Toy Story é uma franquia que acompanhou e ajudou no desenvolvimento de algumas gerações. Quem nasceu 1995, junto do lançamento do primeiro filme, já está na casa dos 20 anos e, em alguns casos, já tem seus próprios filhos. As crianças que assistiram ao primeiro longa nos cinemas já não são mais o público habitual de animações.
Mas a Pixar, como sempre, consegue atrair e conquistar pessoas de todas as idades com seus filmes. Se, em Toy Story 3, os fãs se emocionaram com a provável despedida dos personagens, o quarto longa faz, com muita habilidade, uma transição de fases tanto para o público quanto para os protagonistas em si.
A introdução de novos brinquedos, como já é praxe na série, e o retorno de Betty fazem com que a trama ganhe profundidade (uma das melhores piadas exclusivas para o público brasileiro já vistas) e possa focar em temas distintos. Sem deixar de lado a amizade, que é o centro da saga.
Acompanhando o crescimento do público original, o quarto longa se mostra muito mais sobre paternidade, lembranças e saudade do que qualquer outro, já que mudanças aconteceram, e as novidades podem ter substituído o que já era estabelecido como certo para o núcleo principal.
Woody, como grande protagonista, ao perceber que está sendo deixado de lado, busca ser novamente importante e acaba assumindo um tom ainda mais paternalista. Não só para os novos brinquedos, mas também para “as suas crianças”.
Com este foco maior nas novas adições e no próprio cowboy, alguns personagens clássicos amados pelos fãs acabam sendo deixados de lado, com poucas aparições e interações, mostrando como, de fato, este é um filme que estabelece uma nova era.
O senso de humor certeiro dos três longas anteriores está de volta, mas ganha ainda mais espaço para ser um contrapeso dos momentos densos e profundos que a história carrega. Em certos momentos parece que a animação se torna um ótimo filme de comédia, acertando todas as entregas de piadas.
Mas o humor não é o único gênero com o qual Toy Story 4 brinca. O horror também se vê homenageado nos bonecos de ventríloquo e no tempo preciso em que alguns sustos tomam a audiência, mas não a ponto de assustar as crianças. Tudo vem sempre na medida certa.
Tecnicamente o filme é um deleite. As texturas de cada personagem o difere dos demais, a chuva que toma logo a primeira cena do longa é impressionantemente real, o barulho das patas de porcelana das ovelhas de Betty, os enquadramentos para fazer de cada tomada uma pintura… Tudo impressiona e demonstra o esmero com o produto que se tornou uma espécie de “carro-chefe” do estúdio.
Após tantos anos convivendo com os mesmos personagens, é impossível conter as lágrimas em um novo momento quase tão marcante quanto o da fornalha do terceiro longa. Sem parecer piegas, os produtores conseguem, novamente, brincar com as emoções do público, contando uma história interessante, com mensagens importantes tanto para crianças quanto para adultos, e mostrando que há, sim, muitas outras histórias a serem contadas por estes bonecos que já não são mais do Andy ou da Bonnie, e sim do mundo todo.