Os principais riscos políticos segundo o WEF e como impactam o Brasil

Um dos principais relatórios sobre riscos políticos globais, e que podem impactar a economia e o desenvolvimento econômico, foi divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), o Global Risks Report 2025.

A vigésima edição da publicação listou os principais riscos tanto a curto prazo (2 anos), quanto para longo prazo (10 anos), e as tendências trazem reflexões importantes para as lideranças políticas e empresariais brasileiras.

Os maiores riscos políticos de curto prazo

  1. Desinformação: Destacada como o principal risco no curto prazo, impulsionada pela amplificação de conteúdo falso ou enganoso por tecnologias de IA. Ele pode afetar decisões políticas, confiança pública e a estabilidade social.
  2. Eventos climáticos extremos: Fenômenos como ondas de calor, enchentes e incêndios florestais estão mais frequentes e severos devido às mudanças climáticas.
  3. Conflitos armados e guerras: A instabilidade em regiões como Ucrânia, Oriente Médio e Sudão elevou a preocupação com conflitos regionais escalarem para dimensões maiores.
  4. Polarização política e social: Desigualdades e divisões ideológicas podem dificultar consensos políticos, atrasando reformas institucionais.
  5. Guerras cibernéticas: Um reflexo da crescente sofisticação dos ataques cibernéticos, como ocorreu no conflito entre Ucrânia e Rússia podem impactar a economia e a geopolítica.

Preenchendo o top 10, a publicação lista a poluição, a desigualdade, a migração forçada, confrontos geoeconômicos e a erosão de direitos humanos ou liberdades civis.

Os maiores riscos políticos de longo prazo

  1. Eventos climáticos extremos: O topo das preocupações de longo prazo estão associados a questões ambientais.
  2. Degradação da biodiversidade: O colapso de ecossistemas ameaça recursos naturais essenciais em algumas regiões do globo.
  3. Mudanças críticas nos sistemas da terra: inclui alterações nos ciclos hídricos e atmosféricos.
  4. Escassez de recursos naturais: Há pressão sobre a disponibilidade de água, minerais e combustíveis fósseis.
  5. Desinformação: Continua como um dos maiores desafios, demonstrando que é um problema estrutural e persistente.

O relatório lista ainda riscos associados à consequências negativas de tecnologias de IA, a desigualdade, a polarização política, a espionagem / guerra cibernética e a poluição.

O que isso significa para o Brasil?

O relatório aponta que as fake news, desinformação e a confiabilidade nas informações lideram a relação de riscos de curto prazo, enquanto os riscos ambientais dominam o longo prazo.

Entre as recomendações do relatório estão a necessidade de fortalecimento multilateral, como a do Conselho de Segurança da ONU, a necessidade de adaptação climática por políticas locais, haver uma regulação tecnológica, com o desenvolvimento de frameworks regulatórios para IA e biotecnologia para evitar consequências indesejadas, bem como o investimento em educação e combate à desinformação por meio da chamada “alfabetização midiática” e ferramentas de verificação de fatos.

Já no Brasil, a temática ambiental deve crescer de importância política com uma maior conscientização sobre a crise climática e também eventos extremos, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024. Nesse sentido, deve haver um crescimento da importancia de políticas de estados e municípios na preservação ambiental. Exemplo disso foi a criação na semana passada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que instalou o Conselho Estadual de Mudanças Climáticas (CEMC). Além disso, o governo paulista já considera impactos das mudanças climáticas no repasse de recursos para obras públicas nos municípios paulistas.

Há preocupação do Governo do ES em investimentos em cidades em obras relacionadas a mudanças climáticas também, com a temática do ESG deve crescer também.

Luan Sperandio Colunista
Colunista
Analista político e Diretor de Operações do Ranking dos Políticos, uma das organizações mais influentes do Congresso Nacional.