As eleições municipais de 2024 evidenciaram sete pontos-chave que trazem insights sobre o cenário político no Brasil. Esses pontos refletem mudanças e continuidades no comportamento do eleitorado, além de novas dinâmicas que podem impactar o futuro político do país.
As liçoes das eleições de 2024
1. O “continuísmo” nas prefeituras
A eleição de 2024 trouxe uma taxa de reeleição recorde para os prefeitos, com 81% dos prefeitos candidatos sendo reconduzidos ao cargo no primeiro turno, segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios. O recorde anterior foi em 2008, com 66%.
Esse fenômeno é diretamente associado à capacidade dos prefeitos de captar e aplicar recursos, especialmente em um cenário de aumento do volume de emendas parlamentares e melhora nas finanças municipais após maiores repasses a partir da pandemia da Covid-19. A continuidade de gestores municipais reflete um padrão em que a estabilidade econômica e capacidade de investimento influencia diretamente o sucesso eleitoral.
Mais lições das eleições de 2024
5. Zeladoria versus Ideologia Apesar da polarização política entre lulismo e bolsonarismo, questões locais de gestão, como saúde, educação e segurança pública, foram as principais preocupações do eleitorado, exceto nas principais capitais. Afinal, eleições municipais refletem mais a capacidade dos gestores de atender às demandas imediatas da população do que o alinhamento ideológico. “No Rio de Janeiro havia muito potencial de nacionalização, mas esta foi contida porque o atual prefeito Eduardo Paes (PSD) é muito conhecido e bem avaliado. A polarização trouxe dividendos políticos ao candidato Alexandre Ramagem, o ajudando a ter mais de 35% dos votos válidos”, explica Orrico. 6. Pablo Marçal e a divisão da direita A liderança emergente de Pablo Marçal no cenário político traz desafios à direita, particularmente ao bolsonarismo. “Marçal ganhou tração ao nacionalizar as eleições municipais em São Paulo”, afirma Orrico. Expoente nas redes sociais, seu distanciamento de Jair Bolsonaro (PL) o coloca como uma possível nova força no campo conservador. Com 18% de intenção de voto para 2026, segundo pesquisa da Quaest, Marçal ameaça dividir o eleitorado bolsonarista. Em comparação, na mesma pesquisa, o governador de São Paulo Tarcisio de Freitas (Republicanos) marcou 15% no cenário de disputa com o presidente Lula, que possui 32% de intenção de votos. 7. Oligopolização de partidos Com a cláusula de barreira tendo mais critérios a partir de 2027, o desempenho eleitoral tímido de alguns partidos deve forçar muitas agremiações a se fundir ou formar federações para garantir sua sobrevivência política. A necessidade de eleger ao menos 13 deputados federais ou obter 3% dos votos válidos em pelo menos nove estados deve consolidar ainda mais o número de partidos relevantes no cenário nacional. Na semana passada, poucas horas após os resultados eleitorais, o PSDB, Solidariedade e PDT já discutiam a formação de ser uma federação, por exemplo.