No comunicado da decisão que aumentou a Selic (a taxa básica de juros) em 1,00 ponto porcentual, de 10,75% para 11,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central renovou o alerta de que as incertezas fiscais continuam elevando o risco de desancoragem das expectativas de inflação.
O colegiado voltou a destacar o bom desempenho recente das contas públicas, mas manteve a avaliação de que essas dúvidas em relação ao arcabouço fiscal seguem resultando em uma assimetria altista no balanço de riscos considerado pelo BC.
“Esse risco está sendo parcialmente incorporado nas expectativas de inflação e preços de ativos utilizados nos modelos do Copom”, ponderou o comunicado.
O BC repetiu que o balanço de riscos permanece com fatores em ambas as direções. Por um lado, uma possível reversão – mesmo que parcial – nos preços das commodities em reais produziria uma inflação menor que a projetada.
Por outro lado, “políticas fiscais que impliquem impulso adicional da demanda agregada ou piorem a trajetória fiscal futura” podem elevar os prêmios de risco.
Copom decide adotar cenário alternativo de inflação
Diante do impacto da guerra na Ucrânia sobre os preços de petróleo, com alta volatilidade recente, e de seus efeitos sobre as projeções de inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu criar um cenário alternativo para os preços de petróleo e a inflação prospectiva.
Nesse cenário, considerado de maior probabilidade, segundo o BC, as projeções do Copom para a inflação prospectiva são menores do que no cenário de referência.
Normalmente, o BC usa, para calcular suas expectativas de inflação, um valor para o barril do petróleo em dólares em torno da média das cotações da última semana anterior ao Copom, acrescida de variação de 2% ao ano a partir de então.
No cenário alternativo, a premissa adotada é de que o preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura de mercado até o fim de 2022, terminando o ano em US$ 100/barril e passando a aumentar 2%ao ano a partir de janeiro de 2023.
No cenário alternativo, as projeções do Copom para inflação situam-se em 6,3% para 2022 e 3,1% para 2023, abaixo das projeções no cenário de referência, que usa a Selic do Boletim Focus e o câmbio variando conforme a Paridade do Poder de Compra. No cenário de referências, as projeções são de 7,1% para 2022 e 3,4% para 2023.
“Diante da volatilidade recente e do impacto sobre as projeções de inflação de sua hipótese usual para o preço do petróleo em USD**, o Comitê decidiu adotar também, neste momento, um cenário alternativo. Nesse cenário, considerado de maior probabilidade, adota-se a premissa na qual o preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura de mercado até o fim de 2022, terminando o ano em US$100/barril e passando a aumentar dois por cento ao ano a partir de janeiro de 2023. Nesse cenário, as projeções de inflação do Copom situam-se em 6,3% para 2022 e 3,1% para 2023”, disse o Copom.
Nesta quarta-feira, o Copom elevou a Selic em 1ponto porcentual, de 10,75% para 11,75% ao ano.
Para próxima reunião, Copom antevê outro ajuste de mesma magnitude
Após cumprir a promessa de reduzir o ritmo de aumento da Selic (a taxa básica de juros) para 1,00 ponto porcentual – de 10,75% para 11,75% ao ano o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou um novo aumento para 12,75% em maio e deixou claro que poderá estender o ciclo de aperto monetário o quanto for necessário para trazer as expectativas de inflação para perto da meta.
O horizonte relevante do colegiado já tem mais peso para 2023 que para este ano, que deverá registrar um novo estouro da meta.
“O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”, enfatizou o comunicado divulgado há pouco pelo BC.
Ao mesmo tempo, para justificar a redução no ritmo de alta da Selic, o Copom pregou cautela para avaliar os efeitos do atual ciclo de alta sobre os impactos secundários do choque de oferta em diversas commodities que o colegiado lembrou que se manifestam de maneira defasada sobre a inflação.
Além disso, o BC argumentou que as atuais projeções indicam que o ciclo de juros nos cenários avaliados é suficiente para a convergência da inflação para patamar em torno da meta ao longo do horizonte relevante.
“O Copom avalia que o momento exige serenidade para avaliação da extensão e duração dos atuais choques. Caso esses se provem mais persistentes ou maiores que o antecipado, o Comitê estará pronto para ajustar o tamanho do ciclo de aperto monetário. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, garantiu o comunicado.
Para o encontro dos dias 3 e 4 de maio, o BC sinalizou um novo aumento de 1,00 p.p. na Selic, para 12,75%. “O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, repetiu a instituição.