A ideia de ter um negócio dentro de casa tem se tornado cada vez mais atrativa para empresários e empreendedores capixabas. Na busca de reduzir custos supérfluos e visando também a praticidade, donos de estabelecimento encontraram como alternativa a migração ou construção da empresa bem perto, no próprio endereço residencial.
Há pouco mais de três meses, a professora de educação física e personal trainer Marina Lima viu na garagem de casa uma oportunidade de se livrar de gastos relacionados ao aluguel do ponto comercial, no qual sua academia funcionava há mais de 10 anos. Só a locação da área gerava um custo de aproximadamente R$ 7 mil por mês e a despesa foi o impulso para dar início à construção de um novo espaço.
“A academia já existe há 25 anos e só naquele ponto ficamos de 12 a 13 anos mais ou menos. O que pesou foi o aluguel e também a questão do mercado mesmo, porque antigamente tinham poucas academias, aí aconteceu esse ‘boom’ e o mercado foi ficando pequeno. Somos em três profissionais e estávamos engessados, ou a gente continuava ali ou tentava mudar. Então mudamos e deu certo. Aqui era uma área que não tinha nada e os moradores do bairro abraçaram a ideia”, conta.
Todo o projeto da nova academia foi criado por ela, com ajuda do marido e do filho, que também são profissionais da área, e as obras aconteceram a curto prazo, em cerca de 90 dias. Apesar da mudança do endereço, em apenas um mês de funcionamento o número de alunos matriculados já dobrou em relação ao outro espaço.
“Tentamos dois arquitetos, mas não conseguimos. Então sentamos e conversamos para ver o que dava certo e fomos tentando encaixar tudo. O melhor de não ter mais o custo do aluguel é poder oferecer um bom preço. Em um mês dobramos o número de alunos e isso já é ótimo porque pensamos em algo e tudo saiu muito melhor. Agora pensamos em outros projetos porque temos espaço para outras modalidades e a nossa expectativa é que melhore ainda mais”, conclui Marina.
Produção
Também movida pela crise econômica e pela necessidade de ter mais lucros do que despesas, a confeiteira Karla Gusmã investiu em uma pequena cozinha industrial dentro de casa e há 4 anos produz bolos, doces e outros tipos de comida na própria residência.
“Há mais ou menos 4 anos trabalho em casa fazendo bolos, doces e bufett. Geralmente faço sozinha, mas quando a demanda é grande conto com ajuda da minha filha, do marido e dependendo até contrato uma pessoa. O lado bom de trabalhar em casa é a questão da segurança e também dos custos, já que aí não preciso gastar com aluguel, combustível para ir e voltar e outras coisas”, conta.
A artesã Lilian Karla também optou por transformar um espacinho do lar em local de trabalho. Há 9 anos, ela trabalha confeccionando lembranças para casamento, quadros decorativos e chapéus de praia em um cômodo da casa. Assim, ela tem não só um lucro maior, já que não tem gasto com aluguel, como também mais comodidade.
“Eu tenho um espaço onde tenho armários com minhas ferramentas, meu material de trabalho e faço tudo dentro de casa. Atendo meus clientes pelo telefone, Instagram, Facebook e também agendo um horário caso queiram ver as peças e o fato de estar na minha casa é bem mais cômodo. Para montar uma loja, o custo é maior porque tem aluguel de ponto e também as questões burocráticas”, explica.