*Artigo escrito por Gil Andriani, CEO, fundador da IaCrypto e membro do Comitê Qualificado de Conteúdo de Inovação e Tecnologia do IBEF-ES.
Expandir um negócio para o mercado internacional é um objetivo ambicioso e desafiador, mesmo para empresas 100% digitais.
Estas companhias enfrentam barreiras de nacionalização, sendo necessário adaptar-se às peculiaridades culturais, legais e econômicas de cada país.
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Um exemplo notável é o Uber, que precisou ajustar sua operação ao entrar em diversos mercados.
Nos Estados Unidos, a plataforma foi bem recebida por oferecer uma alternativa aos táxis tradicionais.
Todavia, em países como o Brasil, a segurança tornou-se uma prioridade. A empresa implementou funções específicas, como a checagem de antecedentes dos motoristas e a opção de compartilhar a viagem em tempo real.
Na Índia, o Uber enfrentou um mercado com forte concorrência local e adaptou suas formas de pagamento, incluindo a possibilidade de pagar em dinheiro, algo não usual em outros países.
Já no Japão, onde a cultura valoriza um serviço de excelência, o Uber teve que elevar o nível de treinamento de seus motoristas para atender às expectativas dos consumidores.
Outro exemplo relevante é a indústria de games. Empresas como a Nintendo e a Sony ajustam seus produtos e campanhas de marketing para cada região.
Jogos que fazem sucesso nos Estados Unidos podem não ter a mesma recepção na Ásia devido a diferenças culturais e preferências de gameplay.
Além disso, os preços dos itens e jogos são frequentemente ajustados para refletir a capacidade econômica de cada país.
Por exemplo, um jogo que custa US$ 60 nos Estados Unidos pode ter um preço significativamente menor na América Latina para se adequar ao poder de compra local.
Outro setor que ilustra bem os desafios da internacionalização é o de streaming. A Netflix, por exemplo, investe pesadamente na produção de conteúdo local para atrair assinantes em diferentes regiões.
Na Índia, a empresa criou séries e filmes em hindi e outras línguas locais, enquanto no Brasil, investe em produções que refletem a cultura e os interesses locais.
Esta estratégia não só atrai mais assinantes, mas também ajuda a empresa a se integrar culturalmente em cada mercado.
Além das diferenças culturais, aspectos legais também representam um obstáculo significativo.
Regras de proteção de dados, como o GDPR na Europa, exigem que empresas digitais ajustem seus processos de coleta e armazenamento de informações.
Outro desafio é a conformidade com as leis trabalhistas locais, que variam amplamente entre os países.
Por exemplo, a classificação dos motoristas do Uber como empregados ou contratados independentes tem gerado debates legais em várias regiões.
As estratégias de marketing e comunicação também precisam ser localizadas. Campanhas que funcionam bem nos Estados Unidos podem não ressoar da mesma forma na Ásia ou na América Latina.
Traduzir o conteúdo não é suficiente; é necessário entender os valores e hábitos do público-alvo.
A infraestrutura tecnológica requer ajustes conforme a internacionalização avança.
Serviços digitais precisam garantir uma performance consistente e segura em diferentes regiões, enfrentando desafios como a latência de rede e a disponibilidade de servidores locais.
Dados recentes mostram que empresas que adaptam suas estratégias às especificidades locais aumentam suas chances de sucesso em 30%.
Em resumo, a internacionalização de negócios digitais é um processo complexo que vai além da simples tradução do site ou aplicativo.
É essencial uma abordagem holística que considera aspectos culturais, legais, tecnológicos e econômicos.
Os casos do Uber, da indústria de games e do streaming ilustram bem como a adaptação às particularidades de cada mercado é crucial para o sucesso global.
Portanto, a habilidade de uma empresa digital em se nacionalizar de forma eficaz é vital para seu sucesso no mercado global.
*Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo