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Alemanha e Argentina jogam para desempatar as finais

Nas duas finais disputadas até agora entre esses gigantes do futebol mundial, um título para cada lado. As duas equipes se enfrentam na final deste Mundial no próximo sábado, no Maracanã

Alemanha e Argentina jogam para desempatar as finais
Alemanha e Argentina lutam pelo título da Copa do Mundo 2014

Belo Horizonte – O placar da final entre Argentina e Alemanha, domingo, começa empatado por 1 a 1. Nas duas finais disputadas até agora entre esses gigantes do futebol mundial, um título para cada lado. O Maracanã será o palco do tira-teima. “É uma oportunidade de vingança para os dois lados. Para eles e para nós. A briga está um a um, e agora vamos decidir o vencedor. Esta é a terceira partida”, confirma Carlos Bilardo, coordenador de seleções nacionais da Argentina.

Bilardo é figura importante dessa história. Ele foi o técnico da seleção argentina campeã em 1986. E tudo o que passou naquele histórico 29 de junho ainda está fresco na memória do senhor grisalho, que fala aos trancos, sempre com as mãos. A final do Estádio Azteca estava empatada por 2 a 2. A Argentina abriu 2 a 0, gols de Valdano e Brown, mas permitiu o empate da traiçoeira Alemanha, que parecia ter virado para si a tábua do jogo.

Aos 38 minutos do segundo tempo, apenas três depois de Rudi Völler ter empatado o jogo e colocado em todos a expectativa de uma prorrogação. Maradona deu um toque na bola. De primeira, lançou na direita para Burrochaga que avançou meio campo e tocou na saída do goleiro Schumacher para fazer o 3 a 2. Foi o único momento em que Maradona conseguiu respirar. E, nesse momento, deu um sopro de vida ao claudicante time argentino. Era a segunda conquista mundial da Argentina, a última desde então. De lá para cá, desde aquele toque genial, que valeu por uma Copa inteira, nenhuma outra taça foi levantada.

Mas a Alemanha não desiste nunca. Quatro anos depois, em 1990, as duas seleções decidiam a Copa da Itália. O palco era o Estádio Olímpico, em Roma. A história do 8 de julho pendeu para o lado germânico. A Argentina tinha um jogador a menos – o zagueiro Monzón havia sido expulso aos 20 minutos do segundo tempo -, e o 0 a 0 persistia. Aos 39 minutos, o árbitro mexicano Edgardo Codesal marcou pênalti de Sensini em Völler em um lance polêmico. No momento da transmissão da tevê pela TV Globo, o comentarista Arnaldo Cezar Coelho afirmou que não havia sido pênalti. O lateral Brehme cobrou e conseguiu vencer o goleiro Goycochea, que havia defendido quatro penalidades no Mundial. A Alemanha era tricampeã do mundo.

O tira-teima de domingo atualiza a rivalidade daquelas duas finais consecutivas – esta é a final que mais se repetiu na história das Copas -, mas seus alicerces são as trajetórias que as duas seleções tiveram nos anos que se seguiram. A Argentina viveu um declínio e voltou a figurar entre as quatro melhores seleções do mundo após 24 anos – a última vez havia sido exatamente na Copa de 1990.

A Alemanha se tornou uma superpotência contemporânea e, pela quarta vez consecutiva está entre as principais equipes. Foi vice-campeã em 2002 e terceira colocada em 2006 e 2010. Os alemães, orgulhosos, costumam dizer que a Copa só começa mesmo nas semifinais.

Depois daquelas duas finais, este será o terceiro duelo consecutivo entre os dois países, com supremacia dos alemães. Eles despacharam os argentinos nas quartas de final em casa e também na África do Sul, com um estrondoso 4 a 0 que fez tremular a aura santa de Maradona, então técnico da seleção argentina. Na história das Copas, são seis confrontos: duas vitórias para cada lado e dois empates, um deles, o de 2006, com triunfo germânico nos pênaltis.

Além disso, os alemães contam com um impulso que ainda não está nas enciclopédias: a implacável goleada por 7 a 1 sobre a seleção brasileira, no Mineirão, para chegar a sua oitava decisão de Mundial. “Os jogos anteriores devem ser vistos por cima. Cada partida é diferente da outra”, diz o argentino Maxi Rodríguez, presente nas duas últimas eliminações dos sul-americanos.