São Paulo – O consumidor se mostra desacreditado em relação a uma recuperação da economia no segundo semestre, segundo detectou pesquisa feita pelo SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com 600 pessoas em todo País. Para 47% deles, a economia não deve se recuperar entre julho e dezembro. Apenas 29% dos brasileiros nutrem alguma esperança de que o País volte a crescer ainda em 2017.
Quando a análise se detém à situação financeira do entrevistado, os números não diferem tanto. Para 13%, o segundo semestre será pior, 35% pensam que será igual, ao passo que outros 35% têm esperanças de que haja alguma melhora. Entre aqueles que apostam na piora da vida financeira, mais da metade (57%) justifica dizendo que a economia do País não deverá melhorar, impactando por consequência o bolso dos brasileiros.
Receosos de que a crise se prolongue por mais um tempo, os brasileiros começam a preparar o orçamento para momentos de aperto. Nesse sentido, 25% dos entrevistados pretendem evitar, nos próximos seis meses, o uso do cartão de crédito e 23% planejam fazer mais pesquisas de preços. Há ainda 21% de brasileiros que vão passar a dar prioridade para pagamentos à vista e 20% que vão tentar aumentar a renda com trabalhos extras.
De acordo com ela, o consumidor sabe que as compras parceladas representam risco de endividamento, situação que poderia fugir ainda mais ao controle em caso de desemprego.
Se para o mercado financeiro a redução da inflação e da taxa básica de juros (Selic) já diz muito, para o consumidor comum o pretenso alívio ainda não chegou. Para 76% de um total de 600 consumidores ouvidos na pesquisa, a vida financeira continuou igual ou pior ao longo do primeiro semestre comparativamente ao mesmo período do ano passado.
A avaliação que os entrevistados fazem do desempenho da economia do País como um todo vai na mesma direção. Para 39% dos entrevistados, as condições da economia brasileira pioraram nos seis primeiros meses deste ano em relação ao ano passado, enquanto para 38%, ela se manteve do mesmo jeito. De modo inverso, apenas 19% acreditam que houve melhora ao longo do período.
De acordo com ele, as projeções indicavam que o início da recuperação se daria ao longo do segundo semestre. “Agora, porém, levantam-se muitas dúvidas sobre essa possibilidade acontecer neste ano”, disse Pinheiro.
Resultado do dinheiro mais curto, afirmam o SPC Brasil e a CNDL, é que 38% dos entrevistados foram parar nos cadastros de inadimplentes pelo não pagamento das contas. Mais da metade, ou 51% dos consumidores, admitiu ter ficado vários meses ao longo deste ano com as contas no vermelho e 56% não estão conseguindo pagar todas as contas em dia.
Neste ano, 80% dos consumidores que participaram da pesquisa disseram que se viram obrigados a fazer cortes no orçamento ao longo do primeiro semestre deste ano para lidar com os efeitos da crise. O principal item cortado por esses consumidores foi a alimentação fora de casa, segundo 57% pessoas.