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Inédito: Vitória entra no 'top 10' do ranking de hubs de tecnologia da América Latina

Inédito: Vitória entra no 'top 10' do ranking de hubs de tecnologia da América Latina

A capital Vitória figurou, pela primeira vez, no ranking dos principais hubs emergentes de tecnologia da América Latina. A cidade entrou no ‘top 10’, ficando à frente de polos como Blumenau, Porto Alegre e Brasília. A lista é liderada por Florianópolis, Rio de Janeiro e Lima, no Peru. O estudo, realizado pela Association for Private Capital Investment in Latin America (LAVCA), leva em conta cidades fora dos grandes centros com o maior número de novas startups financiadas por venture capital desde 2022.

Ranking leva em consideração hubs tecnológicos fora dos grandes centros

O monitoramento, realizado pela Association for Private Capital Investment in Latin America (LAVCA), leva em consideração cidades da América Latina que estão fora dos grandes centros tecnológicos – (leia-se: São Paulo, Santiago, Bogotá, Cidade do México e Buenos Aires) – e possuem startups financiadas por capital privado.

Segundo o levantamento, 12 empresas com sede na capital capixaba receberam recursos de venture capital de 2022 até o primeiro semestre de 2024. Com o resultado, Vitória figurou na 10º posição da lista, ficando à frente de cidades como Blumenau, Porto Alegre, Brasília, Recife e Campinas.

Nos últimos anos, o ecossistema capixaba tem ganhado força por conta de hubs de inovação, como Base27 e FindesLab, e também por players do mercado financeiro – como a Apex Partners, que tem desempenhado um importante papel injetando capital em empresas dessa ‘nova geração’, como Wine, Yooga e ATW.

“A Apex lidera um movimento de vender o Espírito Santo para o mundo, e uma das frentes desse projeto inclui divulgar iniciativas inovadoras que surgem no Espírito Santo. Além disso, a companhia foi uma das pioneiras no estado a estruturar investimentos em companhias com bases tecnológicas, criando um fundo de investimento voltado para essa tese. Um dos marcos dessa história, sem dúvidas, foi termos virado sócios da Wine, uma das primeiras empresas a serem reconhecidas nacionalmente como uma das inovadoras do país”, afirma Victor Casagrande, VP Institucional da Apex.

Vale lembrar que o Espírito Santo ainda é o único estado do país que possui um Fundo Soberano. Criado em 2019 pelo Governo do Estado e operado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), o FUNSES busca potencializar o ecossistema de startups e diversificar a matriz econômica no Espírito Santo, por meio das receitas provenientes da exploração dos recursos de petróleo e gás natural do estado.

O prefeito da cidade, Lorenzo Pazolini (Republicanos), explica que os resultados são fruto da integração do setor produtivo com o ecossistema de inovação.

“Recebemos com muita alegria e entusiasmo mais esse resultado importante. Um ranqueamento muito significativo, Vitória pela primeira vez entre as 10 cidades no ranking dos principais hubs emergentes de tecnologia da América Latina. Isso mostra que estamos com um trabalho certo, em um ambiente em que você tem o ecossistema produtivo e o ecossistema de inovação interagindo e dialogando intensamente com o poder público. O resultado é, principalmente, fruto da desburocratização e simplificação de todo o processo de licenciamento ambiental e licenciamento de obras, voltado ao empreendedor. Vitória é hoje a cidade que acolhe o empreendedor, que cuida do empreendedor e fortalece todo esse ecossistema de inovação”.

O estudo aponta que os ecossistemas de tecnologia emergentes na América Latina aumentaram sua participação no número de novas startups financiadas por capital de risco devido à melhoria da infraestrutura nessas cidades e a uma mudança no cenário de investimentos em startups. No período monitorado, a pesquisa aponta a redução de 61,5% para 55% na quantidade de investimentos registrados nos grandes centros, enquanto os ecossistemas emergentes ampliaram a representatividade de 20,7% para 25,5%.

“Empreendedores estão, cada vez mais, fundando empresas em casa em vez de se mudarem para grandes centros. Os hubs de tecnologia emergentes oferecem novas oportunidades para empreendedores e investidores estrangeiros, que podem se beneficiar de infraestrutura melhorada, retenção de talentos e maior acesso ao capital local. Isso aumenta seu apelo em comparação aos hubs tradicionais de startups”, detalha a LAVCA.

O que faz Vitória integrar a lista, segundo especialistas

Michele JanovikCEO do Base27: “Acredito que esse destaque da cidade de Vitória se deve a uma combinação de fatores estruturais, institucionais e culturais. A cidade conta com uma base sólida de universidades e centros de pesquisa, como a UFES, que formam talentos qualificados em áreas como tecnologia, engenharia e inovação. Além disso, o espírito colaborativo da comunidade local de startups e o suporte de iniciativas como o Base27 têm criado um ecossistema vibrante, favorecendo a troca de ideias e a criação de soluções inovadoras. Uma outra vantagem evidente é o tamanho da capital, o que facilita a proximidade entre players do ecossistema, acelerando colaborações e tomadas de decisão.

Wallace Lovato – CEO da Globalsys: “Vitória vem se consolidando como um dos principais hubs de tecnologia do país. A combinação de localização estratégica – próxima a grandes centros como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte – com políticas públicas voltadas para inovação, tem atraído investimentos de diversas partes do Brasil e do mundo. Empresas como PicPay, Wine.com.br e Will Bank, todas nascidas no estado, são exemplos de sucesso que mostram como a inovação é o motor do crescimento econômico local. Além disso, a presença de uma infraestrutura de alta qualidade, aliada a um custo de vida competitivo em comparação com outras capitais, tem tornado Vitória uma escolha atraente para empreendedores e empresas do setor”.

Ricardo Frizera Colunista
Colunista
Sócio-diretor da Apex Partners, casa de investimentos com R$ 9 bilhões de reais sob cuidado. Seu propósito é ajudar a colocar o Espírito Santo no mapa.