*Artigo escrito por Pedro Henrique Mariano, MBA em Controladoria e Finanças, consultor e executivo de Controladoria, Planejamento, Finanças, Orçamento, Resultado e Processos e membro do Comitê Qualificado de Conteúdo de Economia do IBEF-ES.
Gerenciar crise é uma tarefa abrangente que inclui se preparar antes mesmo que ela aconteça, mas a realidade não costuma ser assim. Sabe-se que, no dia a dia, assuntos operacionais e menos estratégicos ocupam o tempo das pessoas na empresa.
Quando uma crise de proporções globais se estabelece, como a ocasionada pelo coronavírus (covid-19), a maioria das empresas é surpreendida.
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Mas, existe um aspecto da gestão de negócios que pode salvar muitos empregos. Qual? Na gestão de crise, quando todas as decisões e ações devem ser tratadas com urgência e de forma precisa, existe um pilar determinante: CONFIANÇA.
Pessoas unidas pela sobrevivência
Na crise, PESSOAS e RESULTADO devem ser os dois focos principais. De forma que a combinação entre manter todo o time alinhado sobre as vendas e os resultados, deixando claro o papel de cada um e qual é a estratégia de enfrentamento, construirá um sentimento de coletividade aonde todos compartilham o mesmo “barco”.
Primeiramente, é preciso garantir a todos os colaboradores sua integridade física, saúde e uma comunicação eficiente. Isso implica no envolvimento de todas as áreas, com transparência, através de um canal de comunicação unificado e oficial para garantir o alinhamento tanto interna (colaboradores) quanto externamente (clientes e fornecedores).
Deverão ocorrer fóruns recorrentes, de preferência diários, com as pessoas-chave que vão contribuir na definição de ações e darão retorno sobre os resultados das já executadas.
De preferência, um comitê de crise deve ser criado, conforme a estrutura e o tamanho de cada empresa. Fontes de informações distintas e confiáveis do governo, da imprensa e do mercado devem ser constantemente consultadas para garantir que todos trabalhem baseados nos fatos mais atuais.
De forma complementar, o resultado do negócio deve ser prioridade nas discussões, sejam elas sobre as vendas ou receitas e despesas.
O tema deve ser tratado apenas com as pessoas-chave para gerenciar a crise ou com todos os colaboradores, sendo que essa decisão pode variar conforme a maturidade de cada empresa. Imediatamente, devem ser adequadas as estratégias de preço e condições comerciais para melhor atender os clientes.
Ainda sobre resultado, os responsáveis pela Controladoria ou Planejamento devem criar novos cenários futuros para o orçamento ou previsão de resultados, atualizando as premissas do negócio.
Por fim, todos devem, juntos, fazer um exercício de oportunidades, no qual despesas relacionadas a projetos de longo prazo ou assuntos não essenciais para o funcionamento do negócio podem ser revisadas e cortadas se necessário.
Esteja próximo dos fornecedores para renegociar dívidas e contratos, fortalecendo a relação entre as partes, e dos clientes para se antecipar à inadimplência e proteger o negócio, oferecendo tratamento e condições comerciais diferenciadas.
Toda crise demanda urgência! Encare de frente os desafios!
A cada ação de combate à crise, apure os resultados e fique atento para corrigir estratégias e tomar as decisões mais assertivas.
Deixe clara a importância do comprometimento de cada um do time em todo esse processo, mantendo por perto as pessoas em que você mais confia e trabalhando para conquistar também a confiança das demais. Ouça as pessoas!
“Estabilidade não existe!”, não se cansa de repetir Flávio Augusto da Silva que compartilha sua experiência de décadas no mundo dos negócios.
Lute o máximo que puder para passar pela crise e se tornar mais forte, pois apesar de não termos nenhuma garantia de sucesso ele também lembra que “quanto mais você trabalha, mais você tem sorte”.