Economia

Uma semana depois, postos da Grande Vitória seguem com os estoques de combustíveis em baixa

Segundo o Sindipostos, o problema está na dificuldade que alguns navios de transporte de combustíveis têm encontrado para atracar nos portos do ES

Foto: Saulo Dias| PhotoPress |Estadão Conteúdo

Os navios responsáveis por fazer o transporte de combustíveis para o Espírito Santo continuam encontrando dificuldade para atracar em portos do Estado. Com isso, os postos seguem com os estoques em baixa. Alguns deles já estão há dias sem combustíveis nas bombas.

Um desses estabelecimentos está localizado na Avenida Marechal Campos, em Vitória. O proprietário do posto, Thiago Pignaton, conta que o estoque de diesel acabou no domingo (17) e que, até agora, nada de chegar mais. Segundo ele, na semana passada também faltaram gasolina e etanol.

“Já vem de alguns dias, de algumas semanas. Na semana passada se agravou. A gente inclusive ficou sem gasolina, gasolina aditivada, etanol e diesel S10. É uma situação muito complicada, porque o cliente chega e é muito indelicado informar que não tem o combustível para abastecer”, lamentou.

Já em um posto localizado na Avenida Carlos Lindenberg, em Cobilândia, Vila Velha, o etanol está em falta. O estudante universitário Paulo Vitor de Sousa tentou abastecer a moto no estabelecimento, mas não conseguiu. Ele disse que chegou a ir a outros dois postos, onde também não tinha álcool para vender.

“Já rodei uns três postos e está difícil achar álcool. Vou ter que rodar em outro posto de gasolina para ver se eu encontro álcool para abastecer a moto”, disse.

Já o motorista Cleber Gonçalves Dias contou que rodou pela Grande Vitória, nesta terça-feira (19), mas não conseguiu encontrar óleo diesel para abastecer o caminhão que usa para trabalhar. 

O motorista, que precisa transitar por vários municípios para fazer entrega de alimentos, diz que já está há duas semanas com dificuldade para abastecer o veículo.

“Nas cidade em que a gente faz as entregas, a gente aproveita e completa o tanque, porque senão não volta para casa”, afirmou.

Sindipostos espera que situação se normalize nos próximos dias

De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipostos), o problema da falta de combustíveis, que ocorre desde a semana passada, está no atraso que alguns navios encontram para atracar nos portos do Espírito Santo. Entretanto, segundo o sindicato, há uma expectativa de que a situação comece a se normalizar nos próximos dias. 

De acordo com o Sindipostos, além de um navio que chegou com combustíveis na última sexta-feira (15), é aguardada a vinda de uma nova embarcação para começar a normalizar o abastecimento de gasolina nos próximos dias. Já a situação do óleo diesel pode levar mais tempo para ser normalizada.

Foto: Reprodução
Petrobras informou que algumas embarcações estão tendo dificuldade para atracar no Porto de Tubarão

Na semana passada, a Petrobras informou que as embarcações vinham chegando na data prevista, mas que precisavam aguardar na fila para atracar no Porto de Tubarão. 

Na ocasião, a Vale, operadora do Porto de Tubarão, informou que as dificuldades para atracação ocorriam devido às condições climáticas desfavoráveis. Agora o posicionamento da empresa é de que a responsabilidade pelo cronograma dos navios é da Transpetro.

A produção da TV Vitória/Record TV entrou em contato com a Transpetro, cobrando um posicionamento sobre o assunto, mas ainda não houve retorno.

A Petrobras informou também que está ampliando a oferta de combustíveis para as distribuidoras de Betim, em Minas Gerais, e Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, para evitar que falte combustível. 

O problema da escassez de combustíveis tem levado algumas distribuidoras a buscar os produtos de caminhão. Com isso, o custo do frete acaba aumentando ainda mais o preço dos combustíveis.

Como consequência dessa situação, o consumidor já percebeu um novo aumento de preço, mesmo sem um novo reajuste anunciado pela Petrobras nas refinarias.

“Já é o terceiro posto que eu parei para abastecer e não estamos encontrando gasolina. E o preço ainda, nem se compara. Muito alto, perto daquilo que a gente comprava nos anos anteriores”, reclamou o empresário Ricardo Carriço.

* Com informações do repórter Alex Pandini, da TV Vitória/Record TV