Economia

Florestas que salvam florestas e fortalecem a economia do Estado

As florestas plantadas, como as de eucalipto tiram a pressão da floresta nativa. No Estado todo arranjo florestal emprega 80 mil pessoas

Foto: Divulgação

Quem lembra que há bem pouco tempo, era comum encontrar nas casas aqueles móveis imponentes, feitos com as chamadas madeiras de lei, como peroba, jacarandá, mogno? Hoje o uso desse tipo de madeira que vem das matas nativas não é mais tão comum. E um dos motivos é a preservação do meio ambiente.

Foto: Joedson Alves para R7

As queimadas gigantescas na Amazônia, divulgadas no mês passado, estão aí para provar que o Brasil ainda está longe de conseguir controlar o desmatamento irregular.

Mas é inegável que também têm crescido a busca por alternativas focadas na preservação. É aí que entra o eucalipto

Foto: divulgação / celuloseonline

As árvores, que vieram da Austrália, hoje ocupam boa parte do território capixaba e tiram a pressão sobre as florestas nativas. O eucalipto é plantado para determinado fim, são as chamadas florestas plantadas. Esse tipo de agricultura evita que locais como a floresta Amazônica e a Mata Atlântica sejam usados para produzir papel e também móveis, lenha, carvão vegetal e chapas de madeira.

Hoje no Brasil, 90% da madeira usada pelas indústrias vem das florestas plantadas. E as nossas condições de clima, solo, relevo e tecnologia permitem que o país tenha uma produtividade de madeira maior do que outros países. 

O subsecretário de agricultura do Estado, Michel Tesh Simon, destaca uma mudança importante quando o assunto é preservação da mata nativa:

“Em 1995, 70% do valor bruto gerado com madeira no Brasil vinha do extrativismo vegetal e menos de 30% da silvicultura. Os dados mais recentes, de 2017, mostram que esse dado se inverteu de forma positiva. Hoje, mais de 70% do valor gerado com madeira vem das florestas plantadas, como eucalipto e pouco mais de 20 % vem das áreas nativas”, afirma.

80 mil empregos diretos e indiretos

Quer entender a importância das florestas plantadas, como das de eucalipto, para a economia do Espírito Santo? É só lembrar que o nosso Estado possui todas as etapas da cadeia produtiva: nós plantamos, temos a indústria para transformar e ainda comercializamos para o mundo todo. Ou seja, em todo esse percurso, vários setores da economia são fortalecidos.

Dados divulgados pelo Centro de Desenvolvimento do Agronegócio, o Cedagro, mostram que os arranjos florestais do Estado envolvem 28 mil propriedades rurais e geram 80 mil empregos diretos e indiretos. Esses são os dados mais recentes, apurados em 2010.

Foto: Divulgação / Pexel

“São muitos os empregos gerados por todo arranjo florestal. Além dos agricultores e trabalhadores diretos da indústria de celulose, temos muitos outros setores beneficiados indiretamente. Alguns exemplos são as indústrias de móveis, as pessoas envolvidas no transporte de eucalipto, as oficinas que consertam os caminhões de transporte, as serrarias, siderúrgicas, construção civil, secagem de café… tudo isso é movimentado a partir das florestas  plantadas”, afirma o presidente do Cedagro, Gilmar Dadalto.

O setor é responsável por  7,5% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado e 30% do PIB do agronegócio estadual. E representa 60% de todos os produtos agrícolas que são exportados no Espírito Santo.

Eucalipto

O eucalipto engloba 73% da área total de florestas plantadas no Brasil. Aqui no estado são 242 mil hectares de área plantada, o que equivale a 242 mil campos de futebol. A maior parte das plantações fica em Aracruz, no norte do Estado. O que corresponde a 12% da área agrícola total e a 6,5% da área estadual.

Foto: divulgação/ Cedagro

Uma das grandes vantagens do eucalipto é o baixo risco de produção, é uma planta que se adapta facilmente a diferentes tipos de clima, exige pouca irrigação e ainda é um produto não perecível.

Produtores rurais do Estado há anos já perceberam essas vantagens e atualmente 1.800 possuem área de plantação destinada ao fornecimento de eucalipto para a Suzano. A empresa é a líder mundial em fabricação de celulose e aqui na unidade do Espírito Santo, em Aracruz,  gera 6 mil empregos diretos e indiretos.

A expectativa é de um desenvolvimento ainda maior. Em janeiro desse ano, houve uma fusão entre a Fibria e a Suzano, tornando a Suzano líder mundial em produção de celulose. A capacidade de produção é de  2,3 milhões de toneladas de celulose por ano, com exportação para 86 países no mundo todo, por meio do Portocel, também em Aracruz. 

“Essas mudanças estão trazendo maior desenvolvimento para o município, para a região e para o Estado, sempre  com o pilar chave na sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. A plantação e o manejo adequado das florestas, das bacias hidrográficas e o correto uso dos recursos na fábrica são fundamentais para nós”, garante o gerente executivo industrial, Marcelo de Oliveira.

Benefício para outros setores

O gerente de Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Durval Vieira explica que a cadeia de produção do eucalipto e a fabricação de celulose tiveram uma grande evolução no Estado. Várias empresas tiveram que se especializar para atender ao setor, como as calderarias, metal mecânica e logística, por exemplo. E hoje essas empresas e profissionais capixabas especializados em atender o ramo de papel e celulose atuam com clientes em todo Brasil. 

No vídeo, o gerente da Finde explica mais sobre essa evolução:

Made in Espírito Santo: celulose capixaba é usada em papel até do outro lado do mundo