Economia

Conheça as áreas mais lucrativas para empreender em 2023

Veja dicas de especialistas para abrir novos negócios no novo ano

Foto: Divulgação/Canva

Quem deseja começar o ano de 2023 empreendendo pode apostar em segmentos lucrativos como deliveries, tecnologia, vendas on-line, inteligências artificiais, áreas de cobranças e educação.

A aposta é do professor da Estácio, Flávio Guimarães, especialista em gestão, empreendedorismo, recrutamento e seleção. Para ele, estes setores estiveram em crescimento no ano de 2022 e devem seguir com mais crescimento, demandas e lucros no ano que se inicia.

>> Quer receber nossas notícias 100% gratuitas? Participe do nosso grupo de notícias no WhatsApp ou entre no nosso canal do Telegram!

Para a Maria Candida Torres, professora do MBA de Empreendedorismo e Desenvolvimento de Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), uma das áreas mais lucrativas em 2023 continuará sendo a tecnológica, a área que mais cresce no mundo.

Segundo a professora, pela instabilidade que o mundo vive, o próximo segmento é o financeiro. Ela afirma que as pessoas querem mais opções de investimentos e desejam ir além do que é oferecido atualmente.

“Com a alta do digital, com certeza precisaremos de regras e as regras e direito inclui especialistas em Digital, propriedade intelectual, e com isso falamos da área Jurídica. Além disso, as pessoas estão mais atentas aos seus direitos”, explicou.

No segmento digital, Maria acredita que as empresas precisarão se desenvolver e fixar a marca no mundo digital. Por isso, outra área crescente é o Marketing e principalmente o Marketing Digital.

Como começar a empreender em 2023?

Foto: Thach Tran | Pexels

Questionado sobre por onde começar a empreender, Guimarães argumenta que a principal mentalidade a ter, quando se deseja empreender, é a crença que é possível empreender e lucrar no Brasil. “Creia, sonhe, trace plano e veja se tornar realidade”, motiva o especialista.

Em termos técnicos, ele comenta que além da positividade é necessário, ainda, elaborar planos de negócios que apresentará uma margem da certeza se o segmento é bom ou se tende a melhorar.

“Obter esse tipo de planejamento nos traz uma porcentagem de 80% a 90% de viabilidade de qualquer negócio. Dessa forma, buscar orientações em órgãos como Sebrae e consultorias particulares podem impactar positivamente qualquer negócio desde o início”, explicou o especialista.

>> Aposentadoria em 2023: veja o que muda nas regras com a reforma da Previdência

Já Maria afirma que para começar a empreender, é necessário conhecer o mercado que deseja atuar. A professora da FGV listou os principais questionamentos para fazer a si mesmo:

1. Quem é seu cliente? Qual a persona?

2. Qual o tamanho desse mercado? Há espaço? Segundo Maria, isso seria o Potencial de Mercado. Ou seja, quantas pessoas poderiam comprar seu produto? Após verificar que há mercado potencial, é importante listar.

3. Quais são os seus concorrentes? Liste o nome de cada um, além de colocar as forças e fraquezas de cada um dos concorrentes. A professora sugere organizar os dados em uma tabela.

4. Quem são os fornecedores? Quais serão as dificuldades e as facilidades dos fornecedores?

5. Que proposta de valor você entrega para os seus clientes? Quais os diferenciais que seu produto e serviço oferece a eles? Seu produto e/ou serviço atende as necessidades, desejos e medos dos clientes?

6. Faça seu modelo de negócio.

7. Qual é o propósito da empresa?

8. Realize um protótipo e teste no mercado.

Como empreender sem se arriscar?

Para quem não quer arriscar em novos ramos, Guimarães orienta a investir em segmentos que já se mostraram lucrativos desde a pandemia, como a construção civil; funções de teletrabalho, onde os funcionários podem ficar em sistema híbrido, trabalhar parte em casa e parte no escritório; telemedicina; petshops e as empresas de painéis solares.

Segundo o especialista, o último segmento tem movimentado muito o mercado, por conta dos constantes aumentos na tarifa da energia elétrica. 

“Então, para quem não deseja arriscar numa nova, pode investir nesses segmentos que já estavam em pleno crescimento desde a pandemia”, disse o professor.

Já Maria, acredita que para quem não quer se arriscar precisa procurar a área de commodity. Mas sempre lembrando que o diferencial para a commodity é o serviço.

Emprestar dinheiro ou ser sócio?

No entendimento de Flávio Guimarães, quem ainda está em dúvida entre emprestar dinheiro ou constituir sociedade para o negócio, é fundamental analisar se os juros são justos e se o possível sócio tem ou teve experiência em negócios e negociações.

