Economia

Mulheres estão cada vez mais em posição de protagonismo nos negócios

Atualmente, são mais de 89 mil mulheres no mercado, no Espírito Santo. Em todo o país, existem mais de 8 milhões de mulheres empreendedoras

Foto: Divulgação / Pexel

Nos últimos anos, o Brasil avançou na construção de um modelo de desenvolvimento econômico acompanhado pela redução de disparidades sociais históricas. O empreendedorismo tem sido estratégico para estimular um processo simultâneo de inclusão e de ascensão social. E nesse contexto, as mulheres se destacam e ganham, cada vez mais, espaço no mercado.

Cada vez mais, mulheres buscam empreender, pois muitas delas querem uma atividade rentável que possa ser construída de forma autônoma e independente.

Esta também é uma realidade no Espírito Santo. Dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae ES) apontam que no estado, a expectativa é de que em pouco tempo o número de empreendedoras ultrapasse o número de homens empreendedores. Atualmente, são mais de 89 mil mulheres no mercado e eles, 91 mil. Em todo o país, existem mais de 8 milhões de mulheres empreendedoras.

“Muitas vezes, as mulheres se encontram em uma situação de risco e ameaçadas pela violência doméstica por não terem uma renda e, a partir do momento que conquistam seu próprio dinheiro, transformam essa situação e constroem uma nova história”, analisa a diretora técnica do Sebrae, Heloisa Menezes.

Para a professora de Empreendedorismo, Ética e Responsabilidade Social da Fundação Dom Cabral, Maria Flávia Bastos, a transformação política, social e econômica pela qual atravessa o país contribui para que as mulheres busquem inovação ao empreender. “Quando falamos de mulher empreendedoras, percebemos que o cenário mudou bastante. As primeiras a empreenderem no Brasil eram aquelas que se viravam para dar conta de bancar a própria família. Então, essa mulher vendia bolos, brigadeiros, lingerie, tudo ao mesmo tempo. Atualmente, a mulher tem empreendido para mudar os paradigmas em um cenário que ela não deseja mais, ela está criando um novo mercado a partir de novas ideias”, disse.

A professora disse, ainda, que o cenário atual é um reflexo dessa mulher atual, que está empreendendo em cenários de impacto e cada vez mais nova. “É nessa fase da vida que temos mais coragem. Isso é reflexo da geração Y, que é muito focada nos seus propósitos, nas suas causas, nos seus desejos de mudar o mundo. É essa geração que vai abrir portas e janelas”.

“Reinventar”

Além da questão financeira, mulheres buscam no empreendedorismo uma forma de se reinventar. Para Mariana Cunha, foi preciso começar um novo negócio para atingir a realização pessoal.

Formada em comunicação e com uma carreira de 10 anos na área, ela não conseguiu se imaginar mais na profissão após desenvolver um processo de pânico, que desencadeou em uma depressão. Nesse momento, a publicitária achou a saída em um antigo hobby, que era cultivado como uma válvula de escape para aliviar o estresse.

“Eu virei a chave totalmente. Deixei a publicidade de lado e me dediquei à abertura do restaurante”, comenta.

Em parceria com um amigo, Mariana optou por empreender em algo que lhe trazia prazer e tranquilidade e, posteriormente, a cura.

“Foi o estresse que me trouxe o pânico e a depressão, e foi a cozinha que me tirou disso tudo. Era na cozinha que eu me encontrava, ficava em paz, que meus medos iam um pouco para longe, e aí que foi me dando segurança para recomeçar a minha vida. A cozinha deixou de ser aquele acaso esporádico, e começou a ser o dia a dia mesmo, porque era ali que eu me sentia bem”, diz.

Para a chef de cozinha, que atualmente também é responsável pelo setor de marketing do restaurante, o começo há quatro anos foi um pouco desafiador, mas a recompensa é gratificante.

“Apesar de ser um território que eu não conhecia, e no início ficar um pouco assustada, para mim foi bem libertador, porque eu tinha certeza que, a partir daquele momento, qualquer consequência que acontecesse era de responsabilidade minha. Eram consequências da minha escolha. E eu acho isso muito positivo. Eu achei que era uma boa oportunidade para me desenvolver como profissional e como pessoa também”, finaliza Mariana.

Mulheres do  Amanhã

Na próxima quinta-feira (05), serão conhecidas as vencedoras do primeiro concurso realizado no Espírito Santo para homenagear mulheres que fazem a diferença no Terceiro Setor e nos setores público e privado. O Prêmio Mulheres do Amanhã, promovido pela ArcelorMittal Tubarão, selecionou 32 finalistas, dentre 89 inscrições.

O prêmio foi lançado no final de abril e destinado para mulheres maiores de 18 anos, residentes no Espírito Santo e que estejam à frente de negócios/projetos (com ou sem fins lucrativos). Seus objetivos são identificar e homenagear negócios, iniciativas, ações ou projetos implantados pioneiramente no Espírito Santo, há até cinco anos, conduzidos exclusivamente por mulheres capixabas e que gerem transformações sociais, econômicas ou ambientais.

As vencedoras em cada categoria serão escolhidas pela mesma banca, sem votação popular, e serão conhecidas na próxima quinta-feira (05), às 19 horas, em evento de premiação exclusivo para as finalistas.

Finalistas do Prêmio Mulheres do Amanhã

Categoria Privado – Microempreendedor Individual:

Anna Paula Sampaio Barbosa

Ariadne Zandonadi Castro

Emanuelle Nunes Righetti

Francielle Teixeira Rodrigues Vionet

Lais Breder Vimercati

Luciana Soares da Silva Lopes

Monica Giuberti Boteux de Aguiar

Renata da Silva Machado

Categoria Médias e Grandes Empresas:

Edivana Poltronieri Almança

Juliana Emanuele Prado Martins Costa

Maria Angela Loyola de Oliveira

Categoria Terceiro Setor:

Ana Alice do Nascimento Silva

Bartira Gomes de Almeida

Carlota Maria Schneider Queiroz

Estefani Lopes Machado Andrade

Juliana Rohsner Vianna Toniati

Larissa Caus Delbone Vieira

Priscila Gama de Oliveira

Priscila Lube Moraes

Categoria Setor Público:

Adriana Guerini da Silva

Ana Cláudia Pereira Simões Lima

Cinthia Pretti Azevedo

Christiane Conde Chmatalik

Luciana Corrêa Miranda Malini

Magaly Nunes do Nascimento

Renata Sabra Baião Fiório Nascimento

Yngrid Pinto de Sousa

Como na categoria Média e Grande Empresa não houve oito finalistas, as vagas remanescentes foram direcionadas às cinco concorrentes mais bem pontuadas, após as 27 classificadas. São elas:

Alessandra dos Santos

Deborah Sabará

Fabiola Molulo Tavares

Raquel de Jesus

Renata Barcelos Caetano

Fortalecimento

Os Princípios de Empoderamento das Mulheres publicados pela ONU consistem em sete princípios orientadores voltados ao empoderamento econômico das mulheres a serem adotados por todos os signatários.

Veja os sete princípios:

1) Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível;

2) Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não discriminação;

3) Garantir a saúde, a segurança e o bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa;

4) Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres;

5) Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres por meio das cadeias de suprimentos e marketing;

6) Promover a igualdade de gênero por meio de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social;

7) Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.