Economia

Cerca de 80% das empresas capixabas do setor industrial já estão com problemas em seus caixas

Em relação à construção civil, prejuízos ainda não foram muito expressivos, devido aos financiamentos bancários que já haviam sido feitos. Porém, o quadro vai mudar com o passar dos dias

Foto: Divulgação
O setor de cofecções está entre os mais afetados

Cerca de 80% das indústrias capixabas do setor industrial já estão com problemas em seus caixas, devido à pandemia do novo coronavírus. O prejuízo está afetando grandes, pequenas e microempresas de todo o Estado e fazendo com que haja o risco de um grande número de demissões. 

“O dado é apontado por uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes), que mostra que 78% das empresas disseram ter problemas em seus caixas. Isso afeta, principalmente, as micro e pequenas empresas, que atendem diretamente o mercado capixaba”, explicou o presidente do Conselho de Relações Trabalhistas da Findes, Fernando Otávio Campos. 

De acordo com ele, os prejuízos já podem ser vistos nos postos de combustíveis, em que houve queda de 40% nas vendas, e foi perceptível durante a Páscoa, com a redução na compra de chocolates, em relação aos anos anteriores. Mas, para algumas áreas, a perda será ainda mais significativa. 

“No setor de confecções, por exemplo, todo o investimento na moda outono-inverno está sendo perdido e, provavelmente, será muito difícil ter dinheiro para investir em peças para as próximas estações. O problema da economia mundial afeta diretamente a microempresa aqui no Espírito Santo”. 

Em relação à construção civil, Fernando explica que os prejuízos ainda não foram muito expressivos, devido aos financiamentos bancários que já haviam sido feitos. Porém, o quadro vai mudar com o passar dos dias, pois esse dinheiro vai acabar e as pessoas não terão como pagar os investimentos ou fazer novos. 

Para o presidente do Conselho de Relações Trabalhistas da Findes, um grande problema encontrado pelas indústrias é a dificuldade para  conseguir linhas de crédito. “As novas linhas ainda não estão liberadas e as antigas são burocr´áticas ou muito caras e, ainda, exigem avalista. Atualmente, ninguém tem segurança de ser avalista de outra pessoa. Vivemos tempos incertos e, ao mesmo tempo emergenciais”. 

Ele acrescentou que, atualmente, o Espírito Santo tem, apenas na construção civil, 28 mil indústrias e 55 mil pessoas atuando como microempreendedores individuais (MEIs) e que o cenário é muito preocupante. “Todos os proprietários dessas empresas ainda irão perder muito. Precisamos encontrar formas de reverter isso e conseguir crédito. Com a volta gradual, com protocolos rígidos e acesso ao crédito poderemos garantir mais de  90% dos empregos que correm risco”. 

Comércio

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) também mostra-se preocupada em relação aos empregos do setor que se transformam em inevitáveis demissões em frente aos prejuízos dos empresários. 

O setor já calcula perdas de R$ 1,3 bilhão nas vendas, considerando da data do início do impedimento de abertura dos estabelecimentos comerciais no dia 21 de março até o dia 7 de abril, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os prejuízos após essa data ainda não foram calculados.

Dentre todo o comércio Estado, 78% estão fechados. E os estabelecimentos que permanecem abertos, como o varejo alimentício e as farmácias, considerados essenciais, percebeu-se a queda no movimento de clientes em cerca de 35%.