Economia

Estado deve fechar 2024 com crescimento de 4,8% no PIB

Segundo dados do Índice de Atividade Econômica do Observatório da Indústria, mesmo com a alta dos juros a economia capixaba também deve crescer em 2025

Foto: Divulgação
Indústria estrutural deve se consolidar como trunfo do ES para crescimento do PIB

Um fim de ano em alta e 2025 com olhos atentos aos juros e ao dólar. Assim o Observatório da Indústria avalia a economia do Estado neste período. Segundo dados do Índice de Atividade Econômica, 2024 deve fechar com um crescimento de 4,8%. No ano que vem, a projeção é de que o PIB capixaba alcance 2,9%. Os números são baseados nos resultados já divulgados.

Segundo o Observatório, os números do terceiro trimestre apontam que o Estado cresceu 3,4%, acima do PIB do Brasil que cravou 3,3%. Os setores capixabas que mais puxaram a economia foram a agropecuária (8,3%), os serviços (3,2%) e a indústria (3,1%). Mas, com o cenário de alta de juros, dólar nas alturas e aversão ao risco, será que esses crescimentos estão todos garantidos?

“Eu não gosto de usar a palavra ameaça porque eu acho que a gente tem que olhar sempre com perspectivas importantes. Mas temos a taxa de juros e temos a reforma tributária principalmente. Quando a gente tem uma expectativa, cria incertezas, a incerteza nunca é um bom fator para os negócios. Essa projeção de crescimento de 2,9% no ano que vem já vem considerando o início dessa subida de juros. Mas, por sermos um Estado com setores muito estruturais e que respondem ao mundo, esse impacto é minimizado”, pontuou o presidente da Findes, Paulo Baraona.

A economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório da Indústria, Marília Silva, chamou a atenção justamente para um setor estrutural que deve ter um peso grande nos resultados do ano que vem. A consolidação da produção de petróleo com o navio-plataforma Maria Quitéria deve garantir ganhos reais para a economia. Ela citou ainda outro segmento que deve apresentar crescimento no ano que vem que é o de papel e celulose com a nova fábrica em Aracruz.

“A dúvida é de que uma política monetária mais restritiva vá ou possa impactar a economia como um todo. Mas a gente também precisa lembrar que, no caso do Brasil, a gente começa o ano achando que o país vai crescer 1 e pouco e acaba crescendo 3. No fundo a gente tem um mercado de trabalho aquecido e uma economia que está crescendo. Então, eu acredito que possa impactar no crescimento. Esses 2,9% que a gente está projetando, é para onde a gente acha que o Estado vai caminhar no ano que vem”, cravou a gente.

Foto: Edu Kopernick
Paulo Baraona e Marília Silva: Mesmo com desafios, PIB capixaba deve crescer 2,9% no ano que  vem

NIB

Outra grande expectativa para o próximo ano são os investimentos que virão da Nova Indústria Brasil (NIB), um programa do governo que deve promover a injeção de R$ 300 bilhões na indústria. Esses novos investimentos devem aumentar a produtividade e deixar o parque industrial capixaba mais preparado para os desafios de mercado. E, de acordo com as características econômicas do Estado, alguns setores tendem a ter maior destaque.

“A disposição do Estado é muito voltada à área ambiental. O Espírito Santo tem um plano de descarbonização, é um Estado que está em vias de ter um fundo ESG com recursos de um insumo fóssil. São muitas iniciativas que colocam o Espírito Santo numa situação única, que outros estados não têm. Então, talvez hoje a gente ainda não seja essa economia diversificada, mas eu acho que a gente tem, vamos dizer assim, ferramentas importantes para se organizar e caminhar para isso”, disse Marília Silva.