Na última terça-feira (25) foi divulgado o diagnóstico de tumor no testículo do jogador Ederson, do Clube de Regatas do Flamengo. A descoberta do tumor foi possível após a última quinta-feira (20), quando o departamento médico do Flamengo foi notificado pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) sobre o resultado analítico adverso em dois exames de controle de dopagem realizados no atleta.
O capixaba natural de Vitória e residente de Vila Velha Christian Trajano, de 43 anos, é oficial de controle de dopagem e de coleta de sangue da ABCD e comentou o fato. “Esse controle de dopagem em jogadores fora de competição é inédito no futebol e é fundamental para os atletas limpos. Sempre defendemos a ética no esporte. Esse é um fato que mostra que controle de doping não é só questão de ‘polícia e ladrão’. Num caso como esse do Ederson, pode se salvar uma vida com o início de um tratamento precoce”, diz.
“No caso de Ederson, foram dois resultados adversos em dois controles aleatórios, que levaram o Clube de Regatas Flamengo a fazer uma bateria de exames no atleta. Dizemos dessa forma, pois só é afirmado o doping após julgados todos os recursos pela Justiça Desportiva, sendo sua última instância o Tribunal Arbitral do Esporte. Como ele se declarou atleta limpo, o clube iniciou uma bateria de exames nele até a descoberta do tumor”, revela.
“Sou até grato por aquilo que aconteceu, porque tenho 16 anos de carreira profissional e nunca tinha sido um caso positivo no exame de doping. Então, eu caí duas vezes seguida. Acho que isso foi indicação de que Deus é bom e que ele permitiu isso para que a gente descobrisse a tempo este problema para resolver da melhor forma possível”, revelou Ederson durante coletiva de imprensa.
O jogador ficará afastado por tempo indeterminado dos gramados e passará por cirurgia na próxima semana. O meia revelou que a notícia da doença impactou no primeiro momento, mas que já sente tranquilidade em relação ao tratamento. “Sei que vai ser só mais uma batalha na minha vida, pois já venci algumas. Estou com o pensamento muito positivo. Só tenho a agradecer o apoio que venho recebendo do clube e dos amigos. Tenho certeza que vou vencer esta batalha para voltar o quanto antes a fazer o que eu mais gosto, que é jogar futebol”, disse o jogador.
Dopagem fora de competição
Até então, o controle de dopagem era feito somente depois das partidas oficiais, com dois jogadores de cada equipe por meio de sorteio. As coletas serão analisadas pelo Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD).
Ingresso na ABCD
O capixaba entrou na ABCD após ser voluntário nos Jogos Olímpicos Rio 2016 integrado à equipe médica de atleta, nas Arenas Carioca 2 e 3, palco do judô e esgrima. Ele participou como médico de atleta. “Fiz uma jornada de formação em Brasília e em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, nas quais fui certificado Oficial de Controle de Doping e Oficial de Coleta de Sangue. Desde então estou trabalhando na ABCD. Hoje sou o único profissional de controle de dopagem no Espírito Santo certificado pela ABCD”, comenta Trajano.