A partir do próximo sábado (07), a tarifa de energia elétrica vai sofrer reajustes no Espírito Santo. O aumento médio da tarifa, considerando pequenos e grandes consumidores, será de 9,75%.
Para o consumidor industrial, o reajuste será de 6,89%. Já para o consumo residencial, de baixa tensão, serão 9,81% de alta.
Os reajustes na tarifa de energia para o Espírito Santo foram homologados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na terça-feira (03).
Com o aumento da tarifa, um consumidor residencial que costumava pagar uma conta de R$ 100,00, por exemplo, passará a pagar R$ 109,81.
A cada R$ 100,00 de uma fatura mensal apresentada ao cliente, R$ 25,50 serão destinados à EDP, concessionária responsável pelo fornecimento de energia no Espírito Santo, para a cobertura dos custos com operação, manutenção e investimentos na rede de distribuição de energia elétrica.
Outros R$ 37,90 serão destinados ao pagamento das despesas com geração e transmissão da energia, enquanto os R$ 36,60 restantes serão destinados aos encargos setoriais, impostos e tributos.
Os quase 10% de reajuste na tarifa da energia elétrica serão sentidos pela família do síndico Marciano Fuentes. No apartamento da família, só na cozinha tem micro-ondas, forno elétrico, air fryer, panela elétrica, freezer, geladeira, TV e até um aparelho de ar condicionado.
Isso sem contar os outros cômodos da casa e a pequena Maitê, que passa boa parte do tempo em frente à televisão da sala. O resultado, segundo Marciano, vem na conta de energia.
“Geralmente é de R$ 350 a R$ 400 por mês. A gente tenta sempre buscar a economia da seguinte forma: se a gente está aqui na sala, no quarto e no banheiro as luzes têm que estar todas apagadas. E se a gente está vendo televisão, a gente vê em família, juntos”, contou.
Já a publicitária Isabelle do Prado afirma que o reajuste vai apertar ainda mais as finanças da casa.
“Cada mês que passa a conta fica mais alta e compromete uma maior parte do nosso salário. Como nós somos estudantes e trabalhamos, muitas das vezes nós utilizamos a energia de casa para fazer home office”, afirma.
Para a microempresária Perla Mendes, que tem uma pequena fábrica de roupas em Viana, o aumento da tarifa será mais um desafio nas contas mensais. Atualmente, a produção é pequena. Além da mão de obra, que anda escassa, o custo da energia elétrica se tornou outro obstáculo para produzir mais.
Com apenas duas máquinas funcionando, ela diz que a conta no final do mês está em quase R$ 400.
“Cada mês é uma surpresa. E não adianta a gente tentar economizar. Tanto que agora é inverno, não se usa o ventilador, e a conta é alta. [Se estivesse com todas as máquinas funcionando] com certeza viria mais de R$ 1 mil”, lamenta.
Em um momento ruim da economia, a microempresária diz que não dá para repassar o custo adiante.
“Roupa não é uma coisa prioritária na vida das pessoas. E aí não tem como aumentar, porque já não tem muitas vendas, sempre tem um argumento. Então o valor final sobra para a gente mesmo”.
Perda de poder aquisitivo
O custo mais alto da energia elétrica vem acompanhado de um cenário de alta taxa de desemprego, em todo o Brasil, e perda de poder aquisitivo do trabalhador durante a pandemia.
Para o economista Eduardo Araújo, o preço da energia elétrica vai impactar na inflação, que já vem sendo puxada para cima pelo aumento de outros itens.
“Energia elétrica está presente em tudo. Então isso acaba causando uma elevação da inflação. O problema é que essa alta da energia elétrica se soma a outras elevações de preço. Os consumidores já pagam preços muito elevados para alimentos, combustíveis — a gasolina tem tido uma valorização de cerca de 10% nos últimos três meses. Tudo isso se traduz num cenário de piora da qualidade de vida e, de certa maneira também, de empobrecimento das pessoas”, destacou o economista.
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O que impacta no preço da energia elétrica
A tarifa de energia elétrica é composta de custos da geração, transmissão e distribuição de energia, além de encargos e tributos.
Quando a conta chega, o consumidor paga pela compra da energia (custos das empresas geradoras), pelo transporte da mesma (custos das empresas de transmissão de energia), pela distribuição (parte que cabe à EDP) e pelos encargos setoriais e tributos.
Os itens que mais impactaram as novas tarifas foram a elevação no custo de compra de energia elétrica, devido principalmente à crise hídrica enfrentada pelo País — a pior dos últimos 91 anos — e a atualização dos custos de prestação dos serviços de distribuição de energia, puxados pelo IGPM no período.
Por outro lado, alguns fatores ajudaram a controlar o reajuste, mantendo a correção em menos de 10%. Primeiro, a Aneel estabeleceu mecanismos para mitigar parte do aumento tarifário previsto.
Além disso, a EDP disse que solicitou ao órgão regulador o abatimento, no cálculo, de R$ 156 milhões relativos ao PIS/COFINS, contribuindo para reduzir o reajuste em 4 pontos percentuais.
Composição do valor da fatura de energia:
– 37,9% se referem a custos com a compra de energia (geração) e a transmissão de energia;
– 36,6% correspondem a tributos e encargos setoriais;
– 25,5% são os custos com distribuição de energia até o seu imóvel (parte destinada à EDP)
Com informações do repórter Alex Pandini, da TV Vitória/Record TV