Quase dois meses depois do governador Renato Casagrande ter anunciado crédito facilitado para ajudar micro e pequenos empreendedores, os empréstimos do Fundo de Aval de R$ 100 milhões do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) começaram a ser liberados.
Quase dois meses depois de anunciado, saem os primeiros empréstimos do Fundo de Aval de 100 milhões de reais do Bandes. Mas até agora só dois milhões de reais foram liberados, para 383 micro e pequenos empreendedores.
Ao todo, 383 contratos foram aprovados até o momento. Deste número, 90% são para microempreendedores individuais e trabalhadores autônomos. Os outros 10% são para micro e pequenas empresas.
Juntas, as duas linhas de crédito do Bandes e Banestes emprestaram R$ 2 milhões do total disponível. O anúncio foi anunciado em 28 de março pelo governador Casagrande e aprovado no início de abril pela Assembleia Legislativa. No final do mês, o Banestes começou a receber os primeiros pedidos de análise. “Tivemos que fazer toda a composição do fundo. Teve a aprovação de lei, o Bandes precisa fazer o regulamento do fundo, tem que haver registro e todo um trâmite. Existe um prazo legal que precisamos percorrer”, ressaltou o Diretor-Presidente do Banestes, José Amarildo Casagrande.
Já foram aprovados 70% dos pedidos analisados. No entanto, ainda existem mais de 10 mil em fase de análise. O diretor-Presidente do Banestes acredita que esse número vai continuar crescendo.
São duas linhas de crédito disponíveis. A primeira é para Micro Empreendedores Individuais (MEIs) e autônomos, com renda bruta anual de até R$ 81 mil. Com esta, é possível pegar entre R$ 200 a R$ 5 mil, com carência de seis meses para começar a pagar e 24 meses para a quitação do débito. Nessa linha não há cobrança de juros.
A outra linha de crédito é para micro e pequenas empresas com faturamento bruto entre R$ 360 mil a R$ 4, 8 milhões ao ano. Nesta, é possível pegar até R$ 31,5 mil reais. A carência também é de seis meses, com prazo de 48 meses e juros da taxa CDI. O valor só pode ser usado para o pagamento de funcionários, desde que ninguém seja demitido.
Queda no setor
De um lado, as dificuldades para conseguir o empréstimo bancário. De outro, a redução na atividade econômica. Uma pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) revelou que 94% das empresas do setor de vestuário teve queda nas vendas. Além disso, aproximadamente 76% delas projetam redução de 41% do faturamento no segundo semestre de 2020.
O representante da Findes e presidente do Sindicato das Empresas de Vestuário, Paulo Vieira, analisa o cenário com preocupação. Ele afirma que 90% dos empresários do setor que precisam de ajuda financeira não estão conseguindo acesso ao crédito oferecido pelo Governo do Estado. “Não temos como pagar nossos fornecedores e honrar nossos compromissos com os funcionários. Final de maio chegando e a maioria das empresas não têm recursos para bancar este mês. Persistindo essa situação, o horizonte próximo é de caos empresarial, financeiro e social”, disse.