Na última quinta-feira (3), o Paraná oficializou na B3 o lançamento do primeiro Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) estadual do país. Com um potencial inicial de R$ 2 bilhões e expectativa de alavancar até R$ 14 bilhões nos próximos meses, o mecanismo chega com a proposta de impulsionar a modernização do agronegócio paranaense – e oferecer uma alternativa mais robusta ao crédito tradicional, como o Plano Safra.
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Projeto para o financiamento do agronegócio é inédito no Brasil
A ideia do fundo surgiu durante o Encontro Agro Business Londrina, promovido pela Apex Partners, que contou com a presença do governador Ratinho Jr., do fundador da Suno, Tiago Reis, e de Octaciano Neto, sócio da Avra.
O modelo adotado pelo Paraná se apoia em um aporte inicial de R$ 350 milhões via Fomento Paraná, utilizando a estrutura do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Os financiamentos serão oferecidos a juros subsidiados, em torno de 9% ao ano, com foco em projetos de infraestrutura voltados ao setor agropecuário.
O diferencial está na governança: o governo estadual atua como cotista sênior, ajudando a reduzir o custo do crédito, mas toda a gestão do fundo fica nas mãos da iniciativa privada. A Suno Asset, selecionada por meio de edital público, será responsável pela administração, com estrutura feita pela Valore Elbrus. Os recursos serão aplicados em investimentos de médio e longo prazo, com foco em itens como irrigação, energia solar, equipamentos, aviários, granjas e novas agroindústrias.
Lições do Fiagro paranaense para o Espírito Santo
“Esse é um fundo que nasce com R$ 2 bilhões para atender desde pequenos agricultores até grandes cooperativas, transformando cada vez mais o Paraná no supermercado do mundo. Mas acima de tudo, é um fundo para comprar equipamentos, irrigação, energia solar, aviários, granjas, novas indústrias, tratores, implementos agrícolas”, afirmou o governador Ratinho Junior.
O Espírito Santo tem bons motivos para prestar atenção nesse movimento. A criação de um Fiagro estadual mostra como é possível usar ferramentas do mercado financeiro para fortalecer o crédito rural com agilidade, capilaridade e maior previsibilidade.
Para o estado capixaba, que tem um agronegócio fortemente baseado em pequenas propriedades e no cooperativismo, o modelo pode servir de inspiração para estruturar novos instrumentos de financiamento de longo prazo.
Além disso, uma iniciativa semelhante poderia ampliar o financiamento para projetos de irrigação e energia renovável, essenciais diante dos desafios das mudanças climáticas.
O exemplo do Paraná mostra que é possível – e necessário – inovar nas formas de financiar o campo. E deixa uma pergunta no ar: o Espírito Santo vai seguir esse caminho?
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