“Neste momento, todos os riscos devem ser analisados. Isso porque, ou o novo empreendedor precisará de um empréstimo, ou de alguém para viabilizar o empreendimento”, concluiu.

>> Confiança da indústria sobe 1,2 ponto em dezembro, diz FGV

Para a professora da FGV, existem diferenças entre ser sócio ou emprestar dinheiro. Ela afirma que escolher entre um e outro depende do desejo.

“Há necessidade de se avaliar. Por exemplo. Se sou sócio corro o risco de perder dinheiro ou de ganhar muito com a empresa ou negócio. Se empresto dinheiro fico na taxa básica e não me envolvo nos riscos. O importante e ver o perfil de cada pessoa”, explicou Maria.

Quais são os riscos de empreender?

Foto: Quang Nguyen Vinh | Pexels

Maria Candida Torres apresentou alguns dos riscos do empreendedorismo. Segundo ela, um deles é o foco na persona errada. Ou seja, não focar no cliente que irá comprar o seu produto. Além de criar um produto que as pessoas não estejam dispostas a comprar.

A professora acredita que não ajustar o modelo de negócios também é um grande risco. Por exemplo, “quando vamos para o mercado testar, precisamos ter lições aprendidas e ser rápido quanto a adequação da proposta de valor para o cliente”.

>> País atingiu novo recorde de trabalhadores com carteira assinada, diz secretário

Outro risco é de onde o empreendedor tirará o dinheiro ou obterá o recurso financeiro para o negócio? Segundo Maria, achar que empreender é uma tarefa fácil é extremamente perigoso.

Um alerta de estar no caminho errado é ignorar a persistência e correr os riscos calculados. O empreendedor deve criar o produto para o cliente e não para ele.

Quem pode empreender?

De acordo com Maria, todos podem empreender. Até quem trabalha em uma empresa, recebendo o nome de intraempreendedor. 

Porém, há diversos questionários que ressaltam as características de um empreendedor, segundo a EMpretec – ONU.

A busca de oportunidades e iniciativa
A persistência
Correr riscos calculados
Exigência de qualidade e eficiência
Comprometimento
Busca de informações
Estabelecimento de metas
Planejamento e monitoramento sistemático
Persuasão e rede de contatos
Independência e autoconfiança

Já quanto ao empreendedor corporativo (intra empreendedor), segundo o portal do administrador, deve ter:

Visão sistêmica
Senso de liderança
Comportamento positivo
Capacidade inovadora
Ousadia
Criatividade
Foco

Empresária aposta no segmento de roupas e se supera

Foto: Reprodução | Geração Empreendedora

Após perder tudo, a empresária Cláudia Alves decidiu recomeçar no ramo de vestuário. Em entrevista ao Geração Empreendedora, ela contou ao apresentador Fernando Gregório que decidiu empreender após trabalhar 15 anos como CLT.

Tudo começou de uma forma inesperada. A mulher foi morar nos Estados Unidos e passou uma temporada de seis meses no país, mas não gostou da região. Ao retornar para o Brasil, ela percebeu que não tinha mercado.

A primeira vez que Cláudia teve contato com um brechó, segmento que ela escolheu para empreender, foi em uma viagem internacional. Ela contou que teve a oportunidade de comprar em uma loja, que descobriu ser de roupas usadas.

“As peças eram incríveis, não parecia de brechó, assim usada, porque a gente tem um preconceito. Eu enfrentei muito preconceito no começo. Eu percebi que as peças eram incríveis e ficou na minha mente”, contou.

Nos Estados Unidos existe uma forte cultura de brechós e isso encantou a empresária, principalmente o preço baixo. Logo após retornar para o território brasileiro, ela tirou um final de semana para vender as próprias roupas para ter um dinheiro imediato.

LEIA TAMBÉM: Vitória é apontada como melhor cidade do ES para empreender

Para captar clientes, ela disse que teve muito cuidado em entregar o melhor para os clientes. Cláudia pesquisou e estudou o segmento para seguir em frente com a sua ideia. Sua primeira venda foi feita na casa de sua mãe e atualmente, criou sua própria loja.

Inicialmente, ela começou uma curadoria de moda para garantir o estilo de sua loja. Afinal, começou vendendo suas próprias roupas e precisava de mais.

“A gente realmente vai começando com aquilo que a gente tem mesmo. ‘Eu tenho bom gosto?’, ‘eu gosto disso?’ e depois você vai deixando esse gosto mais afinado: ‘o que o cliente procura?’, ‘o que ele gosta?’, ‘o que tá vendendo?’, ‘o que chegou ontem e vendeu hoje mesmo?’. Então tudo isso faz parte do seu negócio quando você começa”, explicou Cláudia.

*Texto da estagiária Ana Paula Brito Vieira, sob supervisão de Daniella Zanotti