Cultura

Festival Mulheres do Underground traz Gritando HC para Cariacica

Feito totalmente na raça, o evento é capitaneado pela produtora Carol Corres, responsável pela "Condessa da Noite Produções"

Gritando HC

Reprodução/Rock Together Studio
Gritando HC Reprodução/Rock Together Studio

A Praça da Conquista, em Castelo Branco, Cariacica, será palco de um evento histórico na tarde deste sábado (29), a partir de 16h. O Primeiro Encontro de Mulheres do Underground pretende amplificar vozes femininas no cenário independente em diversos gêneros musicais e artísticos.

Feito totalmente na raça, o evento é capitaneado pela produtora Carol Corres, responsável pela “Condessa da Noite Produções”, e como o próprio sobrenome da organizadora indica, o evento foi programado no corre, a sangue e suor.

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Para celebrar, o fest traz um dos maiores nomes do hardcore brasileiro, com 30 de estrada, o Gritando HC, encabeçado pela vocalista Lê, fará um show histórico para encerrar a celebração na cidade.

Fazer parte de um evento que traz o Gritando HC é realmente uma experiência única e emocionante. A banda é um ícone do cenário punk brasileiro e sua presença pela primeira vez em Cariacica representa não apenas um resgate da história musical, mas também uma oportunidade de conectar diferentes gerações de fãs, declara a organizadora.

O Gritando HC é uma banda clássica do cenário de São Paulo dos anos 1990. No ano passado o grupo celebrou 30 anos de estrada, com turnê que contou com uma parada em Vila Velha, ao lado de Garotos Podres e Dance of Days.

Em 2023 a banda lançou “Dogmas e Digitos”, disco que marcou uma revolução na história do grupo, que já enfrentou diversos obstáculos, como a morte prematura do co-vocalista Marcelo Donald, em 2001.

De acordo com Carol, o Gritando é a banda ideal para a celebração em Cariacica, não apenas por contar com uma mulher nos vocais, mas pela própria história da cidade e sua forte ligação e história com o hardcore punk.

“Cariacica tem uma história com o movimento punk e também é berço de uma
diversidade de artistas, coletivos e, em seu território encontramos a presença
da memória das culturas ancestrais, da cultura Underground”, disse.

Mulheres como protagonistas

Além dos punks paulistas, também sobem ao palco representantes da cultura e da música capixaba.

O evento contará com uma intervenção de graffiti com a artista Chama.Amanda, seguida de uma apresentação de hip hop da cantora e compositora Nick Sacre, dançarina no grupo Favela Dança.

Logo depois, quem vai ao palco é a banda Julia e As Choronas, com uma apresentação fortemente influenciada pelo riot grrrl dos anos 1990 e do rock alternativo daquela década.

A banda de capixaba Evictus sobe ao palco logo em seguida, para uma verdadeira aula de Doom Metal, com riffs pesados e arrastados, como o sludge deve ser.

Organizar um evento que coloca as mulheres como protagonistas é fundamental para promover a igualdade de gênero e dar visibilidade às vozes femininas em um espaço que historicamente tem sido dominado por homens. Esses eventos ajudam a desafiar estereótipos, inspirar novas gerações de mulheres e criar um ambiente onde suas histórias, talentos e contribuições são reconhecidos e celebrados, celebra Carol.

Dificuldades que se tornam oportunidades

A Condessa da Noite, produtora de Carol, está na batalha desde 2004. De lá para cá, já trouxeram diversos nomes do underground extremo para o Espírito Santo, sejam artistas nacionais ou da gringa.

Segundo ela, agitar eventos com mulheres na periferia não é um trabalho fácil, mas é possível criar uma rede de apoio para transformar os obstáculos de uma organização em possibilidades de visibilidade.

“Agitar eventos voltados para mulheres na periferia do Espírito Santo
apresenta desafios significativos, incluindo a falta de recursos, barreiras culturais, dificuldades de acesso à informação e a necessidade de garantir a sustentabilidade dos projetos. No entanto, ao focar na construção de uma rede de apoio, é possível transformar esses desafios em oportunidades, promovendo a empoderamento feminino e contribuindo para o
desenvolvimento das comunidades periféricas”, disse.