Economia

Apesar de arrecadação menor que a prevista, autoridades no ES comemoram resultado do leilão do pré-sal

Governo Federal esperava arrecadar R$ 106,5 bilhões com o leilão, realizado nesta quarta-feira, mas conseguiu menos de R$ 70 bilhões

Foto: Reprodução

O mega leilão do pré-sal, que inicialmente previa arrecadar R$ 106,5 bilhões, chegou a pouco menos de R$ 70 bilhões. Apesar do resultado abaixo do esperado, autoridades públicas e do setor empresarial no Espírito Santo comemoraram o resultado e afirmaram que os recursos ajudarão a alavancar a economia capixaba.

O leilão, realizado nesta quarta-feira (06), durou cerca de 1 hora e 40 minutos. Ao final, dos quatro campos em leilão, apenas dois receberam ofertas. A arrecadação foi de R$ 69,96 bilhões, o que representa 66% do total inicialmente previsto pelo Governo Federal.

Além disso, nenhuma grande petroleira internacional participou da disputa. A Petrobras, que já detém a quase totalidade da exploração de petróleo e gás no Brasil, foi a grande vencedora e arrematou dois campos, em consórcio com empresas da China.

Dessa forma, a Petrobras ficou com 100% do Campo de Itapu e 90% do de Búzios. Os outros 10% foram divididos, de forma igual, entre os sócios chineses.

Comemoração

Mesmo com a expectativa inicial do governo não sendo alcançada, esse foi o maior leilão de petróleo e gás da história no país. No Espírito Santo, autoridades públicas e do setor empresarial comemoram o resultado e estão otimistas com os recursos que virão.

Apesar da redução nos valores que serão repassados aos estados e municípios, o secretário estadual de Desenvolvimento, Marcos Kneipe, disse acreditar que várias cadeias produtivas serão beneficiadas no Estado.

“Nós entendemos que foi produtivo, que foi interessante para o Estado, tendo em vista que temos uma cadeia produtiva que será toda acionada, em especial a indústria naval e a indústria metalmecânica”, destacou.

Dos quase R$ 70 bilhões arrecadados, a Petrobras vai ficar com R$ 34,6 bilhões. O restante será dividido entre estados (15%), municípios (outros 15%) e União (cerca de 35%). O estado do Rio de Janeiro, por ser o local onde os campos leiloados estão, vai ficar com R$ 1 bilhão.

Em números absolutos, os 78 municípios capixabas dividirão a quantia de R$ 201 milhões, do chamado excedente da cessão onerosa. O gerente de petróleo e gás da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Durval Vieira, diz que os setores de metalurgia, logística, meio ambiente, tecnologia, entre outros, serão os primeiros a se beneficiarem.

“Trará grandes benefícios para o estado do Espírito Santo, em termos de possibilidade de negócios para as empresas instaladas no estado, pois vão contratar muitos tubos flexíveis, umbilicais, risers, módulos para as plataformas, plataformas, vão contratar serviços de logística, de meio ambiente, de segurança, estudos de diversas naturezas e serviços de diversas naturezas”, ressaltou.

Já o presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Espírito Santo (Sindinfo), Daniel Arrais, afirma que o setor está preparado e já participa do mercado de petróleo e gás no Brasil. Segundo ele, o leilão desta quarta-feira é mais uma etapa no processo de desenvolvimento econômico gerado na cadeia do petróleo e gás.

“As empresas capixabas estão cada vez mais presentes na área de tecnologia. Dessa forma, mesmo que o leilão não tenha atingido o seu propósito fundamental, que era chegar a mais de R$ 100 bilhões, vão chegar os royalties através dos municípios, que poderão investir. Vão chegar ao Estado, que também poderá investir. No caso do Espírito Santo, com a formação do fundo que o governador criou recentemente, esse dinheiro do royalty entra para esse fundo para investimento de infraestrutura”, destacou.