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Cantor e compositor Leonard Cohen morre aos 82 anos

Nascido no subúrbio de Montreal, Leonard Norman Cohen começou escrevendo poemas e publicando livros com seus textos. O comunicado sobre a morte foi postado na página do Facebook do artista

O cantor e compositor canadense Leonard Cohen Foto: Divulgação

O cantor e compositor canadense Leonard Cohen morreu na quinta-feira (10) aos 82 anos, informou a Sony Music Canadá na página oficial do artista no Facebook. O velório do cantor deve ser realizado em Los Angeles.

O comunicado sobre a morte de Cohen foi postado na página oficial do Facebook do artista. A nota diz:

“É com profunda tristeza que informamos a morte do lendário poeta, compositor e artista Leonard Cohen. Perdemos um dos músicos mais reverenciados e prolíficos. Cohen era um artista visionário. A família pede privacidade durante este período de luto e tristeza.”

Ainda não foi revelada a causa de sua morte.

Nascido no subúrbio de Montreal, Leonard Norman Cohen começou escrevendo poemas e publicando livros com seus textos. Também lançou romances. Seu primeiro livro, Let Us Compare Mythologies, foi publicado em 1956, aos 22 anos. Lançou, anos depois, os romances The favorite game (1963) e Beautiful losers (1966).

Só passou a compor depois dos 30 anos, quando se mudou para os Estados Unidos e já era conhecido autor de poemas e romances. Teve uma banda country na adolescência, mas decidiu viver de música quando conheceu a cantora folk Judy Collins, com quem teve um longo relacionamento. Lançou seu primeiro disco, Songs of Leonard Cohen, em 1967.

Nova York com Hendrix, Janis e Andy Warhol

Cohen, que tocava violão e teclado, ficou conhecido pela voz grave e elegante. A postura no palco era semelhante. Aparecia discreto, meio tímido, mas firme. Gostava de aparecer e se apresentar de terno. Dizia “ter nascido dentro de um terno”.  

No final dos anos 60, morou em Nova York. Foi amigo de Andy Warhol, e conheceu Jimi Hendrix e Janis Joplin. 

Desde então, Cohen acumulou no currículo clássicos da música pop, como Suzanne, So Long Marianne, Tower of Song, Hallelujah, Bird on the Wire, I’m your Man, I can’t forget, Everybody Knows, Dance Me To The End Of Love. Sisters of Mercy. Os temas iam da desilusão amorosa a reflexões existenciais. Brilhava cantando folk ou soft rock, em arranjos simples, com poucos acordes, minimalistas.

Alternando poemas longos que contavam histórias de amor e perda, com letras de frases simples, cheias de ironias e jogos de palavras, Cohen influenciou artistas como Bob Dylan, Lou Reed, David Bowie, Tom Waits, Morrissey, Bruce Springsteen, Patti Smith, Elvis Costello, Jeff Buckley, Michael Stipe (do R.E.M), Ben Harper, Willie Nelson, Morrissey e até Renato Russo, que declarou ser fã. O legado musical de Cohen inspirou também dezenas de bandas de rock — do Pixies ao U2, que regravaram covers do canadense.

I’m Your Fan, disco de covers, lançado em 1991, mostra algumas dessas bandas prestando tributo a Cohen. R.E.M., Pixies, o músico Joh Cale, do Velvet Underground, Ian McCulloch, do Echo and The Bunnymen, Nick Cave and the Bad Seeds tocam as faixas famosas do repertório do canadense.

“Eu já nasci de terno”

Cohen foi tema de dois documentários antológicos. Lançado em 2005, I’m Your Man conta sua história e revela como nasceram alguns de seus clássicos, como Suzanne e Everybody Knows. Tem participações de Nick Cave, U2, Jarvis Cocker e Rufus Wainwright, interpretando suas músicas mais famosas.

Em uma das cenas lê entusiasmado o prefácio que ele mesmo escreveu para a edição chinesa de um de seus livros: “Quero que você, que teve esse interesse distraído e simpático pelo meu livro, saiba que ele foi escrito num período especial da minha vida, quando estive na Grécia e acabei morando lá num pequeno apartamento. Quero compartilhar minhas lembranças e pensamentos com você.”

Já Bird on a Wire, do diretor Tony Palmer, fez parte em setembro do festival de documentários musicais In-Edit, em Sâo Paulo. e mostra bastidores da turnê que fez em 1972 com sua banda. Numa das últimas cenas, ele sai ovacionado e chorando do palco, tocado pela recepção empolgada da plateia: “Eles sabem todas as músicas de cor. Queriam mais”, espantava-se ele, cinco anos depois de lançar o primeiro disco da carreira.  

A biografia I’m Your Man – A vida de Leonard Cohen (editora Best Seller), de Sylvie Simmons, conta sua trajetória desde a infância em Montreal até os períodos em que morou em Londres, na cidade grega de Hidra, Nova York, passando pela época em que, entre 1990 e 1996, viveu recluso em um templo budista nos arredores de Los Angeles. 

Tem 14 discos de estúdio na carreira. O último deles, You Want It Darker, foi lançado em outubro e tinha a morte como tema de algumas canções. A música que dá nome ao disco fala explicitamente sobre esse assunto e foi lançada semanas antes dele morrer.

Numa entrevista à revista New Yorker, feita após o lançamento do disco, Cohen afirmou, direto e quase irônico: “Eu estou pronto para morrer. Só espero que não seja um momento muito desconfortável”.

Teve com a artista Suzanne Elrod dois filhos Adam,nascido em 1972, e Lorca, de 1974 (o nome da filha é uma referência ao poeta Federico García Lorca, um de seus preferidos). Adam co-produziu o último disco do pai.