*Artigo escrito por Juliana Frasson, empreendedora, consultora empresarial e mentora profissional. Especialista em logística & Supply Chain e gestão empresarial. Membro do CQC de Empreendedorismo e Gestão do Ibef-ES.
Pesquisa realizada pela GEM (Global Entrepreneurship Monitor) no primeiro semestre de 2022 aponta que 93 milhões de brasileiros estão envolvidos com o empreendedorismo de alguma forma, seja gerindo o próprio negócio ou em processo de preparação para ter um.
O mesmo relatório aponta que, em relação aos empreendedores potenciais (indivíduos que estão estruturando um novo negócio), o Brasil ocupa o segundo lugar do ranking mundial, ficando atrás apenas da Índia, país com expressividade populacional consideravelmente maior.
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Nessa perspectiva, ser dono do próprio negócio ocupa a terceira posição na lista dos 15 principais desejos dos brasileiros na atualidade. De acordo com o Sebrae, 85% do índice de empregabilidade do país está conectado às micro e pequenas empresas.
A atividade que se tornou sinônimo de sobrevivência para muitas pessoas no período pandêmico em virtude do desaquecimento econômico, hoje é interpretada como um mar de possibilidades.
A ideia de flexibilidade de horário produtivo, não possuir chefia direta e poder exercitar a criatividade são algumas das premissas que endossam esse pensamento.
Contudo, os índices de encerramento de microempresas ainda são altos. De acordo com o Valor Econômico em 2023, 2.153.840 empresas fecharam no Brasil, o que representa um aumento de 25,7% em relação ao ano anterior.
4 empresas fecharam a cada minuto
Isso significa que, em média, quatro empresas fecharam a cada minuto no país, naquele período (2024). Esses dados refletem pontos de melhoria que precisam ser trabalhados tanto na orientação aos futuros empreendedores, quanto no andamento dos negócios.
A falta de informação sobre estruturação de processos, gestão financeira e marketing estratégico, por exemplo, são preceitos fundamentais para garantir o progresso do empreendimento e que muitos trabalhadores têm pouco ou nenhum conhecimento sobre.
Trabalhar de forma mais eficiente e concisa com os MEIs e Microempreendedores pode garantir que o cenário, além de permanecer animador, seja cada vez mais próspero.
São grandes passos os programas e iniciativas que apoiam o empreendedorismo como os promovidos pelo Sebrae e a lei que entrou em vigor em 2021, “Marco Legal das Startups”, reunindo um conjunto de medidas e dispositivos legais para fomentar o empreendedorismo no Brasil.
Contudo, outras iniciativas precisam entrar no radar do governo e das instituições privadas, como a possibilidade de levar o tema para as escolas e para as academias de forma mais aprofundada.
Empreendedorismo
É importante encorajar os jovens a entenderem que empreender também é uma grande oportunidade de prosperar, considerando que as ferramentas e conhecimentos necessários sejam empregados.
Outra esfera que é beneficiada com o progresso do empreendedorismo é a social. Democratizar o acesso das pessoas a informações que poderão ajudar, retirando vários empreendedores da informalidade, permite que percalços sociais, como o aumento do nível de renda das famílias inseridas neste contexto e evolução do nível educacional, sejam alcançados.
Programas voltados especificamente para o empreendedorismo feminino também são de extrema valia.
A Central Única dos Trabalhadores informa que 50,8% dos lares no Brasil são chefiados por mulheres (2023). Ajudar a fomentar essa prática possui um papel fundamental na criação de resiliência econômica, empoderamento, inclusão e independência financeira dos grupos vulneráveis da sociedade.
Por fim, investimentos voltados para o desenvolvimento do empreendedorismo poderão ajudar o Brasil a alcançar outros níveis de desenvolvimento e prosperidade.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.