Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (6), representantes da Caixa Econômica Federal disseram que as medidas adotadas para diminuir as filas nas agências surtiram efeito e que estão buscando aperfeiçoar o aplicativo de atendimento aos beneficiários. Porém, capixabas afirmam que o auxílio está sendo negado de forma injusta, e sem dar chance a uma contestação.
Ao contrário dos últimos dias, na tarde desta quarta-feira (6), a equipe de reportagem da Rede Vitória não registrou longas filas nas agências da Caixa Econômica Federal. O motivo, segundo o banco, foi um esforço concentrado para orientar e tirar dúvidas de quem foi em busca de benefícios como seguro desemprego, FGTS, e principalmente o auxílio emergencial de 600 reais do Governo Federal.
O superintendente da Caixa no Espírito Santo, Dênis Matias, afirma que é possível resolver quase tudo usando os meios virtuais.
“Nós temos o aplicativo do FGTS, onde o cliente pode dar entrada no seu benefício sem precisar comparecer numa agência. Qualquer que seja o motivo de movimentação do seu FGTS. É importante ressaltar que as nossas agências estão atendendo presencialmente, exclusivamente, quem precisa dos serviços essenciais”, disse.
O horário de atendimento presencial permanece ampliado, das 8h até às 14h. A Caixa garante que todos que chegarem dentro do horário vão ser atendidos no mesmo dia. E a segunda parcela do auxílio, que vai ter o calendário divulgado em breve, também vai ter pagamento escalonado por esta data de nascimento. Sobre a lentidão no aplicativo do banco, uma atualização feita promete melhorar a execução da ferramenta.
Mas as reclamações vão além de lentidão e dificuldades para fazer o cadastro do auxílio na internet. Tem gente que conseguiu se cadastrar, mas disse que teve o auxílio negado com uma justificativa que não condiz com a realidade. E o pior: essas pessoas não estão conseguindo uma segunda chance para refazer o pedido.
Thaís Fardim é microempreendedora e teve o auxílio emergencial negado, segundo ela, sem apresentação de uma justificativa. Ela disse que tentou refazer o pedido, mas o aplicativo não deu essa opção.
“Nessa semana eu tive a negativa, porém no aplicativo não informa qual é o motivo. Eu não recebi nenhuma explicação, até onde eu pude ler, eu me encaixo em todas as regras e não consegui receber o auxílio. Eu tentei fazer o pedido novamente, mas o aplicativo diz que eu já tenho o cadastro”, contou.
De acordo com o pedreiro Rodrigo Moreira, ele também tentou receber os 600 reais, mas no caso dele, a justificativa é que outra pessoa da família já teria recebido o dinheiro. Mas a questão é que Rodrigo mora sozinho no Espírito Santo há 10 anos. O outro membro da família é o pai dele, que mora no Rio de Janeiro. Além disso, toda vez que tenta refazer o cadastro, a resposta é a mesma. Ele chegou a ir à Caixa para tentar resolver a situação, mas sem sucesso.
“Eu liguei pro meu pai e ele falou que nem o número do meu CPF e da minha identidade ele sabe. É complicado, porque eu não sei qual membro da família sacou… Fiquei na Caixa de 6h até às 16h30, quando o gerente me informou ‘resolva pelo aplicativo’. Aqui graças a Deus eu ainda não cheguei ao ponto da fome, cheguei a não ter dinheiro para pagar minhas contas, mas também não sei por quanto tempo vou segurar”, lamentou.
Sobre os pedidos de Thaís e de Rodrigo, a Caixa informou que a análise é feita pela Dataprev, instituição do Governo Federal. Eles podem fazer a contestação ou realizar a correção de dados, por meio de nova solicitação pelo aplicativo ou pelo site do banco.
* Com informações do repórter Alex Pandini, da TV Vitória / Record TV