Esportes

OPINIÃO | Bandido não pode ser chamado de torcedor

A agressão à delegação do Fortaleza é mais uma cena lamentável causada por bandidos que usam o futebol para cometerem atos violentos e crimes

Foto: Mateus Lotif/FEC

Bandido não é torcedor. Tá na hora de pararmos de chamar de torcedor quem se aproveita do futebol para praticar agressões, cometer crimes, destilar ódio e preconceito, tudo escondido pela bandeira do futebol.

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Se eu te ataco na rua com um taco de madeira ou um pedaço de ferro, eu vou responder criminalmente por isso. Mas com o bandido travestido de torcedor não acontece nada! Nada! E ele repete isso no jogo seguinte, e no seguinte, e no seguinte. Pior, ganha “reconhecimento” entre os seus semelhantes, que se orgulham das agressões aos rivais.

Estamos esperando acontecer alguém morrer? Já morreu! Na guerra das facções — torcidas organizadas são, em sua maioria, facções e se comportam como tal —, já houve várias mortes. E nada mudou. Os líderes seguem soltos, agindo à luz do dia. Alguns viraram dirigentes de clubes, outros são entrevistados pela mídia quando ambos têm interesse em comum. Duvida? É só dar um Google.

O ataque ao ônibus do Fortaleza por bandidos não pode passar impune. Como também não poderia ter passado impune, mas passou, o ataque de bandidos vestidos de grená no clássico Rio Branco x Desportiva pelo Capixabão deste ano. Não tem graça. Não tem sentido. O sujeito que sai de casa — ou da sede da sua facção — com uma arma (branca ou não) para ir a um jogo de futebol precisa ser impedido de fazer isso. Esse cara não quer saber e não gosta de futebol. Ele ama e defende somente a facção dele. E mata por ela. É assim aqui no Espírito Santo, no Rio, em São Paulo, Minas, Nordeste, Sul, América do Sul, Europa, Ásia…

As redes sociais potencializam discursos de ódio e têm a sua contribuição nessa questão tão preocupante. O caminho é longo para acabar com a violência. Mas o primeiro passo é este: parar de chamar de torcedor quem é bandido. Bandido não é torcedor.