*Artigo escrito por Pedro Henrique Mariano, MBA em Controladoria e Finanças, consultor e executivo de Controladoria, Planejamento, Finanças, Orçamento, Resultado e Processos e membro do Comitê Qualificado de Conteúdo de Economia do IBEF-ES.
A sociedade moderna tem como premissa o crescimento econômico constante para, entre outros motivos, ter condições de sustentar o aumento populacional e as demandas de consumo.
A necessidade de se adaptar a novos meios de produção e ao mercado de trabalho, principalmente colocando em perspectiva as transformações e os saltos tecnológicos da humanidade desde o século XIX, a partir da Revolução Industrial, é alimentada em ritmo acelerado.
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Energia é um dos principais elementos para suportar o ganho de escala mundial da raça humana.
O setor energético tem parte importante da responsabilidade sobre o crescimento econômico sustentável, que será determinante para a continuidade das espécies.
Tem-se, então, uma busca por alternativas limpas e sustentáveis para o futuro, além do fomento das energias renováveis já amplamente difundidas.
A Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu, em 2015, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, chamada Agenda 2030, um plano universal de ações que equilibra as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.
O objetivo “Ação contra a mudança global do clima” está diretamente relacionado ao tema, mas é possível vincular várias das demais metas com questões ambientais.
Para ilustrar, a “Educação de qualidade” tem o potencial de gerar grandes impactos nas discussões sobre questões climáticas, pois a educação tem o poder de sensibilizar. Com uma consciência coletiva mais informada, pode-se direcionar esforços para uma conservação mais eficaz do planeta.
Fonte: ONU
É comum o alerta de que é necessário cuidar do planeta para as gerações futuras, mas não é o que ocorre na prática.
Desde 1970, o “dia da sobrecarga”, todo ano, marca a data em que as demandas por recursos naturais superam a capacidade da Terra de se regenerar.
Para 2023, todo o consumo de recursos, a partir do dia 2 de agosto, será saldo negativo para o ser humano na caminhada ao futuro sustentável.
O universo não se importa com a economia
Existem evidências de que o planeta Terra, de 4,5 bilhões de anos de idade, já experimentou cinco eventos de extinção em massa, sendo o último em torno de 66 milhões de anos atrás, resultando na extinção dos dinossauros.
Isso demonstra que todo impacto ambiental criado pelo ser humano, e que traz risco para a existência das espécies, não mudará a capacidade do planeta de superar as grandes mudanças em sua superfície, independentemente das consequências climáticas provocadas pela civilização.
Entretanto, a crise climática representa uma ameaça para o equilíbrio da economia mundial.
Fatores como eventos catastróficos e atípicos da natureza, assim como prejuízo na capacidade da sociedade, tanto como força de trabalho quanto na produção alimentícia, têm o poder de influenciar diretamente a dinâmica das atividades de comércio dos países.
Diversas regiões do mundo possuem populações inteiras sob diferentes níveis de risco, seja ambiental ou humanitário.
Históricos de colonização, a má distribuição da riqueza e, consequentemente, da infraestrutura e recursos, estabelecem que a capacidade de responder a grandes desafios não é uniforme entre os países, o que mostra que uma mobilização geral em prol do clima é importante.
Como exemplo de efeitos climáticos, os oceanos tendem a elevar o nível de suas águas e atividades portuárias e de aeroportos estabelecidas em regiões costeiras podem ser comprometidas.
Ou, ainda, regiões de floresta e plantio estarão sujeitas a secas severas e chuvas em excesso que, por sua vez, podem desequilibrar os ecossistemas e comprometer o suprimento de alimento para as pessoas ao redor do globo.
O cientista astrônomo Carl Sagan, a partir de uma fotografia tirada em uma viagem da sonda Voyager 1, em 1990, compartilhou suas reflexões sobre o planeta Terra na vastidão do Universo e os cuidados que devem ser adotados.
“A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa migrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto”.
Caminhos para as gerações futuras
Adotado em 2015, o Acordo de Paris – tratado internacional sobre mudanças climáticas que abrange mitigação, adaptação e financiamento de recursos para os países lidarem com os impactos gerados por elas – determinou o objetivo de limitar o aquecimento global.
A partir de então, governos e líderes assumiram compromissos de reduzir suas emissões de carbono a partir do ano de 2020.
A pauta ”Ambiental, Social e Governança” (Environmental, Social and Governance) ajuda a pressionar as metas estipuladas, porém há estudos que indicam que a “descarbonização” não está no ritmo esperado.
Com o inevitável aumento da demanda energética da população global, vê-se atualmente, na área da energia nuclear, um caminho para a limpeza da matriz energética.
Apesar de casos amplamente conhecidos como o de Chernobyl, com problemáticas nas questões de armazenamento do lixo radioativo e riscos de acidentes, uma nova maneira na produção de energia nas usinas – a fusão nuclear utilizando o elemento químico hélio-3, chamado de “combustível do futuro” por cientistas – poderá ocorrer em reatores seguros, limpos e com zero dejetos radioativos.
Se respeitados os acordos globais firmados sobre as mudanças climáticas e, em paralelo, adotadas novas tecnologias que tornem a presença do ser humano no planeta mais sustentável, é possível vislumbrar um futuro melhor para as gerações seguintes.
Não seguir nessa direção pode representar um risco para a manutenção da sociedade moderna na Terra. Seja qual for o caminho, a economia global está em jogo.