Ações da Petrobras despencam, Bolsa sofre queda e dólar sobe

Economia

Ações da Petrobras despencam, Bolsa sofre queda e dólar sobe

Intervenção do presidente Jair Bolsonaro na Petrobras, com o anúncio sobre troca de comando da estatal, trouxe forte impacto para o mercado financeiro

Foto: Agência Brasil

O Ibovespa fechou em forte queda nesta segunda-feira (22), com Petrobras perdendo R$ 74 bilhões em valor de mercado e investidores enxergando aumento relevante de risco de interferência do governo em estatais. Banco do Brasil desabou 11,65%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 4,87%, a 112.667,70 pontos, menor patamar de fechamento desde 3 de dezembro de 2020. Foi também a maior queda percentual diária desde 24 de abril do ano passado. Influenciado pelo vencimento de opções sobre ações, units e cotas de ETFs na B3 nesta sessão, o volume financeiro atingiu R$ 84,5 bilhões, superando o recorde de dezembro do ano passado, quando registrou R$ 81,5 bilhões, em sessão marcada pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa. 

Após indicar na última sexta-feira o general Joaquim Silva e Luna para assumir o comando da Petrobras após o encerramento do mandato de Roberto Castello Branco, o presidente Jair Bolsonaro prometeu no fim de semana mais mudanças e afirmou que irá "meter o dedo na energia elétrica".

O câmbio também foi afetado pela pressão interna causada pela interferência na Petrobras. O dólar fechou hoje em alta de 1,27%, cotado a R$ 5,4539, em resposta ao leilão de US$ 1 bilhão de dólares feito pelo Banco Central, após bater em R$ 5,53 na máxima do dia.

TROCA DE COMANDO

A elevação do valor do dólar, de acordo com sócio e diretor da Valor Investimentos, Paulo Henrique Corrêa, pode ser explicada pelo gesto do presidente em afastar o antigo presidente da estatal, Roberto Castello Branco, colocando em dúvida como será conduzida a gestão das empresas em que o governo tem participação econômica.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

"O governo até então tinha um viés de política econômica mais liberal, ou seja, de pouca interferência na economia, com a mudança feita pelo presidente muitos investidores internacionais se uniram e fizeram o movimento 'flight two quality', no qual eles retiram o investimento do país e levam para outro. Dessa forma, tivemos uma saída de dinheiro do Brasil, explicou.

Ainda de acordo com ele, o movimento feito por Bolsonaro deixa dúvida em não saber como será conduzida a economia no país. "Mesmo a Petrobras pertencendo ao governo federal, ela tem outros investidores que precisam saber a forma que ela será administrada", destacou.

DÓLAR EM ALTA. E O ESPÍRITO SANTO?

O Espírito Santo, por se tratar de um estado que exporta e importa produtos, qualquer mudança no dólar gerará impactos, favorecendo ou não a economia. Por exemplo, o produtor que envia café para outro país terá um lucro maior com o aumento da moeda americana, já aquele que compra um maquinário, fará a aquisição com o preço maior.

Sobre as perspectivas da alta ou não do d´ólar para a semana a informação é que depende muito das próximas medidas tomadas pelo presidente. "A intervenção do governo pode ocasionar volatilidade do preço, então dependemos muito dos próximos passos do governo", afirmou Paulo Henrique Corrêa. 

Em relação a queda da Ibovespa, a professora e doutora em ciências contábeis, Neyla Tardin conta que a intervenção do estado na política de preços da Petrobras fez o mercado reagir mal à notícia.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

"Existe uma correlação negativa entre bolsa e dólar. Em geral, quando a bolsa cai, o dólar sobe, deixando importados ainda mais caros e mexendo com o bolso do consumidor", explicou.

Ainda segundo Neyla é preciso precaução ao tentar controlar preços de insumos por medidas administrativas. "O câmbio não é fixo, ele é volátil. Alguém vai pagar por essa intervenção: investidores, governo, consumidores. Pode ser que não haja redução do combustível, devido a alta do dólar. E os alimentos importados também vão subir de preço, gerando inflação de custo", adiantou ela.

INTERFERÊNCIA

Bolsonaro confirmou na sexta-feira (19) os rumores de que trocaria o comando da Petrobras. Em post publicado em suas redes sociais, ele comunicou a indicação do general Joaquim Silva e Luna para substituir o atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco.

A escolha do governo, porém, precisa ser aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras, e a companhia informou, após o anúncio feito por Bolsonaro, que o mandato de Castello Branco se encerra no dia 20 de março.

O presidente Bolsonaro disse ainda que vai "meter o dedo na energia elétrica", e que, "se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, na semana que vem teremos mais". 

FONTE: Com informações do portal R7