Futebol feminino

Gabi Zanotti: “É muito gratificante voltar à seleção depois de 5 anos”

Uma das principais jogadoras da história do futebol feminino do Corinthians, capixaba Gabi Zanotti é exemplo de dedicação e determinação nos treinos da seleção brasileira na Granja Comary

Seleção Feminina treina na Granja Comary em Teresópolis nessa quinta-feira 20/02.
Gabi Zanotti em treino da seleção brasileira (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Uma das jogadoras mais experientes da seleção brasileira de futebol feminino, Gabi Zanotti está de volta à equipe depois de cinco anos.

Atuando em alto nível pelo Corinthians, onde ganhou o apelido carinhoso de “Zinedine Zanotti”, a capixaba de Itaguaçu contou em entrevista ao site da CBF os segredos da longevidade no esporte: disciplina, vida regrada, descanso.

Leia também:

É hoje! Tudo sobre Rio Branco x Novorizontino na Copa do Brasil

Capixaba é selecionado para jogar na liga milionária de futebol que tem Neymar como dirigente

Luna Hardman treina no Havaí para sua estreia nas famosas ondas de Pipeline

Gabi foi convocada para um período de treinos na Granja Comary, como parte da preparação da seleção brasileira para a Copa América deste ano, que acontece de julho a agosto, no Equador.

“É muito gratificante voltar depois de cinco anos. O futebol é muito dinâmico, você tem que viver e desfrutar cada momento”, diz Zanotti.

Início da carreira

Eu me sinto um pouco privilegiada por ter tido esse suporte da minha família, dos meus pais, da minha mãe, sempre muito presente, dos meus avós. A minha geração sofreu muito por conta disso, de não ter o suporte, porque na época era muito diferente… hoje ainda existe um pouco de machismo, essa resistência, mas o futebol feminino já é visto de forma diferente. Eu joguei com minha mãe num time da minha cidade no Espírito Santo, Itaguaçu. Ela fazia parte do mesmo time, era zagueira, acompanhava o time nas viagens também e eu jogava lá na frente, no mesmo time pra não ter briga. Foi muito bom ter tido esse apoio, muito importante pra eu dar continuidade na minha carreira.”

Diversidade

“Transitei por todas as modalidades, cada uma agregou pra eu estar hoje no campo, comecei no campo, fui para o futsal, para o beach soccer, transitava porque não havia muitas competições naquela época. Então a gente tentava o máximo possível se manter em atividade e por isso participava de várias competições.”

Apelido de Zinedine Zanotti

 “Recebi esse apelido quando cheguei no Corinthians em 2018. Um gesto carinhoso. Ele foi um atleta que sempre admirei muito, de quem sou fã. Gostava das características de jogo dele, um meia clássico.”

Seleção Feminina treina na Granja Comary em Teresópolis nessa quinta-feira 20/02.
Gabi Zanotti no treino da seleção brasileira na Granja Comary (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Retorno à seleção brasileira

“Aqui é uma paz, é um lugar perfeito para se concentrar e focar no trabalho. Esse ambiente todo e a gente ainda conta com um grupo muito bom de trabalhar, leve, descontraído, mas, quando entra em campo, é muito comprometido, pois sabe o que tem de entregar. Isso é importante pra elevar o nível tanto individual quanto coletivamente. Já trabalhei com Arthur Elias e toda comissão técnica dele por alguns anos, eles sabem conduzir e gerir o elenco muito bem e tenho visto isso aqui nesses dias de trabalho, em Teresópolis. É muito gratificante voltar depois de cinco anos. O futebol é muito dinâmico, você tem que viver e desfrutar cada momento. Nesse período todo longe da seleção, eu nunca deixei de trabalhar, eu sou uma atleta que gosta de trabalhar, sou muito competitiva, intensa no dia a dia de trabalho, quem está diariamente comigo sabe como eu gosto de trabalhar.”

Longevidade

“O quanto é importante e se manter em forma física e intensa nos treinos para chegar e inspirar. Sempre falo para as meninas que uma coisa que não tive foi a base, que elas têm que aproveitar, no dia a dia do clube, aproveitar o máximo possível. Eu tenho certeza que poderia ter me tornado uma atleta muito melhor se eu tivesse tido uma boa base… isso é fundamental para o atleta chegar mais bem preparada à seleção principal. Quanto à longevidade… algumas meninas dizem que querem fazer igual. Quando a gente é mais jovem, não pensa tanto no futuro. Talvez lá atrás eu pudesse ter mudado algumas coisas, mas eu sempre fui uma atleta muito profissional, disciplinada e que me cuidei bastante. Isso faz muita diferença pra estar competindo ainda em alto nível. E é difícil acompanhar a nova geração. Há coisas que parecem simples que são fundamentais: horário de dormir, o que você vai fazer no seu período de folga, o descanso é tão importante quanto uma sessão de treinamento; a parte nutricional, acho que tudo isso a que temos acesso não só aqui dentro da seleção, mas também nos clubes que têm essa estrutura, são aspectos fundamentais para que a gente consiga performar mesmo com certa idade. Hoje em dia temos cada vez mais recursos, por isso que a gente vê tantas guerreiras com 30 anos e acima dos 30, dos 35, conseguindo jogar. E não são só recursos tecnológicos. Falo também do acesso à suplementação. Isso facilita e favorece a nossa longevidade no esporte.”

Sonho

“Sempre penso num curto prazo o futebol. Pensando em seleção, temos uma Copa América pela frente; pensando em clube, meu sonho ainda é o Mundial de Clubes que não tive a oportunidade de jogar. Espero ter essa chance para conquistar um título mundial de clubes. Vou continuar competindo enquanto tiver prazer de entrar em campo com essa fome de bola. É dessa forma que eu quero viver do modo mais intenso possível.”