Um dia depois do anúncio sobre o início da cobrança do pedágio na BR-101 capixaba, os caminhoneiros autônomos reagiram de forma negativa à cobrança. Eles reclamam que os custos só aumentam, mas o valor do frete e os ganhos da categoria permanecem os mesmos há anos.
Osmar Júnior é caminhoneiro há oito anos. O amigo dele, Welington Manga, há 14 anos. Eles receberam com indignação a notícia da cobrança de pedágio na BR. Segundo Osmar, os custos só vão aumentando e o valor do frete caindo. “Cada vez vai só piorando a situação do caminhoneiro. O frete na aumenta, o óleo aumenta, agora temos mais pedágio e só vamos perdendo”, diz o caminhoneiro.
Welington já havia reduzido o número de viagens para o Rio de Janeiro, quando começou a cobrança do pedágio na BR-101 por lá. Agora, pensa até em deixar de ser autônomo. “O jeito é vender o caminhão e trabalhar de empregado dentro do Estado mesmo. Isso porque não dá pra ganhar mais”, desabafa.
As praças de pedágio, como a de Guarapari, já estão prontas para iniciar a cobrança no dia 18 de maio. Os carros de passeio vão pagar R$ 3,50. Se com esse valor já houve reclamação de muita gente, imagine no caso dos caminhões que pagam bem mais.
No caso Osmar e Welington, eles têm um caminhão de três eixos, o que paga menor pedágio nessa categoria. Toda vez que passarem em Guarapari, vão desembolsar R$ 10,50. Se pegarem um frete de Vitória para o Rio de Janeiro vão passar por três praças de pedágio no Espírito Santo e outras cinco no Estado do Rio.
Um frete Vitória-Rio, um caminhão com três eixos já paga R$ 51 de pedágio ao passar pela BR-101 no Estado do Rio de Janeiro. A partir do dia 18 de maio, vai pagar ao todo R$ 75.
Segundo eles, um frete desses sai em média há R$ 1.200, ou seja, 6,25% do valor será gasto com pedágio. Não parece muito, mas a categoria diz que pesa no bolso. Eles já têm que pagar combustível, alimentação e hospedagem. No caso dos caminhões maiores o pedágio é mais caro, mas o valor do frete também sobe.
O sindicato da categoria no Espírito Santo decidiu comprar a briga pelos caminhoneiros autônomos. Segundo o presidente, o pedágio vai ter que ser pago por quem contratar o frete. “Na tabela de preço dos fretes já está estipulado que o pedágio corre por conta do cliente. O caminhoneiro que pagar do bolso dele será penalizado pelo sindicato”, afirma Vitor Vieira, presidente do sindicato.
O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Espírito Santo (Transcares) afirma que o pedágio vai aumentar o custo das operações de transportes e isso será repassado ao cliente que contratar os serviços. Por enquanto, o valor do pedágio será aplicado em planilhas que norteiam os custos das empresas, até para que possam alinhar os preços dos serviços que oferecem.
O sindicato não considera esse ajuste como algo primordial para o setor, pois a maior preocupação é com o nível de segurança da Br-101 no trecho que corta o Espírito Santo. O sindicato acredita que a cobrança o valor vai ser revestido em melhorias.