Economia

Turismo de observação de baleias gera emprego e negócios no Espírito Santo

O fenômeno ainda é pouco explorado e pode gerar renda e desenvolvimento econômico sustentável. Especialistas disseram que o Estado já está sendo adaptado

A economista Thais Zara esteve na reunião com os representantes do projeto Foto: Gustavo Louzada

Todos os anos, entre os meses de junho e novembro, aproximadamente 17 mil baleias Jubarte passam pela costa do Espírito Santo para o ciclo de reprodução da espécie. O fenômeno, ainda muito pouco explorado por aqui, promete ser uma oportunidade de negócio promissor através do turismo de observação, que deve gerar emprego, renda e desenvolvimento econômico sustentável nos próximos anos para o Estado. 

O assunto foi pauta de uma apresentação feita por representantes do projeto Amigos da Jubarte na manhã desta quarta-feira (28), durante a reunião trimestral do Grupo Permanente de Acompanhamento Empresarial do Espírito Santo (GPAEES). Um dos coordenadores da iniciativa, o ambientalista Thiago Ferrari adiantou que o Estado já está sendo adaptado para receber o turismo de observação, a começar por uma capacitação de operadoras de turismos e mestres de embarcações que acontece nesta sexta-feira (30).

“Abrimos as inscrições da capacitação com 30 vagas e tivemos a surpresa de ter mais de 300 inscritos, o que prova que existe uma demanda reprimida no Espírito Santo para este tipo de negócio. Vamos capacitar 35 operadoras de turismo e já pretendemos abrir uma nova rodada diante dessa grande demanda de pessoas, operadores e agências que querem desenvolver esse potencial turístico no Estado”, ressaltou Ferrari.

A inspiração para desenvolver o turismo de observação da Jubarte no Espírito Santo veio da Bahia, que já executa o projeto há quase 30 anos, capacita empresas anualmente e recebe cerca de 7 mil visitantes a cada temporada. “Nosso objetivo é aproveitar esse potencial que temos no Espírito Santo e integrar a Jubarte como ícone cultural capixaba. Fazer com que o turista venha ao Estado para observar as baleias”, disse Ferrari.

De acordo com Paulo Rodrigues, oceanógrafo e coordenador do projeto Amigos da Jubarte, o turismo de observação movimenta cerca de US$ 2 bilhões por ano no mundo, gerando 13 mil empregos. Na América do Sul, a prática cresce 10% ao ano e somente Brasil e Argentina registram 200 mil observadores anualmente. 

Japão

As oportunidades trazidas pela tecnologia milenar da cultura japonesa a partir das culturas da banana e do bambu também foram assunto na reunião do GPAEES, através de uma apresentação da Japan House São Paulo – primeira unidade do governo japonês fora do país e que já recebeu mais de 100 mil visitantes desde a sua inauguração, em maio. As próximas unidades serão inauguradas em Londres e Los Angeles no ano que vem.

De acordo com Fábio Laudísio e Lígia Feichas, diretor de Marketing e gerente de Negócios do empreendimento, respectivamente, a Japan House vem para criar novas oportunidades de negócios entre os dois países. 

“O nosso objetivo é ser uma ponte, uma plataforma entre Brasil e o Japão”, ressaltou Laudísio. Primeira apresentação fora da casa após a sua inauguração, ele disse que esse contato com empresários e executivos do Espírito Santo já serviu para pensar em projetos, como o desenvolvimento de negócios em torno do bambu e da bananeira. 

Economia

O Espírito Santo apresenta sinais claros de recuperação econômica acompanhando o desempenho da economia brasileira: geração de empregos, aumento na produção industrial e melhoria no comércio varejista são alguns dos indicadores que demonstram crescimento nos últimos meses. A análise foi da economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thaís Zara, que participou da reunião. Com a presença de empresários e executivos, ela disse que acredita em uma recuperação da economia, mesmo que lenta e gradual.

“Ainda há otimismo no campo econômico. Há uma percepção de descolamento da política econômica com a crise política. Sabe-se da importância da austeridade fiscal, da queda dos juros e da inflação”, analisou.

Já o cientista político e professor José Luiz Niemeyer, que alegou que é impossível tratar de conjuntura porque o cenário muda a cada dois dias, disse que é necessário aguardar os processos para não se buscar medidas de curto prazo que não resolvem a atual situação política e econômica.

“A discussão hoje é sobre como governar o país. Na minha perspectiva está um pouco exagerada essa intenção de querer mudar o chefe do Executivo a todo o momento, me parece complicado. Temos que pensar um pouco melhor. As denúncias são graves, bem substanciadas, mas vamos aguardar o processo legal porque estaremos sempre buscando soluções de muito curto prazo e não as que resolvem de maneira mais estrutural o país. Era fundamental, por exemplo, uma reforma política, mas feita com profundidade”, avaliou.