Os remédios que combatem a ansiedade e as convulsões estão acabando. O médico deu ao editor de imagens Marcos Barbosa novas receitas, mas falta dinheiro para comprar mais medicamentos.
“Só mesmo com a ajuda do pessoal, que ontem já começou a me ajudar. Mas assim, tem um remédio que até é barato… mas pra quem não tem um real fica caro, né? O remédio é R$ 3,50, mas, se você não tem um real na carteira, fica caro. O outro remédio é R$ 80, e eu preciso de duas caixas”, desabafou Marcos.
Ele aguarda o pagamento do auxílio doença. Solicitou o benefício ao INSS no dia 18 de dezembro, após ter passado por uma cirurgia para retirada de um aneurisma na cabeça. “Foi feita uma clipagem de aneurisma, mas na mesa de cirurgia eu tive uma complicação e um AVC”, contou ele.
Quem precisa reclama da espera. Segundo a legislação, o INSS tem até 45 dias para começar a depositar o auxílio, contados a partir do momento em que o beneficiado faz o pedido.
“O auxílio doença, no caso do segurado trabalhador, é recebido após o 17º dia de afastamento. Então, a partir do momento que esse trabalhador fica impossibilitado de exercer as suas atividades laborativas por mais de 15 dias, ele terá direito ao recebimento”, explicou Thyago Brito, advogado previdenciário e professor da área.
Mas nem sempre a regra é cumprida. Depois de mais de um mês após a cirurgia para retirada de um tumor na face, a dona Aldalucia recebeu, de uma só vez, duas parcelas do auxílio doença.
“Muito menos do que eu precisava, sendo que o meu tratamento levou, mais ou menos, de sete a oito meses. Um transtorno muito grande, sendo que eu moro de aluguel e tenho dívidas também com lojas, luz, água… tudo atrasou”, disse Aldalucia Cabral, que está desempregada.
Ela afirma que havia pedido o auxílio em outubro de 2018, por orientação dos médicos, para se dedicar ao tratamento. Mas recebeu apenas um valor referente a janeiro e fevereiro de 2019. “Até hoje, eu passo por muita humilhação, porque ainda tô devendo. As pessoas ligam, cobram, param meus filhos na rua, porque acham que eu tinha recebido do INSS, mas eu não recebi”, desabafa.
O advogado especialista em direito previdenciário orienta os contribuintes que se sentirem prejudicados a acionar a Justiça para que o pagamento seja feito de forma imediata.
“O INSS deveria agir de forma célere, levando em consideração, inclusive, que muitas dessas pessoas dependem exclusivamente desse benefício pras suas necessidades básicas. Alimentação, moradia etc e tal. Então, caso o trabalhador não receba esse benefício, ele pode recorrer às vias judiciais”, explicou Thyago Brito.
Morador de Santo Antônio, em Cariacica, o editor de imagens tem contado com a ajuda da comunidade para sustentar a família. E com a colaboração dos colegas do trabalho.
“Tô recebendo ajuda dos meus amigos do trabalho. Eu agradeço muito o pessoal da comunidade evangélica que eu participo, também. A gente pensa que a gente nunca vai precisar, mas um dia a necessidade bate na nossa porta”, disse Marcos.
Já Dona Aldalucia, conta que as dívidas se acumularam no comércio do bairro Cruzeiro do Sul, onde vive. Para piorar, ela foi demitida do emprego de babá pouco depois da cirurgia.
“Mexe muito com o psicológico da gente. E mexe até hoje. Porque se você chegar numa empresa e falar que você fez um tratamento no hospital, eles já… já tá difícil de arrumar um emprego, ainda mais nessa situação”
Sobre o caso da dona Aldalucia, o INSS informou que foi concedido benefício por dois meses após análise do perito. Mas que ela pode solicitar a prorrogação, entrando com um pedido de recurso. Se a perícia a considerar incapaz, ela terá direito a um novo benefício.
Com informações da repórter Fernanda Batista, da TV Vitória/Record TV.