Durante o ano de 2022, a carne passou a ser um item escasso no prato dos brasileiros. O alto preço começou a tornar o produto mais que uma iguaria, um artigo de luxo.
Acontece que em fevereiro de 2023, o preço da carne vermelha teve redução de 1,22% a maior queda no valor do produto em 15 meses. E é claro que com a diminuição, os espetos e brasas da casa dos brasileiros já começaram a chiar.
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De acordo com o economista Edson Daher, a diminuição deve-se principalmente pelo aumento de estoque interno, devido a suspensão de exportações da carne para a China, além da quaresma, um período conhecido historicamente pela baixa no consumo e compra de carne.
“Além disso, outras influências do período como a quaresma, que representa uma queda significativa do consumo de carne bovina no país, também podem ter influências sobre os preços, assim como a recente queda no preço das rações para engordar o gado, que também pode influenciar na queda dos preços da carne”, explicou o economista.
Ainda segundo ele, a diminuição é tímida, mas já é possível afiar novamente os espetos para realizar o tradicional churrasco de domingo com os amigos e a família.
“Alguns cortes, como a picanha, tiveram a redução ainda maior, chegando a 2,63%. Mesmo com a queda dos preços das carnes nobres como picanha e filé mignon, que atrai as expectativas da população para voltar a fazer o tradicional churrasco brasileiro”.
O profissional alerta, no entanto, que a queda nos valores ainda não encontrou o garfo e faca de todos os brasileiros, já que chega após um aumento excessivo do produto nos últimos anos, o que causou o menor consumo de carne entre a população brasileira em mais de duas décadas.
Absorvendo o impacto para o consumidor
Se o consumidor pode comemorar a volta da carne da brasa, algumas distribuidoras precisam se virar para absorver o impacto, principalmente da quaresma, para quem vai queimar uma carne no fim de semana.
De acordo com Leonardo Pestana, proprietário de uma casa de carnes na Serra, durante este período, os frigoríficos costumam aumentar o valor dos produtos, para rebater a queda na procura.
“Depende muito do frigorífico, há alguns que trabalham com carne angus, outros que trabalham com nelore. Os valores são diferentes. Há frigoríficos que vendem picanha a R$ 100, outros que vendem a R$ 90, e claro que há uma diferença na qualidade da carne”, contou.
Segundo ele, o desafio é realmente não levar este aumento até a mesa do consumidor, uma vez que nos últimos anos já sofreu bastante com os aumentos excessivos do produto.
Mas isso não significa que a loja anda vazia, pelo contrário. Apesar da quaresma ainda há os consumidores fiéis que não abrem mão de um churrasco, ainda mais com a queda nos preços. Por lá, ainda há os cortes campeões de vendas: picanha, chorizo, ancho, fraldinha e bananinha.
Só sabor, sem preconceito
Quando o assunto é colocar a carne na brasa, não há especialista maior que um churrasqueiro profissional. O chef Eduardo Romanello, dono de um bufê, afirma que nos últimos anos o churrasco tem ficado ainda mais saboroso, pois o brasileiro vem perdendo o preconceito com as chamadas carnes de segunda.
“Hoje em dia, estes cortes são extremamente valorizados. Temos, por exemplo, o short ribs, que é uma carne extremamente saborosa. É um miolo do acém com osso, do mesmo corte se tiram também chuck steak e denver steak”, disse.
O chef não esconde suas críticas à carne vendida nos açougues dos supermercados, mas é firme em dizer que casas de carne trazem opções saborosas e a custo que cabe no bolso dos consumidores, ainda mais com a redução.
“Um coração da paleta, que é uma carne extremamente saborosa, seja no espeto ou fatiada na brasa, você encontra a R$ 50 o quilo em uma casa de carnes. O mínimo que você encontra nesses estabelecimentos é uma carne de novilha, que é naturalmente macia, no açougue de um supermercado, você não encontra, então a diferença de qualidade é gritante”, relatou.
Ainda segundo ele, ainda que o açougue não seja o ponto ideal, os freezeres dos mercados trazem opções interessantes e com valor atrativo para quem não abre mão de qualidade e sabor.
“No freezer você encontra ótimas opções, angus ou denver steak a R$ 70, R$ 80 o quilo. Com essa baixa que houve agora, é uma ótima opção para a pessoa ir num supermercado e comprar um corte novo para experimentar e fazer um churrasquinho com a família”, finalizou.
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E como todo churrasco merece um acompanhamento à altura, o chef Eduardo separou duas receitas especiais para abrilhantar ainda mais a reunião, confira o passo a passo.
Molho de carnes
– 200ml de óleo de soja
– 100ml de vinagre de vinho tinto
– 1 sachê de molho de tomate
– 1 cebola inteira
– 3 colheres de molho inglês
– 3 dentes de alho
– sal e pimenta a gosto
– Modo de fazer: bater tudo no liquidificador por aproximadamente 2 minutos. Dura 1 mês na geladeira.
Salada coleslaw
– 1/2 maço de acelga
– 1 cenoura
– 1 repolho roxo
– 1 cebola roxa
– 1 xícara de maionese
– 1/2 limão (suco)
– 1/2 colher de açúcar
– Sal e pimenta a gosto
– Modo de fazer: cortar todos os ingredientes em Juliene (tiras finas) e misturar com os líquidos. Servir gelado.