Nesta quinta-feira, dia 22 de novembro, é comemorado o “Dia do Músico”. Diariamente, centenas de artistas realizam shows, ensaios e gravações com o objetivo de se destacarem no segmento musical capixaba e também nacional. Dessa forma, objetivam seguir o mesmo caminho de músicos consagrados nacionalmente como Roberto Carlos, Nara Leão, Roberto Menescal, Sérgio Sampaio e, mais recentemente, o cantor Silva.
Nas últimas décadas, outros artistas e grupos musicais capixabas também tiveram o seu auge. Entre eles, vale citar as bandas Macucos, Casaca, Manimal, Rastaclone, Mukeka di Rato, Dead Fish e Dallas Company.
Dessa forma, desfilaram hits como “Haverá”, “Além do Mar”, “Anjo Samile”, “Da da da”, “Na puxada de rede”, “Água de Benzer”, “Perfume de Flor” e “Clima de Rodeio” nas paradas musicais de todo o Brasil.
Paixão e superação
Apesar da significativa crise que tem abalado a economia brasileira nos últimos anos, cantores capixabas apostam na música como principal alternativa financeira. Longe da segurança de um trabalho formal, com carteira profissional assinada e demais benefícios, esses artistas, muitas vezes autorais, sobrevivem da paixão pela arte e de shows em bares e casas noturnas da Grande Vitória e interior do Estado.
Não muito distante da insegurança do mercado formal, e do desemprego, que atinge 12,5 milhões de pessoas no país, e 242 mil no Espírito Santo, eles disputam espaço em um mercado cada vez mais competitivo, visando um maior destaque no cenário musical local, e nacional.
Um dos exemplos é o cantor e compositor Leley do Cavaco, que saiu do mercado formal há quatro anos para apostar no talento musical. “No meu caso, com muita dificuldade, tenho conseguido sobreviver da música no Espírito Santo. Mas em minha concepção, já vivemos momentos melhores no meio musical. Apesar disso, ainda considero um privilégio viver de minha grande paixão”, afirma.
O sambista, que é um dos mais famosos representantes do gênero no Estado, acredita que os músicos capixabas deveriam se unir mais e divulgar os repertórios uns dos outros. Com isso, para o cantor, naturalmente existirá um fortalecimento musical.
Para Leley do Cavaco a maior dificuldade de viver da música é justamente a desvalorização da arte e da cultura capixaba mediante a sociedade e o poder público. Segundo afirma, com as complicações econômicas do país, muitos municípios capixabas pararam de contratar shows. Em razão disso, os profissionais da música perderam um importante nicho de atuação.
O cantor garante que já escolheu a nova música de trabalho e que pretende gravar, ainda em 2018, um novo videoclipe. “Esse é o caminho. A produção de um CD é um investimento muito alto e de pouca resposta. Hoje em dia, com as redes sociais, e a divulgação do vídeo no Youtube, posso atingir um público ainda maior”, define.
Já para o cantor e percussionista Marcio Auguzto, a grande concorrência é a maior dificuldade de atuar no mercado capixaba, mas ressalta, ainda há espaço para viver de música no Estado. “A cada semana surge um novo músico, um grupo novo, e eles querem apenas uma coisa: espaço. E, para isso, há uma competição pelo menor preço. Assim, grupos de renome, ou com uma história na música local, acabam perdendo espaço em função de um menor valor de cachê”, afirma.
E o músico ainda ressalta que a crise não afetou diretamente o mercado musical. Segundo aponta, houve um crescimento significativo do número de bares e casas noturnas na Grande Vitória, com grandes investimentos no setor. Dessa forma, Marcio Auguzto afirma que surgiram novas oportunidades para os músicos locais, fato que o fez abandonar o mercado formal e apostar em sobreviver somente da música.
Busca pelo sucesso
Trilhando o caminho para obter destaque no cenário musical, os artistas capixabas apostam cada vez mais em um repertório diferenciado, em músicas autorais, na produção e gravação de videoclipes e focando na divulgação pelas redes sociais.
Um dos exemplos é a dupla sertaneja Breno e Lucas. Formada há cinco anos, e com uma média de três shows por semana, os artistas são um dos destaques do segmento no Espírito Santo.
Segundo Lucas, os artistas capixabas têm se profissionalizado ainda mais para se consolidar no mercado e atingir um público ainda maior. “Antes existia o argumento que faltava apoio do público e financeiro para os artistas locais. Com a inspiração de bandas e músicos capixabas que se destacaram nos últimos anos, percebemos que o bom trabalho autoral, independente da regionalidade dos artistas, pode ter destaque nacional”, ressalta o cantor.
Em 2017, a dupla conseguiu dar um passo a mais na carreira. Gravaram um videoclipe, ao lado dos funkeiros capixabas do Baile do GG, com o maior diretor e produtor de vídeos de funk do Brasil, o KondZilla. O canal do produtor musical Konrad Dantas é o terceiro maior do mundo com mais de 43 milhões de escritos e 20 bilhões de visualizações.
A música, intitulada “Tô problema”, segue o estilo funknejo e já ultrapassou a marca de 830 mil visualizações no Youtube, o que, segundo Lucas, contribuiu ainda mais com a divulgação do trabalho dos artistas e fortalecimento da “marca”. “Tentamos buscar o nosso espaço com o maior nome cenário musical do país. Para nós, essa parceria foi uma cisa natural. Apesar de não conseguir atingir as paradas de sucesso do Brasil, o nome da dupla foi fortalecido”, ressalta.
Ao analisar o mercado musical capixaba, Lucas acredita em uma melhora para o próximo ano. “O gênero sertanejo, assim como os principais segmentos musicais admirados pelos capixabas, devem continuar com bastante visibilidade no próximo ano. Acredito que, nos próximos meses, vamos superar a forte recessão econômica que atinge o país nos últimos anos e perceber uma melhora no cenário cultural capixaba. Com mais emprego, e maior renda, a população volta a gastar com entretenimento, e os empresários em novos empreendimentos musicais”, define.