Artigo Ibef-ES

Marcelo Paz e modelo inédito da SAF do Fortaleza Esporte Club

O Fortaleza é o exemplo de uma SAF "sem dono", ou seja, sem investidores, uma decisão inédita e que teve o apoio integral de seus torcedores

Bola e taça em campo de futebol
Bola e taça em campo de futebol. Foto: Canva

*Artigo escrito por Eric Alves Azeredo, professor, executivo, advogado, CEO da AZRD e membro do Comitê Qualificado de Conteúdo de Empreendedorismo e Gestão de 2024 do Ibef-ES.

A lei n° 14.193, de 2021, que permitiu que os clubes de futebol deixassem de ser associações civis para se tornarem empresas, foi a grande novidade no mundo esportivo nos últimos anos.

As SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) surgiram com a ideia de que os clubes que optassem por esse novo modelo de gestão teriam que entregar o controle e vender, pelo menos, 90% do seu capital. No entanto, essa ideia foi sofrendo alterações e se ajustando aos clubes, que fizeram acordos menos agressivos para as associações.

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Modelo na Alemanha virou inspiração

Na Alemanha, o modelo do Bayern de Munique inspirou vários outros clubes no mundo. Os bávaros, embora operem em um modelo bastante similar, não são considerados uma SAF.

O clube vendeu 25% de suas ações para três empresas parceiras: a Audi, fornecedora oficial, a Adidas, responsável pela confecção de seu material esportivo, e a Allianz, dona do naming right de sua arena esportiva.

Cada uma delas recebeu igualmente 8,33%, começando a grande virada de chave do time alemão, que, até 2010, não conseguia se destacar no cenário esportivo mundial.

Baseado nesse modelo de sucesso, no final de 2023, os sócios do Fortaleza Esporte Clube aprovaram, por 95,14% dos votos, a criação da SAF do clube.

Fortaleza é um modelo inédito

O Fortaleza é o exemplo de uma SAF “sem dono”, ou seja, sem investidores, uma decisão inédita e que teve o apoio integral de seus torcedores.

No momento, não há intenção de venda de ações do clube, embora o primeiro CEO da SAF do Fortaleza, e presidente no período de 2017 a 2023, o empresário Marcelo Paz, estude a possibilidade de, no futuro, oferecer entre 10% e 15% do capital da SAF, exclusivamente para os sócios- torcedores do clube, com projeção de até R$60 milhões de investimento.

Sob a gestão de Marcelo Paz, o Fortaleza vem passando pelo melhor momento de sua história. Após permanecer por oito anos na Série C do Campeonato Brasileiro, em 2017, o clube conseguiu o acesso para a segunda divisão nacional, e desde então, a ascensão foi marcada em todos os setores: esportivo, estrutural e financeiro.

Há oito anos, o clube vem colhendo expressivos resultados. Foram cinco campeonatos estaduais consecutivos (2019 a 2023), a inédita conquista da Série B do Brasileirão, em 2018, o tricampeonato da Copa do Nordeste (2019, 2022 e 2024) e o vice-campeonato da Copa Sul Americana em 2023.

De volta à Copa Libertadores da América

O Fortaleza ainda disputou, pela primeira vez em sua história, a Copa Libertadores da América, em 2022, fato que deverá voltar a ocorrer em 2025.

Financeiramente, os números demonstram o sucesso da administração Marcelo Paz. Em 2017, o Fortaleza Esporte Clube registrou uma receita de R$ 24 milhões e seis anos depois, em 2023, chegou a R$ 371 milhões, maior receita da história de um clube do nordeste.

Além do sucesso financeiro, é evidente a organização implementada na sua gestão, mostrando uma instituição arejada e de funcionalidade republicana.

E sem nenhum trocadilho, todos temos que concordar quando o CEO do clube, Marcelo Paz, diz que: “hoje o Fortaleza está pacificado!”.

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.

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