Economia

Apesar da crise, especialista capixaba garante que imóveis são o melhor investimento

Com 40 anos de experiência no mercado imobiliário capixaba, o consultor José Luiz Kfuri falou sobre a situação do setor nas principais cidades do ES e as vantagens de se investir em imóveis

Apesar da crise, especialista capixaba garante que imóveis são o melhor investimento
Em entrevista ao Folha, Kfuri fez uma análise do mercado no Espírito Santo Foto: Divulgação

Assim como todos os setores da economia nacional, o mercado imobiliário também sofreu o impacto da crise financeira instaurada no Brasil desde o fim do ano passado. Para superar esse momento turbulento, são necessários estudos, análise e planejamento para viabilizar e comercializar imóveis – comerciais, residenciais ou logísticos – com sucesso. Pensando nisso, muitas empresas capixabas procuram uma consultoria imobiliária com expertise para desenvolver empreendimentos.

O engenheiro civil e corretor de imóveis José Luiz Kfuri oferece exatamente esse tipo de serviço às construtoras e desenvolvedoras de imóveis, realizando desde um estudo de vocação e aproveitamento de áreas até a formação de equipes de vendas e assessoria de marketing a shopping centers, empreendimentos comerciais residenciais e turísticos.

Em entrevista ao Jornal Folha Vitória, o experiente consultou falou sobre a atual situação do setor nas principais cidades capixabas e quais são as perspectivas do mercado imobiliário para 2016. Confira:

Folha Vitória – Depois de 40 anos atuando no Espírito Santo como consultor, completados agora em setembro, como o senhor avalia o mercado imobiliário capixaba diante do atual cenário de crise?

José Luiz Kfuri – Assim como todas as áreas da economia brasileira, o mercado imobiliário vive atualmente um momento de retração, como em outros períodos anteriores. A diferença é que desta vez os empresários do setor têm experiência suficiente para reverter o quadro sem amargar prejuízos significativos, com descontos para a venda de imóveis em estoque e reduzindo o número de lançamentos até que o momento passe.

Comparando o aquecimento do setor com a velocidade de um carro, podemos dizer que o mercado estava a 30 km/h, acelerou para 200 km/h quando houve a chegada de grandes construtoras de outros estados e agora reduziu para 40 km/h e segue em frente mais rápido que anteriormente, mesmo com a economia brasileira abalada.

FV – Na capital capixaba, vemos bairros com poucos terrenos para construção e grande procura por imóveis, como a Praia do Canto e Bento Ferreira. Na opinião do senhor, Vitória ainda pode expandir o número de empreendimentos imobiliários? Em quais áreas o senhor vislumbra possibilidade de sucesso desses imóveis?

JLK – Vitória é como Nova Iorque: uma parte como Manhattan, procurada e muito cheia, outra como Nova Jersey, próxima, mas sem grandes construções. Acredito na expansão imobiliária para a chamada Região Noroeste da ilha. Com a duplicação da Rodovia Serafim Derenze, a região ampliará suas oportunidades. 

Também considero extremamente viável a área do entorno do Tancredão, onde ocorrem os desfiles de carnaval. Após essa época, que dura alguns dias, o local, que possui um extenso descampado e uma vista privilegiada, fica vazio e seria um bom local para construções. No âmbito dos empreendimentos empresariais, enxergo as margens das avenidas Beira-Mar e Vitória lugares ideais para prédios corporativos, complementando a região de lojas e prédios públicos.  

FV – Que avaliação o senhor faz do setor nas grandes cidades capixabas, como os municípios da Região Metropolitana da capital e outros municípios de destaque no interior?

JLK – Todas as cidades que compõem a Grande Vitória apresentaram forte crescimento imobiliário nos últimos anos. Vila Velha e Guarapari se destacam pelo grande número de empreendimentos residenciais, pois a região vem crescendo em número de moradores. Também na Serra, esse nicho tem se expandido, especialmente pela região do antigo parque aquático, que além de bem localizada tem até vista para o mar. Em Cariacica, as construções de shoppings com torres empresariais e hotéis vem fortalecendo a expansão imobiliária.

No interior, projetos de urbanização trazidos pelo crescimento da agricultura e pecuária, das indústrias e extrações de gás, petróleo e mármore e granito fortalecem as construções em cidades como Linhares, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e de outras cidades do fora das consideradas ‘cidades grandes’. Isso pode ser constatado com a diminuição da população capixaba na região metropolitana; há dez anos, 60% da população estava concentrada na Grande Vitória e hoje esse percentual gira em torno dos 40%. Quando a cidade interiorana cresce, as pessoas voltam para casa e o mercado imobiliário deve se preparar para acompanhar esse movimento, seja construindo residências, seja empreendendo em shoppings menores e escritórios para atender às necessidades da população.

FV – Para finalizar: o senhor que acredita que adquirir imóveis continua sendo uma boa opção investimento? 

JLK – Nunca, em 40 anos da minha vida profissional, vi alguém perder dinheiro investindo nesse segmento. O imprescindível para ter sucesso comprando imóveis é pensar em médio prazo, construindo renda com locação e aguardando a real valorização do empreendimento para então utilizá-lo como parte de troca por um maior ou vendê-lo para obter lucro.