Neste domingo, dia 21, Maria Casadevall abriu o jogo sobre sexualidade, feminismo e carreira em entrevista ao jornal O Globo. A artista de 33 anos de idade ficou conhecida em 2013 por seu papel na novela Amor à Vida e por seu relacionamento com Caio Castro. Após o término do casal, em 2017, Maria falou pela primeira vez sobre seu namoro com uma mulher.
– Eu me relaciono há um ano e meio com uma mulher muito maravilhosa. Ela é baiana e percussionista. Já tinha vivido algumas experiências com mulheres, mas não relacionamentos longos. Percebi que a heterossexualidade para mim era compulsória, eu a via inconscientemente como uma regra. E, quando entendi e dei ouvido para o meu corpo, por meio do encorajamento de ver outras mulheres, eu me senti à vontade para viver o que queria.
Para Maria, o sucesso na carreira veio acompanhado de uma hiperexposição violenta.
– Muitas vezes foi violento. Fazer da minha presença em algum evento um trabalho, por exemplo, era tão violento que não fazia sentido. Sou introspectiva, embora isso pareça uma contradição para uma pessoa que escolheu ser atriz. Entre o ação e o corta e sobre um palco, me expressar é vital. Mas quando volto para a realidade que não é cênica, tenho dificuldades, desabafou.
Além da carreira artística e de seu papel na série da Netflix, Coisa Mais Linda, a artista dedica sua conta do Instagram para postar conteúdos relacionados à pautas feministas, raciais e de gênero.
– Minha visão é anticapitalista e antipatriarcal. Colocam-se em caixinhas a pauta LGBTQIA+, a pauta antirracista, a pauta da questão da desigualdade de gêneros… Mas a fonte de opressão é a mesma: a estrutura patriarcal, capitalista, machista, racista, classista. E precisa ser combatida no coletivo, claro que respeitando a diversidade e as diferentes demandas de cada uma das lutas.
A beldade, que hoje em dia se preocupa em interpretar personagens que sejam coerentes com sua visão de mundo, afirmou que Maria Luísa de Coisa Mais Linda também passa pelo mesmo processo.
– Primeiro, ela pensa que existe um incômodo individual. Depois, ela percebe que esse incômodo é familiar a outras mulheres. Aí, ela percebe que o lugar que ela ocupa ainda é um lugar de privilégio dentro de uma estrutura que oprime muito mais mulheres negras do que mulheres brancas, completa.