Após exibir irregularidade no início da temporada, o piloto francês Jean-Eric Vergne confirmou no fim de semana o protagonismo na Fórmula E, se equiparando a Lucas di Grassi na liderança fora das pistas e até superando o brasileiro no asfalto. Ele se tornou o primeiro bicampeão da categoria de carros elétricos na rodada dupla da etapa de Nova York, que encerrou a quinta temporada da competição, no domingo.
Mesmo longe de brilhar nos Estados Unidos, o ex-piloto de Fórmula 1 defendeu o título conquistado na temporada passada por conta da boa vantagem conquistada nas três etapas anteriores. Para a rodada dupla de Nova York, ele chegou com 32 pontos de vantagem sobre Di Grassi.
“O fim de semana não começou do jeito que esperávamos. E hoje [domingo] a situação não era ideal. Mas nada disso importa agora porque conseguimos os dois títulos, de pilotos e de equipes”, disse o francês, ao fim da segunda corrida em Nova York.
A rodada dupla nos EUA reproduziu parte da irregularidade de Vergne ao longo do campeonato. Na corrida de sábado, bateu em Felipe Massa no fim, terminou em 16º e perdeu a chance de celebrar o título de forma antecipada. No domingo, mais cauteloso, foi o sétimo, suficiente para ser campeão.
Entrou, assim, para a história da categoria. “É irreal se tornar o primeiro bicampeão da Fórmula E. E eu só posso agradecer ao meu time e a todos que trabalham nos bastidores”, afirmou o francês de 29 anos.
Com a conquista, ele vem quebrando o domínio que Di Grassi vinha exibindo desde o início da categoria. Mesmo com apenas um título, o brasileiro esteve sempre na briga pelo troféu do campeonato. Nunca terminou uma temporada fora do Top 3: foi terceiro na primeira e no campeonato finalizado no domingo, campeão em 2016/2017 e vice nas duas outras temporadas. E está em segundo na lista dos pilotos com mais vitórias, com dez triunfos. Fica atrás apenas do suíço Sébastien Buemi, com 13. Vergne soma oitp.
Se já supera o brasileiro nas pistas, o francês começa a se equiparar ao rival na liderança fora do asfalto. Foram dele algumas das críticas mais fortes à organização da F-E ao longo do ano, principalmente quanto a regras consideradas excessivas e punições inesperadas.
Um dos criadores do campeonato, Di Grassi tem bom trânsito com o presidente e principal fundador da categoria, o espanhol Alejandro Agag. Mas sua atuação nos bastidores já não é a mesma nos últimos anos. Nesta brecha, Vergne vem despontando como referência entre os pilotos na busca por regras mais simples na categoria.