Esportes

Aos 98 anos, Vovó Corredora dá show nas corridas de rua

Adelmira Adão participa de corridas de rua em todo o ES, e até fora do estado, aos 98 anos de idade: "Corro porque gosto"

Vovó Corredora 98 anos corrida de rua
Foto: Arquivo pessoal

Adelmira Adão, a “Vovó Corredora“, de 98 anos, participa de corridas de rua e coleciona medalhas, prêmios e participações em corridas ao redor do Espírito Santo. Apaixonada pelas provas, ela segue firme e forte e, apesar da idade, coloca muitos jovens para comer poeira.

Adelmira é natural da comunidade quilombola Monte Alegre, localizada no interior de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Ela começou a correr já aos 75 anos e gostou tanto que segue praticando o esporte até hoje.

É uma paixão. Faço por prazer, porque eu gosto, revela Adelmira.

Vovô já correu em outros estados

Acompanhada do neto, David Adão, a Vovó Corredora rodou o Espírito Santo participando de corridas de rua.

Além do Espírito Santo, ela também participou de corridas em outros estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Aonde ela vai, ela corre!, conta o neto.

Quem é a Vovó Corredora

Adelmira nasceu e foi criada na comunidade quilombola de Monte Alegre, na zona rural de Cachoeiro de Itapemirim, a cerca de 37km do centro da cidade.

A comunidade foi criada por negros libertados da escravidão em 1888, que compraram pequenas porções de terra da Fazenda Monte Alegre. Hoje, aproximadamente 700 pessoas vivem na comunidade.

Adão, a família de Adelmira, é uma das maiores da comunidade. Assim como a maioria dos habitantes de Monte Alegre, ela trabalhou por muitos anos na produção rural da região. Depois, ela chegou a trabalhar na usina e também em casas de família.

A Vovó Corredora tem uma filha e três netos. Ao ser perguntada sobre bisnetos, o neto David Adão respondeu com bom humor: “Não, bisneto ainda não. Povo está devagar”, disse ele rindo.

Como foi o começo na corrida

Se engana quem pensa que foi o neto quem influenciou a avó a correr. Na realidade, foi o contrário.

David entrou para o mundo das corridas justamente para acompanhar Adelmira. Ele conta que somente uma vez correu sem ser para acompanhá-la, em uma meia maratona (21km).

O começo de Dona Adelmira nas corridas, na verdade, foi bem inusitado. Ela fazia parte de um grupo de convivência, após a morte do marido.

Ela e o grupo participaram da Corrida e Caminhada de São Pedro. A ideia era que Adelmira participasse apenas da caminhada, mas uma pequena desatenção acabou mudando sua vida daí em diante. A Vovó Corredora se confundiu com os horários e se separou do grupo.

Ao ouvir o apito da largada, ela entrou no meio dos participantes e começou a acompanhá-los. Mas o apito não era para a caminhada e sim para a corrida. Mesmo sem experiência em corridas, ela completou os 10km aos 75 anos.

Não sabia correr. Mas agora estou aí até hoje e estou gostando da corrida, disse Adelmira.

Atualmente, Adelmira coleciona tantos troféus que já perdeu a conta.

Não tem nem como contar. Já tem mais de 100, disse o neto.

Foto: Arquivo pessoal

Rotina de treinos

Até antes da pandemia, em 2020, Adelmira corria três vezes na semana. Ela acordava às 5 horas da manhã para correr cerca de 5km, 8km ou até 10km. Durante o período de isolamento, ela já não podia mais seguir com a mesma rotina.

Mesmo assim, após o tempo parada, a Vovó Corredora não desistiu do esporte. Ela segue com uma rotina de treinos reduzida, próximos de casa. O neto conta que ela não sai para as atividades físicas sozinha, mas parar ainda não é uma opção para Adelmira.

Enquanto Deus permitir e ela tiver condições, ela vai continuar nem que seja caminhando ou andando, afirma David.

Segredo da saúde de ferro

Quem vê não acredita que Adelmira já possui 98 anos. A corrida é um dos motivos para ela chegar nessa idade com tanta saúde e disposição. Recentemente, nem mesmo ela acreditou que já atingiu uma idade tão avançada.

Esses dias, ela falou que não sabia em que idade estava chegando. Achou que estava com 90 anos, mas ela já passou. Virei pra ela: a senhora passou e nem sabe, disse o neto rindo.

Além da saúde física, a corrida também é muito importante para Adelmira psicologicamente. A Vovó Corredora faz questão de dizer que corre por prazer e o neto David reforça isso.

A questão da corrida ajuda muito ela mentalmente. Depois da perda do marido, ela ficou um pouco deprimida, mas graças a Deus se encontrou na corrida e está muito bem, observa David.

O contato com outras pessoas também faz diferença na vida de Adelmira. Através das corridas, ela conheceu pessoas de todas as regiões do Espírito Santo, do Brasil e até de fora do país.

Dentre essas pessoas está o governador Renato Casagrande, que também é fã de corridas de rua. Ele compartilhou há duas semanas um vídeo em sua rede social ao lado da Vovó Corredora.

Veja o vídeo:

“Conheceu muita gente. Hoje são pessoas que são família. Tem pessoas em Linhares, Colatina, até da Europa. Pessoas da França, Bélgica, dos Estados Unidos…”, conta David.

Adelmira e David reconhecem que uma hora a idade vai pesar e as corridas vão ficar na memória. Mas até lá, a Vovó Corredora aproveita cada passo. “Isso para a gente é motivador. Uma hora vai parar, a gente não sabe quando, mas enquanto Deus permitir, nós estamos aí”, disse o neto.

Texto sob supervisão do editor Flávio Dias