não tenha medo de pedir!
O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. Clique e saiba mais!